Farmacêuticos inovam com startup de acompanhamento farmacoterapêutico em Minas Gerais

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Sonho que se sonha junto é realidade...dizia o eterno maluco beleza, Raul Seixas! Por conta disso, quatro profissionais se uniram para vislumbrar um negócio inovador e transformá-lo num empreendimento baseado em tecnologia e na oferta de um serviço exclusivo que promove saúde e comodidade. Estamos falando da Far.me – uma startup que nasceu pelas mãos dos sócios Marina Dias dos Santos, Samilla Dornellas, Luciana Raid e Bernardo Magalhães, impulsionada pelo empreendedorismo farmacêutico do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

Quem conta um pouco da saga vivida pela equipe é Marina, uma farmacêutica empreendedora de Belo Horizonte (MG) que foi construindo a história dessa startup baseada em três fatores determinantes: “A participação na disciplina de gestão e implantação de gerenciamento da terapia medicamentosa na UFMG, o estímulo ao empreendedorismo do ICTQ e a vivência em cenários distintos em que aconteciam diversos erros relacionados ao tratamento medicamentoso”, como ela mesma relata.

O sonho que eles sonharam juntos - e que se transformou da Far.me - era o de potencializar a inserção do farmacêutico no cuidado à saúde, ressaltando o acompanhamento farmacoterapêutico como um dos pilares de sucesso. Esse modelo de negócio engrossa o leque de possibilidades de empreendimentos farmacêuticos que, geralmente, não experimentam limitações geográficas.

Antes de contar como essa empresa surgiu e como ultrapassou os obstáculos do caminho, vale explicar um pouco do negócio em si. A Far.me é uma farmácia que realiza o serviço de dispensação personalizada a partir do modelo de assinatura de medicamentos. “Eles são separados na Far.me Box e se apresentam dispostos de acordo com a hora, data e posologia de cada um”, afirma a farmacêutica Marina.

A estrutura é muito simples, mas extremamente útil e conveniente. O cliente, geralmente polimedicado, envia o receituário à Far.me, contendo todos os medicamentos utilizados, com as dosagens e horários especificados. Lá, é feita a avalição da receita e a separação dos medicamentos.

O cliente recebe um rolo de embalagens (saquinhos) individuais. Esse rolo é sequencial e cronológico, ou seja, o cliente tem acesso incialmente aos primeiros medicamentos a serem utilizados naquela hora e, na sequência, surgem os medicamentos que serão usados depois. Todos os saquinhos contendo os medicamentos prescritos estão identificados com o nome, data, horário e itens a serem tomados. Se a pessoa é medicada quatro vezes ao dia, ela receberá um rolo com as quatro embalagens sequenciais daquele dia, seguidas pelas embalagens do dia seguinte, e assim por diante. Dessa forma, no dia certo, na hora certa, é só abrir e tomar. Esse é o sistema chamado de Far.me Box. Como, geralmente, esses tratamentos são contínuos, o cliente faz uma assinatura do serviço e recebe os produtos em casa, com a frequência determinada.

É tão simples que você deve estar se perguntando por que não pensou nisso antes...mas Marina pensou, e colocou essa expertise à disposição de seus pacientes. “Hoje atendemos 54 clientes recorrentes. Portanto, nossa rotina se resume à gestão da empresa que ainda está em seu estágio inicial, além da especialização em diferentes áreas para completar as competências do time da melhor forma possível”, diz a farmacêutica.

Perfil

Há muito mais a ser dito sobre esse modelo, mas, antes disso, seria importante mostrar quem realmente está por trás dessa ideia, que se baseia no cuidado e no amor ao outro. Marina é uma jovem mineira, cujo interesse pelo curso de Farmácia surgiu de uma vontade de atender diretamente às pessoas e promover saúde adequada a elas. Sendo assim, ela concluiu a graduação em farmácia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em dezembro de 2017.

O primeiro lugar em que ela começou a trabalhar, assim que se formou, foi em um hospital psiquiátrico, como responsável pela gestão e separação diária dos medicamentos dos pacientes. Concomitantemente, fez parte de um projeto da UFMG com duas amigas, também farmacêuticas, em uma casa de repouso de Belo Horizonte onde residiam 31 idosos.

Ela percorreu mais de um ano nesses ambientes e pôde conviver com todo tipo de necessidades no que se refere ao cuidado de pessoas fragilizadas e com carência de acompanhamento farmacoterapêutico individualizado.

