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Descubra o que é necessário para ser um farmacêutico clínico na prática

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No Brasil há cerca de 76 mil farmácias e drogarias, de acordo com o Censo Demográfico Farmacêutico realizado pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico. Nelas atuam quase 177 mil farmacêuticos!

O fato é que com a resolução 13.021/14, que constitui as farmácias como estabelecimentos de saúde, há, cada vez mais, vagas para farmacêuticos que atuem clinicamente nesses locais. O desafio não se dá apenas pela falta de profissionais no País, mas também pelo despreparo e inexperiência da maioria deles na atenção farmacêutica à população.

As mudanças históricas nos processos produtivos voltados para a produção de medicamentos e a influência dessas mudanças nos currículos acadêmicos convergiram para um profissional tecnicista, de conhecimentos adquiridos em blocos e desconexos e descontextualizados no que se refere à relação com a população, mantendo uma relação mais íntima com o produto (medicamento) do que com o usuário dele (paciente). “Com isso, o farmacêutico tornou-se um mero dispensador de medicamentos. Com esse novo contexto de farmacêutico clínico, esse profissional tem que ampliar seus conhecimentos para além dos medicamentos. O foco agora é o paciente. E isso demanda maior conhecimento por parte do profissional”, defende o professor do ICTQ, Clezio Rodrigues de Carvalho Abreu.

Falta preparo?

O farmacêutico clínico da Clinifar – Farmácia Escola do ICTQ em São Paulo-SP, Ronaldo Ribeiro, comenta que a formação do profissional na universidade não mantém na grade curricular uma farmácia clínica atuante na anamnese ou interpretação de exames laboratoriais. Ele pensa que um farmacêutico recém-formado não está apto a desenvolver a clínica nas farmácias e drogarias, nem mesmo na farmácia hospitalar.

“Se ele tiver interesse de exercê-la, uma pós-graduação em farmácia clínica é a base e princípio de preparo e formação. Apesar de os Conselhos de Farmácia não exigirem uma residência em farmácia, é fundamental procurar um curso que ofereça no mínimo aulas práticas, pois assim o farmacêutico terá bagagem de conhecimento teórico e prático”, ressalta ele. Vale lembrar que o mesmo Censo citado no início dessa matéria, descobriu que apenas 38,5% dos farmacêuticos entrevistados cursaram ou estão cursando uma pós-graduação.

Abreu observa ainda que falta formação que inclua conhecimentos e habilidades em boas práticas de prescrição farmacêutica, fisiopatologia, semiologia, comunicação interpessoal, farmacologia clínica e terapêutica. Esses conhecimentos podem promover o reencontro entre farmacêutico e paciente, para que possa novamente se responsabilizar pelo seu bem-estar e tornar-se um dos provedores de cuidados em saúde.

Sobram desafios

Para Ribeiro, o principal desafio é ser reconhecido pela classe médica, que não entende que o farmacêutico soma os serviços e não divide ou disputa o paciente. Para vencer esse desafio, é preciso demonstrar na prática para outros profissionais de saúde, o ganho no atendimento multidisciplinar, para o paciente e para todos os profissionais envolvidos no tratamento. Outro desafio importante é ser reconhecido pela população que perdeu ao longo dos últimos anos, a percepção de um farmacêutico voltado para os cuidados essenciais de saúde.

“Vejo outros colegas tendo dificuldade na atuação em grandes redes, onde não se reconhece o farmacêutico clínico. Isso evidencia que as vezes os proprietários assumem um posicionamento estritamente comercial, o que vão na contra mão das resoluções do Conselho federal de Farmácia (CFF)”, diz Ribeiro.

Ele lembra que, mesmo nas farmácias onde já se existe um consultório, há uma atuação muito rasa no âmbito clínico. Isso ocorre porque o perfil do farmacêutico que atua nessas drogarias não corresponde a necessidade de conhecimento e expertise para a atividade. “Hoje temos como aliar um bom faturamento a um atendimento ético, principalmente por meio de acompanhamento farmacoterapêutico, entre outras atividades”, relata.

O desafio de voltar à sala de aula!

Abreu descreve como um dos principais desafios encontrados pelos farmacêuticos a dificuldade em voltar a estudar depois da graduação. Muitas redes não liberam ou não flexibilizam a escala, outras vezes o próprio profissional avalia exaustivo trabalhar durante a semana e estudar no sábado a cada 15 dias. “O profissional farmacêutico precisa ter a consciência de que o processo de auto capacitação é um trabalho árduo, porém indissociável do profissional que trabalha com clínica e atendimento ao paciente. E é importante salientar que cursinhos online, mesmo aqueles vendidos como especialização, são insuficientes por não trazerem a oportunidade de aprendizado coletivo e prático”.

Existem ainda as dúvidas sobre a legalidade e durabilidade das resoluções do CFF, uma vez tão questionada pela classe médica. Abreu acredita que não há incertezas na legislação farmacêutica porque as resoluções disponíveis sobre a atuação clínica (Resoluções 585 e 586/13) já são uma realidade irreversível. “Já no tocante à insegurança, isso é o que predomina somente no meio farmacêutico que está em cima do muro. Não há insegurança nas resoluções, mas nas atividades de natureza técnica e na capacidade de fazer algo que no Brasil era feito só por médicos”, alerta.

