Conheça o primeiro consultório farmacêutico da Ilha do Marajó, no Pará

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Desde 2014, algumas farmácias no Brasil passaram a ter um espaço destinado ao atendimento personalizado do paciente pelo farmacêutico. Nos consultórios farmacêuticos, o profissional pode avaliar o conjunto dos medicamentos que o paciente está tomando quanto a possíveis interações, orientar sobre a melhor forma de tomar a medicação, ouvir o paciente sobre sua evolução clínica, fazer contato com o médico ou outros profissionais da saúde que acompanham o paciente para discutir o tratamento e indicar medicamentos isentos de prescrição médica.

Para quem pensa que esta nova realidade da farmácia brasileira está concentrada apenas nos grandes centros, está completamente enganado. No interior do Pará, há 18 horas de barco de Belém, uma farmacêutica tem feito a diferença em sua comunidade ribeirinha. O nome dela é Daysiane Lobato! Com os conhecimentos e insights adquiridos na especialização em Gestão de Consultório Farmacêutico e Farmácia Clínica pelo ICTQ (Instituto de Pesquisa e Pós-graduação para o Mercado Farmacêutico), Deysiane desafiou sua realidade e já abriu o próprio consultório farmacêutico em sua farmácia.

Trajetória profissional                    

Daysiane Lobato conta que a paixão pela farmácia nasceu por admirar a prima, Valquíria dos Santos Teixeira. Ela relata que acompanhou todo o processo de formação da prima e foi a partir daí que decidiu que essa seria a profissão que seguiria na vida – Farmácia! “Quando venci todo o meu processo de formação é que passei amar ainda mais a profissão, pois moro em uma região muito carente, em todos os aspectos, então, para alcançar nossos objetivos temos que nos esforçar muito, não podemos deixar que a distância ou qualquer outro empecilho seja maior que a nossa vontade de crescer”.

A farmacêutica que nasceu em Belém (PA) e reside há dez anos em Portel, formou-se em 2005 no Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA), especializou-se em gestão da assistência farmacêutica, em gestão avançada do varejo farmacêutico e cursa a terceira pós-graduação no ICTQ em gestão de consultório farmacêutico e farmácia clínica. Quando concluiu a faculdade começou a atuar em farmácias de manipulação. Logo com três meses de contrato, da segunda empresa por onde passou, o dono enxergou o potencial da jovem farmacêutica e a promoveu para o cargo de gerente da loja.

Em agosto de 2008 Daysiane recebeu uma proposta desafiante em Portel: inaugurar a única Farmácia Popular da região. A farmacêutica atuou no trâmite junto ao governo federal. Apesar de a farmácia estar equipada, ela conta que os medicamentos estavam vencidos e alguns processos pendentes, então, ela regularizou tudo, atualizou todo o estoque e contribuiu para que a farmácia começasse a funcionar regularmente: “Essa unidade foi a de número 500 no Brasil e na época ganhou uma grande repercussão”. A experiência adquirida foi transformadora para a farmacêutica.

Empreendedorismo farmacêutico

Em 2012, Daysiane resolveu empreender: propôs uma parceria com o marido para comprar a Clínica e Laboratório Nossa Senhora da Luz, em Portel: “Lá realizamos consultas médicas em parceria com médicos, tem um pequeno laboratório de análises clinicas do qual sou responsável e foi com a aquisição desse laboratório que despertei para empreender”.

Ela lembra que já planejava e sentia muita vontade em abrir a própria farmácia, mas não tinha subsídios e orientações. Então, ela começou a pesquisar sobre como seria abrir a farmácia e sobre quais serviços poderia oferecer. Em agosto de 2017, descobriu por meio de uma pesquisa na internet que em Belém haveria uma especialização em farmácia clínica e consultório farmacêutico. Foi quando decidiu enfrentar 18 horas de barco, de Portel até Belém, para adquirir e aperfeiçoar seus conhecimentos como farmacêutica e realizar seu sonho: abrir a própria farmácia em Portel.

“A decisão em abrir a minha farmácia veio enquanto eu assistia a uma das aulas da minha pós-graduação no ICTQ. A pós mudou a minha perspectiva e a minha realidade profissional. Eu descobri o ICTQ no Facebook, enquanto fazia uma pesquisa para saber se em Belém estava acontecendo alguma especialização em farmácia clínica. Quando encontrei o ICTQ fui pesquisar sobre o Instituto e fiquei muito entusiasmada mediante os comentários que li sobre a entidade. As aulas que o professor Rodolfo Fernandes ministra me ajudaram a focar no serviço que é o principal diferencial na minha farmácia, o atendimento no consultório farmacêutico. Eu tive que adaptar todo o meu aprendizado à minha realidade aqui no município, que é geograficamente isolado e carente em vários aspectos, mas já recebo retorno profissional e financeiro por meio dos serviços que ofereço na minha farmácia”, diz.

