Violência no varejo farmacêutico

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“O Estado brasileiro, em termos de segurança pública, não tem condições de produzir estatísticas satisfatórias para todo o território nacional”, disse o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, na ocasião de lançamento (4/09/2018) do Centro Internacional para a Segurança Pública no Brasil, que será criado em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. A instituição vai trabalhar na coleta e análise qualificada de dados sobre violações da lei, justiça, sistema prisional e substâncias ilícitas.

E estatísticas faltam para quantificar a violência, principalmente aquela que atinge o varejo, em especial o farmacêutico. O Ministério de Segurança Pública informou que não há qualquer recorte nacional consolidado com dados relativo a furtos e assaltos a farmácias e drogarias. No Estado de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública também respondeu informando que não tem dados sobre violência no varejo.

As pesquisas, quando ocorrem, são isoladas, como é o caso da mais recente sobre o Rio de Janeiro. Em julho de 2018, o CDLRio divulgou o resultado de um estudo que apontou os gastos do varejo carioca com segurança: R$ 900 milhões de reais no primeiro semestre do ano, 20% a mais que em 2017 no mesmo período. A pesquisa mostra também que, dos 750 lojistas entrevistados, 180 já tiveram seus estabelecimentos assaltados, furtados ou roubados, cerca de 15% a mais do que no mesmo período de 2017.

Segundo Aldo Gonçalves, presidente do CDLRio, é como se fosse mais um tributo pago pelos lojistas, já massacrados pelo peso da burocracia e da alta carga tributária. “A violência urbana na cidade do Rio de Janeiro vem prejudicando bastante o comércio, já afetado pelo quadro econômico do país e, em especial, pela crise do Estado do Rio, que tem influenciado profundamente o comportamento do consumidor, que por um lado fica com medo de sair de casa e por outro reduz seus gastos, entre eles as compras”, diz.

Em todo o Brasil, o varejo farmacêutico tem sofrido com dois problemas: o furto externo e os assaltos à mão armada. Os produtos que mais chamam a atenção são os de maior valor agregado e de fácil comercialização paralela. No ranking dos medicamentos mais roubados no ano passado, nove são analgésicos e dois são anti-inflamatórios. Medicamentos contra disfunção erétil, protetores solares e produtos de higiene pessoal, como desodorantes e lâminas de barbear, também estão entre os principais alvos, apontam dados da Pesquisa de Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro, elaborada anualmente pela Ibevar/Provar. No caso de assalto, também há furto de dinheiro.

De acordo com Luiz Fernando Sambugaro, diretor de Comunicação da Gunnebo, o furto externo tem como principal defesa a presença ostensiva das câmeras. É com esse tipo de equipamento que o setor gasta mais. Entretanto, o aumento da agressividade e da criminalidade não tem impedido, em muitos casos, a ação dos ladrões, que não se importam de serem filmados.

“Estamos percebendo o crescimento, principalmente nas lojas do interior e outras regiões do país, dos assaltos à mão armada. Quanto maior forem os novos segmentos ou atividades das farmácias como centro de compras – cosméticos, eletrônicos, recebimento de outros boletos que não relacionados à sua venda etc. – mais o risco tende a crescer. Infelizmente não temos dados concretos sobre o investimento do setor em segurança, mas poderíamos afirmar que é crescente. Hoje, as grandes redes já não abrem uma nova loja sem os equipamentos de segurança e proteção”, acrescenta o diretor da Gunnebo.

Como o varejo farmacêutico se protege

Segundo a Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), não há existem pesquisas sobre qual foi o investimento médio do setor, nos últimos anos, com soluções contra furtos externos, mas a experiência da associação aponta para um percentual de 0,50% sobre o faturamento, já incluso todos os investimentos em tecnologias, mão de obra, serviços etc.

Os equipamentos de segurança mais utilizados pelas farmácias ainda são as tradicionais câmeras de segurança, sobretudo nos caixas e nas áreas de maior potencial de furto. “As antenas colocadas nas entradas das farmácias, com as respectivas etiquetas eletrônicas aplicadas nos produtos, principalmente nos de maior risco, também são fundamentais. Mas as soluções podem variar de farmácia para farmácia e de região para região”, pontua Sambugaro.

Especialmente contra furtos, a acusto magnética tem sido a tecnologia mais utilizada pelas farmácias, pois é mais eficaz pela compatibilidade de suas etiquetas eletrônicas com a maioria dos produtos expostos nas gondolas e pela crescente implantação de etiquetagem na origem, ou seja, quando os produtos já saem com a proteção das fábricas, o que é muito comum no caso dos protetores solares.

