Automedicação de cloroquina explode no Brasil

Automedicação de cloroquina explode no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou Nota Técnica sobre a cloroquina e hidroxicloroquina porque, no contexto da atual pandemia decorrente do novo coronavírus (Covid-9), estão sendo publicadas informações sobre o potencial uso desses medicamentos no tratamento da doença, atitude desaconselhada pelo órgão sanitário e por especialistas do setor.

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicar o uso do medicamento hidroxicloroquina dizendo que resultados preliminares mostraram que a substância pode ser eficaz no tratamento contra o novo coronavírus, a procura pelo fármaco tem sido grande nas farmácias

Em seu pronunciamento, realizado na última quinta-feira (19/03), Trump pediu pressa para a Food and Drug Administration (FDA), entidade que regula os medicamentos nos EUA, na aprovação definitiva do produto no combate ao vírus. No entanto, o comissário do órgão sanitário americano, Stephen Hansen, pediu cautela: "Precisamos ter certeza que, nesse mar de novos tratamentos, levaremos a droga certa, ao paciente certo, na dosagem certa e no momento certo", alertou.

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A hidroxicloroquina, também conhecida pelo nome comercial Reuquinol, é um medicamento utilizado no tratamento da malária, mas também já foi usado para combater doenças como artrite reumatoide e lúpus. Anteriormente, o produto também se mostrou eficaz contra a síndrome respiratória aguda grave (Sars), doença que, inclusive, pertence ao grupo coronavírus. 

Atualmente, a droga é alvo de mais de 20 pesquisas ao redor do mundo no combate à Covid-19. No entanto, apesar de promissores, os resultados ainda são preliminares, pois, a pesquisa que mais repercutiu em todo o mundo foi realizada em Marselha, na França, em que a hidroxicloroquina foi testada no tratamento de 20 pacientes. Após seis dias de terapia, a substância conseguiu eliminar o vírus do organismo de 70% dos pacientes.

Especialistas e órgãos sanitários

Por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, o vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Marcelo Polacow, falou sobre a hidroxicloroquina e alertou sobre os riscos da automedicação: "São necessários mais testes para que seja feita a indicação clínica. O FDA acabou de liberar esses testes nos pacientes com o novo coronavírus, porém, esse medicamento é um produto tarjado como todos os outros tarjados. Necessita de receita médica e não pode ser vendido sem prescrição".

O farmacêutico completa: "Esse medicamento precisa ser prescrito na dosagem correta, no tempo correto, além disso, esse produto pode ser extremamente perigoso [se utilizado da forma incorreta], não pode ser usado por gestante, pode causar comprometimento cardíaco e distúrbio ocular, podendo levar até a cegueira. Infelizmente, eu recebi informações que muitos pacientes estão comprando e vão fazer uso como automedicação”.

Polacow ainda faz uma recomendação aos farmacêuticos: "Eu ressalto aos meus colegas farmacêuticos que não vendam esse produto sem receita médica, e peço que oriente o paciente sobre a forma correta de usar, quando houver prescrição médica, e realmente tiver indicação para isso [tratamento do novo coronvírus]".

A Anvisa também desaconselhou o uso do medicamento sem prescrição e reforçou os riscos da automedicação: “Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos [hidroxicloroquina e cloroquina] para o tratamento da Covid-19. Assim, não há recomendação da Anvisa, no momento, para o uso em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação. Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde”.

Posição da indústria

Diante da repercussão em torno dos testes iniciais do hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus, a Aspen farmacêutica emitiu um comunicado oficial à imprensa, assinado pelo gerente médico da empresa, Caio Gonçalves de Souza. 

No comunicado, a farmacêutica ressalta que: "Atualmente, não há tratamento específico contra o novo vírus. Portanto, é urgentemente necessário identificar agentes antivirais eficazes para combater a doença. Uma abordagem eficiente para a descoberta de medicamentos é testar se os medicamentos antivirais existentes são eficazes no tratamento de infecções virais relacionadas".

Contudo, em um determinado momento da nota, a empresa aborda alguns estudos que estão sendo realizados com a substância: "Temos também uma revisão sistemática, publicada no Journal of Critical Care, por médicos italianos, citando que seis artigos mostraram a eficácia da hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento da Covid-19, e que já temos, atualmente, 23 trials em andamento na China sobre o uso destas medicações em pacientes com Covid-19".

Entretanto, a Apsen enfatiza que os estudos estão apenas começando: "Estas informações ainda são iniciais, pois, a cada semana, novas evidências sobre essa doença surgem". Veja o comunicado completo da empesa aqui.  

Em contrapartida, em meio à polêmica, algumas farmacêuticas estão suspendendo, temporariamente, a venda e distribuição do medicamento. Por meio de um comunicado, a Profarma, por exemplo, informou que "os produtos Reuquinol e Plaquinol 400 mg (e seus genéricos equivalentes) terão suas vendas bloqueadas [durante algum tempo] e seus respectivos pedidos serão cancelados".

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Assista ao vídeo em que o vice-presidente do CRF-SP faz um alerta sobre o assunto:

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