Palavra de quem vive o dilema

A farmacêutica da rede de Drogarias Pacheco, em Rio das Ostras (RJ), Eniana Campolina, já teve certa prática clínica no passado pelo atendimento no balcão, que ela considerou um grande aprendizado, mas sente que o farmacêutico precisa de mais qualificação para isso. Por isso, atualmente ela não faz mais esse atendimento.

“Hoje, a todo o momento, somos procurados para fazer uma indicação, confirmar prescrição...e, sinceramente, não temos preparo para este tipo de atuação em saúde. Somos ainda muito despreparados para essa abordagem. Existe uma insegurança e muito pouco embasamento para que possamos nos movimentar livremente neste universo da clínica”, lamenta Eniana.

Para a profissional, é preciso mais conhecimento sobre patologia e diagnóstico, além de interações medicamentosas e alimentares, sem contar com a conscientização, por parte do farmacêutico, do seu papel educativo e psicossocial junto à população.

A maioria dos profissionais tem uma atuação deficiente pela falta de incentivo dos empresários e também porque grande parte deles ainda não se especializou, e prefere se esquecer da responsabilidade. “Precisamos também divulgar e dar mais credibilidade a esta vertente de nossa formação profissional”, acredita ela.

Fazer qualquer curso serve?

Ribeiro afirma que os cursos de curta duração ou ainda os treinamentos online, não acrescentam conhecimentos sólidos, apenas uma informação ou ideia a ser desenvolvida. Para ter conhecimento profundo para atuar no atendimento, é básico ser especializado em farmácia clínica. “Participar de programas de residência, ou ainda de especializações mais específicas em determinadas patologias e acompanhamentos farmacoterapêuticos pode trazer uma base mais sustentável para o profissional atuar no campo clínico”, diz ele.

Eniana concorda com Ribeiro: “vejo muitos cursos que existem para dar o diploma aos alunos, com conteúdos imensos, mas pouca prática e exercício para o preparo do profissional. A meu ver, a prática clínica farmacêutica exigiria uma residência, uma vivência interativa para trazer segurança aos profissionais em formação”. Ela gostaria muito de estar mais preparada e especializada para poder trabalhar atuante dentro da clínica com segurança.

Abreu acredita que o conteúdo teórico adquirido nos cursos de qualificação e pós-graduação em farmácia clínica é muito importante para a atuação prática do farmacêutico, mas de forma complementar. “A formação do farmacêutico para a prática clínica, de forma descontextualizada de seu local de trabalho, tem se mostrado uma forma ineficaz de tornar o cuidado farmacêutico uma realidade. Os profissionais, às vezes, até têm formação e conhecimento suficientes para a atuação em um consultório. O que falta a eles é justamente saber aliar esses conhecimentos a sua realidade dentro do varejo. Nesse contexto, a prática sempre será soberana”.

Superando os obstáculos

Abreu diz que os farmacêuticos precisam estar motivados com a ideia dessa nova atividade clínica, e buscar, de forma incansável, aliar essa clínica à prática do dia a dia. “É fundamental eles entenderem sua importância dentro do plano de cuidado e estimulando a interação entre a categoria de clínicos para alavancar sua implantação. Eu observo que apenas com a união, a motivação e o esforço coletivo é possível mostrar a importância do trabalho clínico e a implantação de sua prática no sentido de ocupar seu lugar no cuidado ao paciente no varejo farmacêutico”.

É preciso levar em consideração o reconhecimento das fronteiras de atuação dentro do consultório, jamais a avaliação farmacêutica deve ser fragmentada e restritiva. Pelo contrário, uma avaliação integral do paciente pelo farmacêutico permite a identificação da necessidade do compartilhamento do caso com outros profissionais de saúde, gerando um cuidado interdisciplinar e até transdisciplinar.

Os 9 desafios que o farmacêutico clínico precisa vencer em 2017

1 - Descrédito sobre a validade, no médio e longo prazo, das resoluções acerca das atribuições clínicas do farmacêutico;

2 - Ausência de conhecimento no que se refere às patologias e farmacologia;

3 - Ausência de exercício prático em aulas de campo ou residências;

4 - Falta de autoconfiança para a prática dos serviços farmacêuticos;

5 - Acomodação na zona de conforto e ausência de empreendedorismo para se propor a realização dos serviços clínicos aos gerentes e empregadores;

6 - Medo das críticas por parte dos profissionais de medicina;

7 - A visão e entendimento estreito de que terá que trabalhar mais, com maiores responsabilidades e com o mesmo salário;

8 - Falta de condições físicas e falta de investimentos por parte de empregadores, para a realização da prática clínica na farmácia;

9 - Ausência de harmonização entre regulamentações do Conselho Federal de Farmácia e ANVISA, principalmente na classificação dos medicamentos e funcionamento dos consultórios farmacêuticos.

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