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Maioria da população não sabe como consumir medicamentos

O dia 5 de maio é lembrado pela categoria farmacêutica, como o Dia do Uso Racional de Medicamentos (URM). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (Nairóbi, Quênia, 1985), entende-se que há URM quando pacientes recebem medicamentos apropriados, em doses adequadas às suas necessidades, por período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade.

De acordo com pesquisa realizada pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós- Graduação para o Mercado Farmacêutico (em parceria com o Datafolha), 40% dos brasileiros declaram não saber como consumir um medicamento de forma adequada a fim de assegurar seus efeitos e eficácia com segurança.

Destes, 15% não têm a mínima ideia ou orientação de como usar um remédio sem trazer riscos ou danos para a saúde. Outros 25% declaram saber somente em parte o que é um uso racional de medicamentos.

Em estudos anteriores realizados pelo ICTQ, em maio de 2014, foi identificado que 76,4% dos brasileiros têm a prática cultural de consumir medicamentos sem considerar recomendações médicas ou farmacêuticas.

De acordo com a professora titular e farmacêutica responsável pela Farmácia Escola da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, “a atuação clínica do farmacêutico está cada vez mais sendo necessária para o uso racional de medicamentos e na identificação dos problemas de saúde e proposição de ações que resultem em melhorias de infraestrutura de saneamento básico da população”.

A Política Nacional de Medicamentos (Portaria 3.916/98) tem como propósito garantir a necessária segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos, a promoção do uso racional e o acesso da população àqueles considerados essenciais. Neste sentido, a professora diz que é importante salientar a integralização dos estabelecimentos junto aos hospitais e unidades de saúde para entender e propor ações que sejam inerentes às condições epidemiológicas da região onde estão situados, ou seja, o que pode ser feito para a promoção da saúde individual ou coletiva, da região onde estão localizados.

“As farmácias podem, com muita facilidade, entender o cenário atual, ou seja, as características da população atendida e fazer um ótimo trabalho de educação em saúde melhorando o nível de conhecimento das pessoas de uma maneira significativa para que elas possam cada vez mais ter análise crítica do que lhes é oferecido e poderem atuar intensamente para a melhoria das políticas públicas de saúde”, comenta Maria Aparecida.

A farmácia deve ser vista como um estabelecimento de saúde e uma unidade de prestação de serviços de interesse público, articulada com o SUS e destinada a prestar assistência farmacêutica e orientação sanitária, individual e coletiva. Para o professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Leonardo Doro Pires, essa mudança irá culminar numa alteração significativa no sistema de saúde brasileiro, posicionando as farmácias como porta de entrada da atenção básica e, ao mesmo tempo, delegando a este estabelecimento a responsabilidade pelo monitoramento do uso racional de medicamentos.

Para o presidente do Conselho Científico do ICTQ e ex-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, infelizmente é uma realidade no Brasil o uso abusivo de medicamentos pela população, sem qualquer orientação e controle de parte de dispensadores (farmacêuticos) e prescritores (médicos). “Intervir qualificada, ativa e responsavelmente neste processo é um direito que a população tem e um dever dos profissionais farmacêuticos na promoção do cuidado e do uso racional dos medicamentos”, finaliza ele.

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