“Nesses projetos identificamos possíveis problemas relacionados ao uso de medicamentos. Daí, passamos a otimizar os processos de organização e separação, bem como o desenvolvimento de um cuidado farmacoterapêutico. Em todos esses cenários deparamos erros no uso de medicamentos e começamos a sentir certa inquietação para resolvê-los”, relata a farmacêutica.

Ser empreendedor exige do profissional, antes de qualquer coisa, um perfil voltado para o que é inovador e desafiador. Marina tem isso como elemento propulsor de seus ideais. Depois de verificar a viabilidade do negócio e os benefícios que o projeto levaria à população, Marina decidiu empreender, junto com seus sócios, e precisou abdicar das ocupações usuais para se dedicar totalmente à recém-criada Far.me.

O protótipo do negócio foi implementado, em junho de 2018, para atender às casas de repouso e pacientes em domicílio. A partir disso, Marina conta que começou a receber feedbacks excelentes: “Vimos quão importante era levar o projeto adiante. Assim, começamos a buscar programas de aceleração de startups e mentoria de figuras do ecossistema de inovação de Belo Horizonte para estruturar e desenvolver nosso negócio”.

Empreender é romper barreiras

O sonho de empreender e levar o bem às pessoas é muito feliz e nobre...até a página um, quando começam a surgir os obstáculos inerentes de qualquer negócio. Marina conta que ela e os sócios tinham o ideal comum de potencializar a inserção do farmacêutico no cuidado à saúde, ressaltando o acompanhamento farmacoterapêutico como um dos pilares de sucesso. Entretanto, o empreendimento exige conhecimentos aprofundados em administração de empresas, gestão financeira e técnicas de negociação (além de ter algumas habilidades como comunicação, liderança e criatividade).

Por conta disso, essa mineira relata que vem rompendo diversos obstáculos. O primeiro deles foi alinhar o mindset empreendedor: “Durante nossa trajetória acadêmica não recebemos instruções direcionadas para gerir um negócio, não desenvolvemos essas habilidades. Com isso, chegamos ao mercado carentes desse tipo de informação e com uma necessidade urgente de conhecimento em gestão de pessoas, financeira, liderança e outros aspectos burocráticos”.

O fato de a Far.me oferecer um serviço inovador a coloca numa posição privilegiada, porém, desafiadora, pois não existe uma legislação específica, e os órgãos na área da saúde ainda possuem uma visão muito tradicional. Ademais, Marina relata a falta de recursos financeiros para empreender, principalmente na área da saúde.

E a luta continua, já que estruturar uma empresa no Brasil é cansativo e burocrático: “O desconhecimento dos investidores sobre o setor de saúde gera incertezas e atrasa processos. A especialidade técnica das inovações e a insegurança jurídica decorrente de um mercado extremamente regulado tornam mais difícil o fluxo de capital no setor e, sem capital, falta combustível para crescer”, lamenta Marina.

Essa empreendedora e seus sócios são incansáveis. Sabe-se que aqueles que empreendem na área de saúde costumam ter um nível de persistência acima da média, tanto pela tolerância ao risco como pelo ímpeto de deixar de lado uma carreira bem remunerada para mudar o status quo desse mercado.

No entanto, Marina não esteve sozinha. “Para superar essas dificuldades procuramos o ICTQ, que estimulou nosso espírito empreendedor e fez conexões importantes. Concluímos a disciplina de gestão e implantação de gerenciamento da terapia medicamentosa na UFMG, conectando pessoas da área da saúde que empreendem e possuem know-how em implementação de novos serviços e gestão de pessoas”, constata a farmacêutica.

Ela comenta que o próximo passo é buscar tecnologias que agilizem os processos e permitam escalar e atender, de maneira segura e efetiva, a grande população de polimedicados, que demanda tanta atenção no cuidado à saúde.

Startups são o futuro

De um lado, prontuários em papel, acompanhamento presencial e dificuldade de acesso às informações do paciente. Do outro, inteligência artificial, telemedicina, testes genéticos e diagnósticos por videoconferência. O mercado de saúde vive um momento único de transição, em que a ineficiência dá lugar à tecnologia; o papel é substituído pelo digital e as camadas de burocracia e lentidão do setor são rompidas pela disrupção.

Startups são o futuro. Elas dão sempre um passo a mais na curva de aprendizado e mostram caminhos para problemas novos e antigos. Atualmente é possível empreender na saúde e trazer inovações que impactam positivamente o setor, o que vem a calhar em um País com um Sistema Único de Saúde que não atende a todos e no qual menos de 25% da população têm acesso a planos privados.

