ICTQ lança Pós-Graduação em Metodologias Ativas em Ensino Superior de Farmácia

Pode até parecer inusitado para a maioria dos farmacêuticos, especialmente, para aqueles que estão estudando, no entanto, um método que já revoluciona o ensino promete ser mais eficiente, delegando a aprendizagem ao próprio estudante, e colocando o professor como norteador e tutor dessa aprendizagem. Essa é a proposta do curso de pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior em Farmácia, desenvolvido pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

Para o farmacêutico e professor do ICTQ e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), dr. Fabricio Rios, os métodos ativos de ensino possibilitam ao aluno autonomia no processo de aprendizado. “Vão além de modelos de ensino voltados e centrados no estudante. É um conceito muito mais amplo, que busca conferir um processo de autonomia e do sujeito como condutor da sua aprendizagem”, explica ele.

Entretanto, Rios ressalta que as metodologias ativas não desmerecem o trabalho do professor em sala de aula, ao contrário, dão um novo sentido a ele. “Os métodos ativos não eliminam o papel do professor, mas o ressignificam e ampliam as suas funções, como o verdadeiro norteador do aprendiz”, ressalta.

Segundo o especialista, ao aplicar a técnica, o mestre fala menos do que realmente precisa e aprende, junto com o estudante, a identificar quais demandas são necessárias para o desenvolvimento das habilidades profissionais e pessoais.

Já para a especialista no tema, que é farmacêutica e presidente do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), dra. Yula de Lima Merola, as principais características que as metodologias ativas despertam no estudante são definidas a partir de uma ideia de autocontrole e liderança. “A principal preocupação é que o aluno desenvolva autonomia, capacidade de resolver conflitos e senso crítico para a tomada de decisões”, reflete.

Segundo ela, as metodologias ativas têm a capacidade de despertar a curiosidade, pois conseguem trazer elementos novos para a sala de aula. Por exemplo, causar motivação por meio do fortalecimento da percepção do aluno de ser origem da própria ação. “Neste processo de aprendizagem, o professor pode usar várias estratégias para livrar os alunos do conteúdo já pronto. Dessa forma criam provocações aos estudantes antes da própria aula, melhorando o aprendizado”, exemplifica Yula.

Por sua vez, Rios complementa, dando uma interpretação de como os métodos trabalham dentro do processo de aprendizagem: “É uma verdadeira reconstrução da própria mente humana de como fomos educados. Sem dúvidas, os métodos ativos hoje aplicados em muitas escolas infantis irão colher melhores frutos com indivíduos cada vez mais aptos a se integrar em um processo pós-moderno, dinâmico e, por vezes, fluido. Essas gerações de profissionais formados hoje serão capazes de se sentir muito mais seguros pelo que são capazes de fazer e realizar, do que pelo simples título conferido. E nisso, as boas instituições terão, sim, um papel revolucionário em seu conceito de formar profissionais”.  

Qual a expectativa do aluno?

Embora Daniela Silva seja professora do ICTQ na área de indústria farmacêutica, ela já garantiu sua matrícula na pós-graduação em metodologias ativas do Instituto. Para ela, o aprendizado apenas por meio da aula teórica não funciona mais.

“É nítido que, em sala, os alunos preferem aulas práticas. Em minhas aulas, 60% do tempo são destinados à aplicação de exercícios, simulados, vídeos ou games, para que eles possam fixar conceitos. Sendo assim, me matriculei nessa Pós por acreditar que ela irá me ajudar a melhorar, ainda mais, as minhas aulas, deixando a didática mais dinâmica”, comenta Daniela.

Uma pesquisa publicada no renomado livro University Physics, em 2007, evidenciou que as metodologias ativas foram essenciais para a diminuição de repetência em sala de aula e para a melhoria da compreensão conceitual dos estudantes. Em relação aos cursos de pós-graduação, o processo de aprendizagem em sala de aula tem proporcionado aos alunos uma educação colaborativa.

“Aprendemos melhor quando fazemos de forma cooperativa. Uma aprendizagem que faça sentido ao aluno promove mudanças na vida deles, favorecendo um aprendizado por meios de relações interpessoais e colaborativas”, explica Yula.