Daysiane diz que decidiu vender o carro da família para abrir a própria farmácia que está funcionando desde o dia 14 de julho de 2018 em Portel. Por meio dos serviços farmacoterapêuticos ofertados no consultório farmacêutico que ela instalou na sua farmácia, a população local tem acesso à medicamentos, prevenção e orientação de saúde. A farmacêutica relata que abre a farmácia diariamente às 7h e já começa a atender no consultório: “Realizo avaliações com os pacientes, aferição de pressão, glicemia capilar, acompanhamento farmacoterapêutico para grávidas, hipertensos, diabéticos e crianças, realizamos perfuração do lóbulo auricular, avaliação dos exames laboratoriais. Muitos usuários fazem exames de rotina no nosso laboratório e passam na minha farmácia para fazer a avaliação dos resultados dos exames laboratoriais”.

A Ilha de Marajó é pós-graduada na questão do isolamento, mas pessoas como a Daysiane ajudam a diminuir determinadas distâncias, aproximando os indivíduos por meio de serviços de saúde que ela oferta na própria farmácia. A Ilha possui 16 municípios, a maioria deles possui o menor índice de desenvolvimento humano (IDH) do Brasil; são 533 mil habitantes distribuídos na região. Portel tem o 14º pior IDH; esse índice é medido pela produtividade, longevidade de vida na região, saneamento básico, nível de escolaridade, entre outros requisitos. Boa parte das famílias que vivem em Portel depende do programa do governo, o Bolsa Família, elas sobrevivem com R$ 342 reais por mês.

Vantagens de implantar o consultório farmacêutico

O conceito de consultório farmacêutico foi definido em duas portarias do Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicadas em 2013 e a existência desse espaço é também apoiada pela Lei 13.021, de agosto de 2014, que dispõe sobre o exercício das atividades farmacêuticas. Segundo dados do Censo Demográfico Farmacêutico feito pelo Instituto de Pesquisa e Pós-graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ), já existem 1.453 consultórios farmacêuticos em todo o país.

Para Daysiane a mudança mais significativa que se tem na farmácia com a implantação do consultório farmacêutico é a aproximação que o farmacêutico adquiriu com o paciente. “O meu consultório farmacêutico é o primeiro da Ilha de Marajó, a região é composta por 16 municípios, sou a primeira farmacêutica clínica na ilha. E o consultório transformou a minha rotina profissional, o que reparei é que por meio do atendimento no consultório farmacêutico os pacientes por vezes acabam relatando fatos que podem estar interferindo na saúde deles e que por vezes não conseguem contar nem para o médico”, relata.

Segundo a farmacêutica a vantagem de implantar o consultório farmacêutico é poder disponibilizar determinados atendimentos em um espaço onde o farmacêutico pode atender as pessoas preservando a individualidade da consulta, o que não seria possível em um local onde transitam outras pessoas e se dispensam medicamentos, como no balcão. “O que percebi também é que, além de oferecer um atendimento diferenciado aos meus pacientes, o consultório aumentou a minha margem de lucro na farmácia. Portel é o primeiro município da Ilha de Marajó a possuir um farmacêutico em tempo integral atendendo na farmácia, conforme dita a legislação”.

Daysiane conta que nem em Breves, que é a capital da Ilha de Marajó, com quase 100 mil habitantes, há farmácias com o farmacêutico atendendo em tempo integral. De acordo com ela, por lá o profissional atende na farmácia durante duas horas, e isso mediante um termo de ajustamento de conduta, que foi firmado entre o Conselho Regional de Farmácia e o Ministério Público para garantir a atuação do farmacêutico durante esse pequeno período de funcionamento do estabelecimento.

“Aqui em Portel, além de oferecer o atendimento clínico, eu atuo na farmácia durante todo o período em que ela está aberta. E isso é o diferencial, pois a população procura atendimento clínico do farmacêutico e isso me ajuda a fidelizar os pacientes. Por meio do meu serviço o paciente entende que meu trabalho não se resume a apenas dispensar medicamentos, eles depositam confiança em mim, pois percebem que nós entendemos da utilização do medicamento e fazemos as orientações corretas”, afirma Daysiane.