No empreendedorismo, a lógica sempre é inversa: quanto maior o problema, maior a oportunidade de negócio. Se essa equação estiver correta, não existe setor mais fértil para empreender do que o de saúde.

A startup oferece a possibilidade de contribuir com o ganho de eficiência nos processos-chaves, propondo soluções e alternativas rápidas. “O mercado de startups na área da saúde vem crescendo e podemos ver um aumento de interesse pelo nosso produto, pois ele é inovador e atende a uma necessidade específica que o mercado não possui”, diz Marina.

Além disso, ela aponta duas vantagens para as startups do setor: a possibilidade de nascer global, utilizando tecnologias produzidas regionalmente para resolver grandes problemas de saúde e, ainda, a transição de um modelo de mercado baseado em serviços.

Para conduzir essa transformação é necessário um grupo de empreendedores com perfil bastante específico para esse segmento. O time da Far.me é um bom exemplo, pois a equipe enxergou a oportunidade de transformar uma necessidade específica em um negócio real. A verdadeira motivação desses empreendedores é mais ligada à oportunidade e ao propósito do que à necessidade e às razões financeiras.

Ao analisar o ecossistema de empresas de saúde digital no Brasil, Marina acredita que está vivendo ainda os primeiros capítulos. “Existem grandes exemplos de empreendedores e startups a serem descobertos, mas o ecossistema precisa se fortalecer primeiro”. É preciso, antes de tudo, reunir o ecossistema que já existe, mas está disperso, conectando mentores e especialistas para auxiliar os empreendedores nos desafios de crescimento, criando pontes entre grandes corporações e startups e disseminando exemplos de empreendedores que estão revolucionando o setor, mesmo com todas as barreiras encontradas.

Apresentação e networking

A Far.me foi selecionada para participar de um programa de pré-aceleração do Founder Institute. Marina diz: “Foi um avanço, estruturamos e desenvolvemos nosso projeto e novas habilidades, fizemos conexões e mentorias com o ecossistema de startups, validamos nosso produto e mercado e entramos em contato direto com especialistas da área legislativa para nos respaldar. Tivemos a oportunidade de participar do programa Founder Institute e recebemos a excelente notícia de que fomos selecionados para o Biostartup Lab, que é uma iniciativa da Biominas Brasil e do Sebrae Minas para acelerar o surgimento de startups em alguns setores, como saúde humana, digital health, agronegócios/saúde animal e meio ambiente”.

O time da Far.me foi escolhido também para apresentar sua proposta comercial no Healthcare Innovation Show (HIS-2018). Desde 2015, o HIS é um evento obrigatório para os principais líderes do setor da saúde, não só por trazer assuntos relevantes, mas por ser o evento mais inovador que o ecossistema já viu. “Além de gerar uma considerável visibilidade para a Far.me, falar sobre o uso de inovação e tecnologia para o engajamento e experiência de pacientes no HIS-2018 proporcionou contatos importantes com empresas, hospitais e indústrias farmacêuticas. Conseguimos abordar e discutir assuntos relevantes e nos atualizamos com as últimas tendências, soluções, serviços e tecnologias para o setor. O networking foi bastante produtivo e conseguimos promover conexões muito interessantes para o futuro”, afirma Marina.

A importância do conhecimento

O curso de graduação na área de Farmácia é importante para empreender no setor. Porém, é imprescindível uma pós-graduação voltada para o setor de administração e gestão estratégica desses tipos de empresas. Dependendo do envolvimento do empreendedor com a parte técnica do negócio é importante também uma especialização, visto que muitos empresários farmacêuticos acumulam as atividades gerenciais e técnicas.

Dentro do time da Far.me, Marina é a responsável pela assistência à saúde dos usuários. Por meio do acompanhamento farmacoterapêutico e da metodologia da atenção farmacêutica, a startup propõe promover mudanças clínicas e empoderar o paciente sobre sua farmacoterapia. Diante disso, a farmacêutica percebeu que seria fundamental começar uma especialização para desenvolver e aprender outras habilidades: “Iniciei a pós-graduação em farmácia clínica e atenção farmacêutica no ICTQ, que une tanto a metodologia do conteúdo farmacêutico quanto o incentivo ao empreendedorismo, tão importante para nós no começo da Far.me. As aulas começaram em março de 2018 e já aprendi muito sobre determinados aspectos relacionados ao cuidado farmacoterapêutico, liderança e desenvolvimento do meu lado empreendedor. Ademais, ter o ICTQ como parceiro e estimulador do nosso projeto faz toda a diferença”, finaliza ela.

Tags: farmacêutica, profissão farmacêutica, carreira farmacêutica

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