Em outro cenário, o professor e consultor técnico no Ministério da Saúde, Antônio Joaquim Bonfim, que será aluno nesse curso de pós-graduação do ICTQ, comenta que cursar Metodologias Ativas do Ensino Superior em Farmácia é de grande serventia em relação à necessidade de atualização constante. “Ser professor na era digital exige frequente atualização dos conhecimentos e das práticas educacionais. É desafiador o processo de ensino-aprendizagem em meio a tantos fatores que levam o aluno à dispersão em sala de aula”, enfatiza ele.

A retenção do conhecimento nas metodologias ativas

Segundo a pirâmide de aprendizagem de William Glasser (e que, desde 1969, foi utilizada por Edgar Dale em sua temática do Cone da Aprendizagem), uma pessoa aprende.

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Aliás, falar de retenção do conhecimento, para o professor Rios, é algo bem mais amplo. Segundo ele, não se pode pensar que apenas vivenciar e fazer algo seja suficiente para alcançar o que se chama de processo de autonomia e autorregulação. “De maneira resumida, o que pode ser observado é que nós somos capazes de nos lembrarmos de 10% do que lemos e mais de 90% do que vivenciamos e praticamos. Passam a ser óbvias as limitações de uma aula expositiva. Mas isso não é assim tão fixo. Existe todo um processo que deve ser integrado”, ressalta ele.

Como um bom professor, o multiplicador de conhecimento não desmerece outros métodos de ensino. Para Rios, uma nova técnica vem para agregar no processo de aprendizagem, nunca para tirar o lugar de outro método. “O despertar da reflexão e do pensamento crítico, por meio de uma grande aula ou conferência, sempre terá espaço em nossos corações e mentes. Não é em vão que os textos dos pensadores gregos se perpetuam até os dias atuais, na medida em que nos motivam e nos dão inspirações em buscar e saber mais”, lembra ele.

Essa ideia pontuada por Rios sobre a diversidade dos métodos de ensino no  exercício do pensamento crítico também foi um fator primordial para que o aluno Bonfim realizasse sua inscrição na pós-graduação em metodologias ativas do ICTQ. “É fundamental a expansão dos métodos de ensino em um processo disruptivo de formação. O conteúdo programático elencado no cronograma desta pós-graduação do ICTQ promete isso. Ainda considero que existe uma lacuna no processo de formação docente em relação à apresentação dessas metodologias de ensino que preparem o orientador para o ensino superior”, afirma ele, que também é professor.  

A metodologia ativa aplicada em sala de aula

Segundo Yula, a metodologia baseia-se em três propostas pedagógicas contemporâneas:

1) Just in time - modelo autônomo, em que o aluno tem o controle do tempo de estudo, do local e dos materiais pedagógicos em plataformas digitais;

2) Flipped classroom - método de ensino pelo qual a lógica da organização de uma sala de aula é invertida por completo, ou seja, primeiro os alunos estudam o conteúdo curricular em casa, depois vão ao encontro de professores e colegas para sanar as dúvidas e praticar os conhecimentos com exercícios e estudos de casos; 

3) Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) - abordagem de temas e diversos conteúdos a partir de casos reais, quando ocorre a discussão de uma situação-problema relacionada ao cotidiano profissional. Na modalidade presencial, este momento acontece na aula. Já no EaD, a metodologia ABP é enfatizada nas teleaulas e videoaulas.

Em contrapartida, Rios tem uma visão mais específica sobre a aplicação da didática nas metodologias em sala de aula. Ele vê a necessidade de identificação dos alunos para desenvolver um conteúdo mais assertivo. “São diversos modelos, técnicas e protocolos. O que eu acho? Devemos evitar o experimentalismo por ondas. Em vez de introduzir qualquer modelo que o seja de imediato, vamos primeiro procurar saber o que melhor se ajusta ao público que buscamos formar. Em muitos ambientes, a resistência é tão grande que o modelo tradicional ainda oferece certo conforto. Mas também terá os mesmos resultados”, reflete.

