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Farmácias: drugstore ou estabelecimentos de saúde?

Em um dia típico de afazeres domésticos, uma dona de casa anota em sua lista de compras os locais que deverá visitar e os itens (ou serviços) necessários para abastecer sua casa:

- Supermercado - biscoitos, macarrão instantâneo, sorvetes, lasanha congelada, bebida láctea, chá, refrigerante, frutas, gelo e energético;

- Petshop – ração, petiscos, coleira e medicamento para o puppy;

- Loja de suplementos – whey protein. Lembrete: perguntar ao nutricionista da loja se pode usar antes e depois da musculação;

- Papelaria – tirar xerox, enviar fax, plastificar o caderno e imprimir as fotos do passeio de final de semana;

- Farmácia - medicamentos previstos em prescrição médica e medicamentos que serão prescritos pelo farmacêutico para desconforto estomacal.

Eu pergunto: pareceria absurdo se esta dona de casa decidisse simplesmente ir a uma drogaria para resolver todas estas pendências de sua família? Pode parecer, mas não é. Empreendimentos no mercado farmacêutico com conceito de drugstores já são uma realidade no País e eles avançam na medida em que o consumidor busca por mais conveniência, além da devida atenção farmacêutica - obrigatória nesses estabelecimentos.

Eu diria àqueles que acreditam que na farmácia deve-se apenas vender produtos e serviços estritamente ligados à saúde de um paciente: não se assustem! O portfólio de itens vendidos em algumas drogarias no Brasil, essas drugstores, inclui a lista da dona de casa citada no início desta matéria, e muito mais. Já é possível comprar brinquedos, produtos de limpeza doméstica, itens veterinários, produtos eróticos, livros, equipamentos de academia, além dos tradicionais produtos de perfumaria em geral e os dermocosméticos em áreas especificas. Ah...esses estabelecimentos vendem medicamentos também!

Curiosidades à parte, as drugstores têm a comercialização de produtos não farmacêuticos protegida por leis específicas de cada Estado. Redes como a Pague Menos (com atuação nacional, mas presença mais expressiva no Nordeste) e a Araújo (com grande projeção em Minas Gerais) são exemplos de estabelecimentos fortemente baseados na venda dos produtos citados na lista da dona de casa do início da matéria.

Vale lembrar que esse modelo foi importado e é muito difundido em vários países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos, onde o Food and Drug Administration (FDA - órgão governamental americano parecido com a Anvisa) exerce controle rígido nas farmácias locais, mas libera a venda de artigos de conveniência de maneira muito ampla. No entanto, o controle da venda de medicamentos é extremamente acirrado e a dispensação efetuada em área reservada, com a presença obrigatória de farmacêuticos prescritores. As gigantes farmacêuticas americanas Wallgreens e CVS não têm o menor problema em vender itens de hortifruti em seus estabelecimentos. No entanto, seria quase impossível comprar um anti-inflamatório sem uma conversa com um farmacêutico em seu balcão especial identificado ou em sua clínica reservada dentro do estabelecimento.

A CVS (que entrou no Brasil por meio da compra da Rede Onofre) já tenta também implementar em nosso País, o conceito de drugstore premium, privilegiando artigos de luxo, destinados às classes mais altas. Claro que os modelos brasileiros praticados atualmente estão longe dos utilizados nos Estados Unidos, mas os negócios nacionais estão a caminho com bons empreendimentos neste sentido.

Drugstore versus estabelecimento de saúde

No Brasil, mesmo em Estados onde a venda de macarrão instantâneo não é permitida nas farmácias, os empresários gostariam de rentabilizar seus negócios com esse tipo de produto. O rígido controle que o Governo Federal mantém sobre a política de preços dos medicamentos praticada pelo setor, reduz drasticamente sua margem de lucro, levando os estabelecimentos farmacêuticos a buscar alternativas que minimizem o impacto da política governamental.

Assim, ao longo dos anos, para viabilizar suas atividades, as farmácias e drogarias passaram a prestar serviços de interesse do consumidor, tais como recebimentos de contas de água, luz e telefone, revelação de fotos, disponibilização de terminais de bancos 24 horas, entre outros. É uma estratégia de mercado adotada também como forma de sobrevivência, principalmente nos Estados onde o conceito de loja drugstore ainda é um tabu.

