Novo medicamento contra Alzheimer previsto para o Brasil em 2022

Novo medicamento contra Alzheimer previsto para o Brasil em 2022

Produzido pelo laboratório norte-americano Biogen, o aducanumabe, medicamento contra o mal de Alzheimer, pode chegar ao País em meados de 2022, considerando os trâmites normais do processo, que costuma demorar de 12 a 15 meses, revelou o Estadão.

No início de novembro, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, avaliou que o aducanumabe apresentou evidências “excepcionalmente persuasivas”. A expectativa é pela aprovação do medicamento em março do ano que vem.

A Biogen não quer se comprometer com prazos para a entrega do medicamento no Brasil, apurou o jornal, mas se os prazos normais forem seguidos é factível o produto estar disponível por aqui em pouco mais de um ano.

Se tudo correr de forma positiva, o aducanumabe será o primeiro tratamento disponível para o mal em décadas e o primeiro a sinalizar ser capaz de retardar sua progressão. No comando da Biogen na América Latina há três meses está o escocês Fraser Hall, que até então era CEO da britânica Astrazeneca no Brasil, uma das que estão investindo na busca de um imunizante para o novo coronavírus.

“A Astrazeneca é uma companhia extraordinária, mas a minha grande paixão é a neurociência. E neurociência é Biogen”, disse o executivo em entrevista ao Estadão. “A descoberta do aducanumabe foi muito emocionante. Se você tem Alzheimer, você não tem nada... não há medicamento, não há perspectiva. Acho que essa droga é extraordinária em termos de dar alguma esperança em relação a essa doença devastadora”, completou.

Hall também considerou que, quando a medicação for aprovada, deverá haver mais entusiasmo e mais investimentos no segmento. No dia do parecer inicial positivo da FDA, as ações da Biogen dispararam mais de 40% nos Estados Unidos, único local onde a empresa é listada em Bolsa de Valores. A avaliação do mercado é a de que, se aprovado, o aducanumabe poderá representar vendas anuais de cerca de US$ 5 bilhões (R$ 26,3 bilhões) até 2025.

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Responsável pelos escritórios de México, Colômbia, Argentina e Chile, além do Brasil, Hall acompanha a distribuição dos medicamentos da Biogen em outros países das Américas Latina e Central. Ele lembrou que algumas nações só fazem a liberação de novas drogas quando outros reguladores já o fizeram, enquanto outras têm um processo independente.

“O Brasil, por exemplo, não depende de nenhum outro país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revisa as informações disponíveis (para tomar sua decisão)”, comparou, citando que a Anvisa costuma ter dois processos: um caminho mais rápido, que costuma levar em torno de nove meses, e um considerado normal, que dura em torno de 12 meses, além de mais cerca de três meses de avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

De acordo com o executivo da Biogen, tem sido uma “dura jornada” a busca por uma medicação para o Alzheimer, principalmente em um momento em que todos os olhos do mundo estão voltados para a descoberta de uma vacina contra a Covid-19. “Esperançosamente, haverá mais drogas para o Alzheimer entrando no pipeline, mas, por enquanto, o aducanumabe é o mais avançado entre eles e sobre o qual se tem mais informação. Ele funciona. Acreditamos que ele funciona”, frisou Hall.

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Para expandir a distribuição do medicamento, o executivo, que já tinha contato com os governos locais por causa de sua passagem pela Astrazeneca, mantém a proximidade com as diferentes administrações da região. “Esta doença é uma questão de saúde pública, que afeta muitas pessoas diferentes, e os governos são realmente uma chave no longo prazo, então, estamos próximos dos governos e das agências”, explicou. “Mas reconhecemos que estes são tempos difíceis para qualquer governo”, acrescentou.

O mal de Alzheimer é a perda de neurônios relacionados à memória e ao aprendizado e tida como um dos tipos mais frequentes de demência. Trata-se de uma doença progressiva e que ainda não tem cura. O Ministério da Saúde estima que exista 1,2 milhão de casos no Brasil, a maioria ainda sem diagnóstico. No mundo, são mais de 35 milhões de pessoas identificadas com a doença, apurou o Estadão.

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