Ferramentas das metodologias ativas

Quanto às ferramentas utilizadas em sala de aula, o professor dá exemplos por meio de uma variedade de estratégias, como mapas conceituais, nuvens de palavras, storytelling, ensino baseado em projetos ou em problemas, ensino baseado em times, gamificação, microlearning etc. “Por experiência, vejo que mais importante que os modelos em si são os processos de feedback e a aprendizagem significativa, quando corretamente implantados, pois independentemente dos modelos, eles oferecem resultados surpreendentes”, completa Rios.

Yula complementa os exemplos, citando outras ferramentas uteis na aplicação das metodologias ativas como a sala invertida, PBL, simulação realística e estudos de caso.

Com tantos métodos, o uso da ferramenta adequada para o aluno pode fazer toda a diferença. No caso de Bonfim, as expectativas são para aprimorar o seu conhecimento, no que ele já sabe, mas também, no sentido de aperfeiçoar o seu currículo e capacidade de multiplicação, por meio de novas ferramentas. “Eu costumo utilizar em sala de aula o ensino baseado em problemas. Utilizo o modelo de ambiente simulado, em que os alunos se dividem em duplas e simulam uma situação clínica, sob a ótica do paciente e do farmacêutico clínico. Além disso, uso técnicas como o storytelling. Espero com a oportunidade desta especialização aprender outros métodos e ampliar a utilização de tecnologias em sala de aula”, destaca.

A também professora, Daniela, elenca que em sala de aula costuma utilizar gamificação. Por isso, ressalta que deseja, por meio do curso do ICTQ, aperfeiçoar seu conhecimento na técnica: “Nas aulas, os resultados que obtenho com essas metodologias me ajudam muito”.

Ela ainda explica que as metodologias ativas surgiram em sua vida como proposta para focar no processo de ensinar e aprender, na busca da participação ativa dos alunos, refletindo sobre o papel do professor e do aluno no processo de ensino e aprendizagem, buscando provocar mudanças nas práticas em sala de aula.

Metodologias ativas e a sociedade

Em 1996, a ONU publicou um relatório em que apontou os quatro pilares da educação para o Século 21: conhecer, fazer, ser e conviver. Para Yula, o desenvolvimento dessas competências é fundamental para a garantia de uma educação integral e significativa, no âmbito social das relações interpessoais.

“Diante disso as instituições de ensino devem promover uma educação mais contextualizada para que o aluno aprenda a viver em sociedade, aprimorando a capacidade de leitura, escrita, comunicação e resolução de problemas, a partir da análise da realidade que o cerca, de seus interesses, vivências e experiências pessoais”, aconselha ela.

Nesse aspecto, o professor Rios reflete que, além da oportunidade de conhecer novas metodologias do processo de ensino-aprendizagem, a oportunidade de estudar ao lado de outros professores comprometidos e com larga experiência em salas de aula são uma das consequências das aulas de metodologias ativas. “Com certeza proporcionará uma rica troca de informações e aprendizado coletivo. Por que a magia de educar é isso: aprender enquanto se ensina e ensinar enquanto se aprende”, complementa ele.  

Novamente, as ideias dos professores vão de encontro com as expectativas da aluna. “Estou ansiosa para iniciar essa pós-graduação que, com certeza, irá agregar nas minhas aulas e no meu currículo como professora. Serei uma professora bem diferente da anterior ao curso. E isso será benéfico para os meus alunos também, pois poderei transformar suas vidas com uma aula dinâmica e interativa”, afirma.

O curso de pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior em Farmácia será gratuito para os professores do ICTQ e terá preços especiais para os demais docentes. O início da turma está previsto para 12 de outubro de 2019, em São Paulo (SP). Saiba mais, clicado aqui.

Conteúdo programático:

  • Fundamentos das metodologias ativas
  • Ensino sob medida (JiTT) e Aprendizagem Significativa
  • Neuropsicologia cognitiva
  • Inteligência emocional e oratória no processo de ativação educacional
  • Métodos de pesquisa e epistemologia em Educação
  • Design Instrucional
  • Gamificação e design thinking
  • Ferramentas Digitais e Dinâmicas Virtuais
  • E-learning, animações e Webaulas
  • Mentoring e avaliação de competências atitudinais
  • Aprendizagem Baseada em Problemas, Sala de Aula Invertida e Instrução entre Pares
  • Aprendizagem Baseada em Projetos e Times
  • Simulação realística e exames estruturados por estações
  • Metodologia Científica

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