Outro equipamento utilizado pelo varejo farmacêutico são os cofres inteligentes, que, além da maior segurança no ponto do caixa, facilitam a gestão dos recursos a distância pela área financeira da empresa. “Com o cofre inteligente, o varejista acompanha e controla em tempo real toda a operação, além de obter relatórios, melhorar os processos da tesouraria, rejeitar notas falsas e auxiliar na coleta do dinheiro pelas empresas de transporte. Além disso, o controle da operação é todo automatizado por meio de senhas que identificam o responsável pela operação até o depósito no cofre. Outra vantagem é a possibilidade de monitorar, via web, os níveis de caixa de todas as unidades instaladas”, detalha o diretor da Gunnebo.

A pesquisa do CDLRio indicou que os R$ 900 milhões de reais – citados no início da reportagem – foram investidos na contratação de vigilantes, equipamentos eletrônicos, grades, blindagens de portas, reforço de vitrines e seguro.

Crescimento na contratação de seguros

Segundo Sergio Danon, da Conquiste Seguros, a crescente onda de violência tem aumentado a procura por seguros. Prova disso é que a SulAmérica registrou alta de 34% na quantidade de vendas do Seguro Empresarial Drogarias de janeiro a julho de 2017, no comparativo com igual período de 2016. Trata-se de um dos segmentos com maior procura no ramo de seguros empresariais.

Os tipos de seguro contra assaltos, roubos e furtos podem variar de seguradora a seguradora, mas normalmente se dividem em dois tipos: o roubo do conteúdo, que são bens em geral, como as mercadorias, máquinas, móveis, equipamentos e utensílios; e o roubo de valores, dinheiro. Em geral, cobrem assalto à mão armada ou furto qualificado, quando há evidências de arrombamento. “O furto simples, que é quando uma mercadoria desaparece e não há evidências de arrombamento, não tem cobertura, pois pode ser devido à má-fé do cliente”, explica Danon.

O custo de um seguro varia muito em virtude do CEP de localização da farmácia, bem como dos sistemas de proteção existentes no local e até informações sobre se há caixas eletrônicos na drogaria. Além disso, leva-se em consideração a experiência prévia nos últimos anos. “Digamos que especificamente as coberturas de roubo variem nacionalmente de 1 a 5% do valor de cobertura, ou seja, uma cobertura de R$ 10 mil pode variar de R$ 100 a R$ 500”, exemplifica Danon.

Histórias de quem sentiu na pele

O diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sincofarma/SP) e proprietário da Rede Farma Ponte, Luiz Marcos Caramanti, está entre os varejistas que tiveram de repensar a segurança das lojas e dos funcionários devido ao crescimento da violência. Ele teve que fechar pontos de venda que atendiam no período noturno porque estavam sendo assaltados duas ou mais vezes por semana.  “Das seis lojas que funcionavam 24 horas, duas foram fechadas. Coloquei segurança particular e passei a gastar, no mínimo, R$ 4 mil por loja com porteiro noturno”, contabiliza o empresário.

Em 2017, uma funcionária da Farma Ponte levou um tiro na boca. “Arcamos com todos os custos do atendimento, mas as consequências são terríveis para quem vive esse tipo de violência”, acrescenta Caramanti, que atribui o crescimento da violência ao elevado índice de desemprego no Brasil, atualmente em torno de 12%.

A farmacêutica Rosimeire de Jesus Paiva desenvolveu Síndrome do Pânico depois de ser agredida por um assaltante, em 2014, na farmácia onde trabalha. “Algum tempo depois do assalto, comecei a me sentir muito mal. Chorava muito, sentia mal-estar e ficava nervosa quando havia aglomerações de pessoas dentro da drogaria. Procurei um neurologista e fui diagnosticada com Síndrome do Pânico. No início foi difícil lidar com os efeitos colaterais, como sono e dor de cabeça, mas decidi que precisava enfrentar o meu medo. Com apoio do meu esposo, irmãos e amigos, consegui superar. Hoje, continuo trabalhando na mesma rede, porém em outra loja”, conta Rosimeire.

Este ano, uma farmacêutica de Belo Horizonte, que prefere não se identificar, começou a trabalhar numa grande rede, presente em vários estados brasileiros. Segundo ela, o cargo oferecido era de gerente adjunto farmacêutico, mas, quando assumiu, percebeu que os gerentes de anos de casa estavam sendo demitidos para que os farmacêuticos assumissem por completo as funções. Entre as atividades estava o fechamento do caixa. Os valores eram depositados em cofres nos fundos das lojas, tudo sob inteira responsabilidade dos farmacêuticos, em sua maioria mulheres.

