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População de Belém consome remédio controlado sem receita

Consumo de Remédio sem Receita

Cerca de um em cada quatro moradores de Belém consome medicamento controlado, tarja preta ou vermelha, sem prescrição médica. É um dos consumos mais indiscriminados do País, segundo pesquisa realizada pelo instituto Datafolha e o Instituto de Pós-graduação para Farmacêuticos (Ictq). A parcela belenense é bem superior a média nacional (20%) e só fica atrás dos índices apontados em Fortaleza (38%), Goiânia (33%), Salvador (25%) e Rio de Janeiro (25%). De acordo com o estudo, o remédio virou um produto de uso comum e isso aumenta a compra sem receita.


Conforme o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), o paraense Walter da Silva Jorge João, a venda irregular de remédios no Estado está associado a dois fatores principais: a quantidade de estabelecimentos precários sem condições de funcionarem como farmácias e a insistente cultura da população de se automedicar. "Infelizmente, tem contribuído para essa condição a existência de muitos estabelecimentos, não só no Pará, mas como no restante do Brasil, de são estabelecimentos que funcionam como farmácias, sem ter as menores condições para serem consideradas como tal. E, portanto, não contam com a presença, muitas vezes, do farmacêutico o que leva, provavelmente, a comercialização indevida desses produtos", explica, citando os principais medicamentos vendidos sem orientação médica.

"Esse elevado percentual de vendas de medicamentos sem a receita médica pode estar voltado para os medicamentos anti-inflamatórios e os antidepressivos. Hoje já existe uma legislação, digamos, mais rigorosa, impedindo a venda de antimicrobianos sem a receita médica, mas para o caso dos anti-inflamatórios e dos antidepressivos ainda não existe isso. Muito embora, a Anvisa hoje tenha constituído um grupo, que estamos chamando de 'Força Tarefa', no qual o Conselho Federal de Farmácia integra, para que se discuta todas as possibilidades para minimizar ou acabar com o uso abusivo desses medicamentos, que deve ser vendido com prescrição médica. Esse dado mostra que isso hoje não vem acontecendo e isso pode realmente colocar em risco a saúde do usuário, a saúde da população como um todo, pelos efeitos etéreos que esses medicamentos, sem uma orientação farmacêutica quanto ao uso correto deles, pode provocar", completa.

Para o presidente do CFF, é muito comum a procura desses medicamentos nas farmácias porque o consumidor costuma seguir orientações de terceiros, como vizinhos e amigos. Ele explica que a eficácia das medicações depende da fisiologia de cada organismo. "O que é bom para um, pode ser extremamente perigoso para outra pessoa", destaca. Outro ponto que justifica essa venda desenfreada de medicamentos é o interesse comercial dos donos das farmácias, sobretudo as menores, com menos procura. No entanto, Walter Jorge João rechaça a baixa fiscalização das atividades dos profissionais das farmácias paraenses.

"Os conselhos têm atuado muito fortemente e intensificado cada vez mais a fiscalização do exercício profissional desses estabelecimentos. Em alguns locais existe alguma dificuldade, como por exemplo, nosso próprio Estado, de dimensões gigantescas e de localidades com muito difícil acesso, às vezes é um pouco mais demorado chegar a fiscalização nessas localidades, a periodicidade delas às vezes é complicado, digamos assim, é sistemática. Apesar de isso acontecer, devido ao acesso pelas estradas ruins, de locomoção, enfim, todas essas questões que podem contribuir. Mas de um modo geral, os conselhos tem intensificado muito e tem doutrinado muito os farmacêuticos à estarem atentos para esses fatos, de que se, por Lei, o medicamento deve ser vendido com prescrição médica, que assim que tem que ser feito", defende.

A mesma defesa é feita pelo presidente do Conselho Regional de Farmácia do Pará, Daniel Jackson Pinheiro Costa, que aponta o quadro alarmante de 24% dos remédios vendidos sem receita em Belém ao caótico sistema sanitário do País. "O grande problema com os índices preocupantes de consumo de medicamentos tarjados em Belém não é, na verdade, decorrente da falta de fiscalização por parte do Conselho Regional de Farmácia do Pará. E sim, por conta do caos que assola o sistema sanitário brasileiro. A ausência de fiscalização por parte desse sistema acarreta esse tipo de problema. Me manifesto ligeiramente preocupado com os alarmantes dados, afinal, a população deve ter acesso aos medicamentos adequadamente e sem esse tipo de situação. Contudo, o CRF/PA começará apuração para saber se os dados são, de fato, reflexos do cenário real do comércio de medicamentos no município e intensificar cada vez mais as ações", afirma.

Direto no Caixa

Capitais onde o consumo de medicamentos controlados sem receita é mais frequente (%):

Fortaleza - 38%
Goiânia - 33%
Salvador - 25%
Rio de Janeiro - 25%
Belém - 24%
Curitiba - 24%

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