É importante a ressalva de que o modelo de negócios de uma farmácia conhecida drugstore não é antagônico à proposta de uma drogaria como estabelecimento de saúde. Aliás, como acontece nos países desenvolvidos, a drugstore e o conceito de estabelecimento de saúde se convergem e vivem em plena harmonia no mesmo ambiente.

A Pague Menos é outro exemplo. Mesmo se posicionando como drugstore, a Rede não negligencia os serviços de atenção farmacêutica aos seus clientes. Prova disso é que vem implementando em suas unidades, clínicas de consulta farmacêutica, cujo objetivo é assessorar o cliente para conseguir a máxima efetividade da farmacoterapia. “Atenção farmacêutica é uma arma poderosa que transforma e melhora a qualidade da saúde de uma comunidade, resultando em benefícios para os clientes, como um atendimento personalizado, melhor controle da doença e maior facilidade em seguir o plano de cuidado elaborado”, fala o presidente da rede, Deusmar Queirós.

Ele enfatiza que as clínicas, do ponto de vista do farmacêutico, proporcionam fidelização do cliente e satisfação ao aplicar conhecimentos e habilidades. Para a farmácia, acarretam em maior fluxo de clientes e diferenciação perante os concorrentes. Para os médicos, há a certeza de que terão pacientes mais cumpridores do tratamento e acompanhados com maior frequência por profissional de saúde e a promoção do uso racional de medicamentos.

Essas clínicas da Pague Menos incluem sala com layout específico para consulta farmacêutica, programa na intranet para os farmacêuticos que vão prestar este serviço aos clientes, capacitação e muitas ações em saúde. Elas já foram implantadas em todo o País em mais de 30 filiais da rede e a previsão é que cheguem a mais de 200 até o final do ano. “A população vem respondendo de maneira positiva e sempre procurando os serviços farmacêuticos. Não sentimos resistência nem desconfiança. São mais de cinco mil clientes satisfeitos com os resultados do acompanhamento farmacêutico”, ressalta o presidente da rede.

Opinião pública sobre as drugstores

“Eu uso medicamentos para controlar a pressão arterial e venho frequentemente à farmácia. Para mim é muito prático poder comprar também a ração para meu gato e ainda levar o molho de tomate para completar o almoço”, comenta a aposentada Berenice de Souza, de Belo Horizonte (MG), cliente da Drogaria Araújo. Esta é uma percepção comum em Estados como Minas Gerais.

No entanto, é fundamental citar que pesquisas do ICTQ/Datafolha, em 2012 e 2014, revelam uma profunda transformação na percepção do consumidor sobre o que é o estabelecimento farmacêutico.

Em 2012, apenas 16% da população brasileira viam a farmácia como estabelecimento de saúde. Em 2014 este índice saltou para 87%. Em contrapartida, em 2012, 84% da população viam as farmácias como drugstores - minimercados, lojas de conveniência e de cosmético e perfumaria. Em 2014 este índice caiu para 65%.

De acordo com o diretor de Pesquisa do ICTQ, Marcus Vinicius de Andrade, esse substancial crescimento de 33 pontos percentuais na visão do consumidor, tendo a farmácia como estabelecimento de saúde, se deve também aos debates sobre o tema nos principais veículos de imprensa do País; à resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autoriza o farmacêutico a prescrever determinados tipos de medicamentos; e à aprovação da Lei Federal 13.021, de agosto de 2014, que garante a presença do farmacêutico nas farmácias e ainda conceitua o local como estabelecimento de saúde.

Mediante a flutuação da opinião pública sobre o melhor modelo de farmácia a ser adotada no Brasil, Andrade dá uma dica aos farmacêuticos e empresários do setor: convergir o conceito drugstore com o conceito de estabelecimento de saúde em farmácias e drogarias é a forma mais inteligente de rentabilizar os negócios e ainda valorizar a posição do profissional farmacêutico frente à população que, cada vez mais, anseia por prestação de serviços em saúde.

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