A farmacêutica conta que o estudo sempre a motivou; segundo ela, o profissional que atua na área da saúde precisa se atualizar constantemente: “Mesmo estando distante da capital e mais longe ainda dos grandes centros urbanos, busco motivações para não desanimar, porque sei que é necessário e é minha responsabilidade prestar um bom serviço ao meu paciente. Eu me formei ciente das dificuldades que enfrentaria, das minhas responsabilidades, competências e obrigações. Não posso deixar que os empecilhos atrapalhem meu crescimento pessoal e profissional. Tenho o compromisso de melhorar a saúde da minha comunidade. Todos os dias o mercado lança uma nova substância, um novo modelo de tratamento farmacoterapêutico e é necessário que eu, enquanto profissional da saúde, esteja ciente e domine os assuntos da minha área de atuação. Quando você domina suas habilidades e suas competências você transmite confiança ao paciente. O conhecimento é a prova da sua competência enquanto profissional”.

Reconhecimento

A maior honraria concedida pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), a Comenda do Mérito Farmacêutico, é entregue anualmente a profissionais de todas as unidades da federação para marcar o Dia Nacional do Farmacêutico, celebrado em 20 de janeiro. Em 2018, um dos homenageados foi a aluna do ICTQ Daysiane dos Santos Lobato.

Ela relata que estava de plantão no hospital quando o celular tocou e era do Conselho Federal de Farmácia (CFF). No dia que me ligaram fiquei surpresa, parabenizaram as minhas iniciativas, ressaltaram que estavam feliz em saber que eu já estava na minha terceira pós-graduação e reconheceram que, devido às dificuldades que existem no nosso Estado, muitos profissionais não conseguem se deslocar para a capital para continuar estudando. Então, fui informada que eu iria receber a Comenda do Mérito Farmacêutico, mas fiquei tão surpresa que guardei aquela informação só para mim, enquanto não me enviaram o documento minha ficha não caiu”.

Daysiane conta que o professor do ICTQ Rodolfo gravou um vídeo querendo saber como ela chagava em Belém para assistir as aulas da Pós-graduação e teve uma grande repercussão: “Eu mostrei o barco que pego para me deslocar até a capital para mostrar que, apesar de todas as dificuldades, não desisto dos meus sonhos. É claro que fico apreensiva em pegar o barco para ir até a capital. No nosso verão, por exemplo, há muito vento, tornando as viagens tensas e complicadas, o tempo muda constantemente, pegamos maresia, chuva. Geralmente viajo com os meus dois filhos, porque meu marido não tem como deixar de trabalhar para cuidar deles, então embarcamos às 14h; saio do hospital, pego meus filhos e vamos. Por vezes, não dá para almoçar, então fazemos um lanche no barco; ao anoitecer tenho que fazer mingau para eles jantarem. As viagens podem ser na rede ou na cama, depende da condição financeira do momento. É uma viagem tensa, pois há o temor dos chamados piratas, que assaltam os barcos de madrugada; as mudanças de tempo e a probabilidade de a embarcação ter algum problema também nos deixam muito apreensivos, mas enfrentamos tudo isso com muita tranquilidade. Somos cientes das nossas dificuldades”.

O professor Rodolfo diz que todo esse empenho chamou a atenção dele, sendo assim, ele relatou a história para muitos colegas de profissão e alguns conselheiros que viram o vídeo também e ficaram comovidos com a iniciativa. “Um conselheiro levou isso para uma das plenárias do CFF em Brasília (DF), eles votaram e reconheceram que eu era merecedora dessa honraria. E eu fico muito feliz em poder comover os outros com a minha história, é incrível poder motivar alguém por meio de uma iniciativa. O valor do reconhecimento de alguém é maior do que ter um bom salário fixo e trabalhar no ar condicionado. Existem coisas que realmente o dinheiro não paga. Estudar e atuar com amor e competência não tem preço, não tem distância. Quando você quer fazer algo realmente grande não há limites. Saber como atender e tratar meus pacientes me motiva a ser melhor, isso me motiva a buscar conhecimento e eu acredito que serve como exemplo para muitos. E é esse o legado que quero deixar enquanto ser humano, ajudar as pessoas, levar saúde e motivação para quem estiver próximo a mim”, finaliza Daysiane. 

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