“Comecei numa segunda-feira. No sábado, fui escalada para fechar a loja às 22h. Por volta das 21h, uma dupla de rapazes entrou pedindo crédito de celular e anunciou o assalto à mão armada. Olharam para o meu jaleco e um deles disse: ‘Você é a farmacêutica. Me leva no cofre agora’. Desesperada e nervosa, não conseguia abri-lo e levei uma coronhada na cabeça. O tempo todo sendo ameaçada de levar tiro. Por fim, me jogaram no chão e pegaram o dinheiro. Tudo isso não durou nem cinco minutos”, relembra a farmacêutica.

Ela entrou em pânico quando soube que teria de continuar trabalhando normalmente. “Fiquei com medo de andar na rua e pegar transporte público. Deixei de dormir por causa das imagens do assalto que insistiam em permanecer na memória. Não fui trabalhar durante três dias. O médico que me atendeu me diagnosticou com transtorno pós-traumático. Voltei a trabalhar, mas me assustava com a abordagem dos clientes, a boca ficava seca. Não dei conta de ficar. Busquei ajuda de uma psicóloga e só melhorei depois que saí desse emprego. Atualmente, trabalho num hospital”, desabafa.

Esses três casos ilustram uma rotina estressante e insegura que muitos profissionais enfrentam hoje em dia nas farmácias brasileiras, que são, cada vez mais, alvo dos bandidos. Não são necessários dados oficiais para perceber que a violência não tem dado trégua. Basta uma rápida busca no Google com o assunto “assalto à mão armada em farmácia” para levar um susto com o resultado.

Conheça alguns casos divulgados pela imprensa de janeiro a julho de 2018

Diarinho

25/07/18

Dois homens armados invadiram uma farmácia na Quinta Avenida, em Balneário, e levaram dinheiro e objetos de valor.

Rádio Nereu Ramos

18/07/18

A farmácia Preço Popular, localizada na Rua dos Caçadores, no Bairro Velha, foi palco de um assalto na noite desta terça-feira (18). O assaltante levou R$ 150,00, fugindo do local em uma moto.

O Popular

13/07/18

A farmácia Morifama, localizada na avenida Archelau de Almeida Torres, no bairro Iguaçu, foi alvo de bandidos. Funcionários relataram que um indivíduo, em posse de duas armas de fogo, entrou na farmácia e levou R$ 500 do caixa do estabelecimento e o celular de um farmacêutico.

Jornal O Dia

06/07/18

Dois bandidos roubaram uma farmácia que fica na Estrada Rodrigues Caldas, 915, na esquina com a Rua Opinião Liberal, na Taquara, na Zona Oeste da cidade, por volta das 20h30 desta quinta-feira.

G1

26/06/18

Idosa é arrastada por ladrão durante assalto à farmácia de Anápolis. Ela e três funcionários foram rendidos por assaltantes, que estavam armados. Comércio informou que foram levados R$ 400 do caixa.

G1

21/06/18

Ladrão armado e com capacete assalta farmácia em 30 segundos em Guararapes. Crime ocorreu no Centro da cidade, na noite de quarta-feira (20).

Metrópolis

11/06/18

Comerciante que matou mulher após assalto ainda não se apresentou à DP.  Dono da farmácia teria atirado na ladra e no comparsa dela depois que eles roubaram o estabelecimento.

G1

14/05/18

Assaltante de 18 anos morto por PM de folga em drogaria já tinha passagem por roubo. Comparsa dele fugiu com R$ 600 do caixa do estabelecimento em Guarujá, no litoral paulista.

Midiamax

03/05/18

Dois assaltantes roubaram uma farmácia, de onde levaram R$ 2 mil na manhã desta quinta-feira (03), no Centro de Itaporã, cidade a 234 quilômetros de Campo Grande. Com capacetes, ambos renderam a funcionária e pegaram todo o dinheiro que estava no caixa, em torno de R$ 2 mil reais. 

Meionorte.com

02/03/18

Mais um assalto à mão armada em menos de 20 dias em Redenção. A proprietária da farmácia, atônita com a situação atípica, entregou o dinheiro da gaveta e o celular dela.

A Voz da Realiza

12/02/18

Uma farmácia foi alvo de assaltantes na tarde desta segunda-feira, dia 12, na Rua Paraná, Centro Sul, em Dois Vizinhos. As informações até o momento indicam que dois indivíduos com capacetes e armados entraram na Farmácia São João, anunciando o assalto, e levaram todo o dinheiro do caixa.

Tags: farmacia, drogarias, profissão farmacêutica, Segurança Pública

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