Saiba como as Análises Clínicas impactam o combate à pandemia

Saiba como as Análises Clínicas impactam o combate à pandemia

Em resumo, as análises clínicas são compreendidas como exames que investigam o estado de saúde de um indivíduo. Com a situação de pandemia ocasionada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), no Brasil, por exemplo, muitas pessoas não estão sendo testadas para saber se estão com a Covid-19. Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define que identificar o real número de infectados é uma importante medida de enfrentamento ao vírus. Devido à alta demanda, muitas empresas farmacêuticas correm contra o tempo para desenvolver métodos que sejam eficazes na identificação do diagnóstico.

Contudo, com tanta informação e novos procedimentos, o Ministério da Saúde (MS) resolveu esclarecer alguns critérios para a realização de exames, por meio do Guia de Vigilância Epidemiológica 2020. Nesse sentido, o método mais assertivo especificado na publicação é o RT-PCR, que utiliza a biologia molecular. No procedimento, uma amostra de secreção nasal e da garganta do paciente é levada ao laboratório para uma busca minuciosa pelo material genético do Sars-CoV-2.

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De acordo com a explicação do MS, “esses testes moleculares baseiam-se na detecção de sequências únicas de RNA viral, com confirmação por sequenciamento de ácidos nucleicos, quando necessário. Para o diagnóstico molecular de Covid-19, até o momento, os genes virais alvo do Sars-CoV-2 são: N, E, S e RdRP”.

O órgão ainda esclarece que “entre alguns protocolos existentes para detecção desses genes, o que tem sido adotado pela maior parte dos países e recomendado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) é o protocolo internacional desenvolvido pelo Instituto Charité/Berlim. Esse método tem sido amplamente utilizado por estabelecimentos de saúde pública e de saúde suplementar, incluindo laboratórios da rede privada e, até esse momento, é considerado o procedimento de referência em território nacional para confirmar a Covid-19”.

No entanto, apesar de ser considerado ‘padrão ouro’ para o diagnóstico, o RT-PCR pode se tornar um teste mais demorado, principalmente, se houver uma alta demanda de análises. No caso do Brasil, por exemplo, muitos exames estão parados, em decorrência da fila de testes a serem analisados. “Esse processo em laboratório demora oito horas, se não houver fila. Mas com uma demanda tão grande como a atual, a capacidade produtiva dos laboratórios está menor”, explicou o presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, em entrevista ao portal Saúde Abril. 

Nesse sentido, o professor e coordenador técnico do laboratório de hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ), Gustavo de Castro, explica, detalhadamente, como funciona a análise clínica realizada por meio do teste RT-PCR.

"Essa técnica é bastante complexa, envolve quatro fases: extração, desnaturação, anelamento e polimerização. Tudo isso é feito em um termociclador, que chega a 95º graus desses ciclos, depois resfria para 50º graus, para poder desnaturar. Em seguida, coloca-se os primers na fase de anelamento, essa fase que alinha esse material genético. Logo após, vai até 72º graus, aproximadamente são 30 ciclos para fazer a polimerização. Por fim, faz a amplificação, são aproximadamente 100 milhões de vezes em cada unidade dessas. Então, é um processo que demora bastante, porque é uma técnica de biologia molecular que usa ciclos de muito calor e baixas temperaturas. Então, esse procedimento é demorado, leva de 5 horas a 6 horas para cada resultado".

O farmacêutico bioquímico e professor do ICTQ, Rodolfo Fernandes, ainda completa explicando que a técnica de RT-PCR exige uma análise bastante específica: "São testes muito sensíveis, que precisam de equipamentos calibrados e de insumos bem específicos. Esse teste fica pronto em 24 horas, mas como há, atualmente, uma demanda muito grande esse prazo pode ser esticado por, em média, dez dias no Brasil".

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Os testes rápidos

Já os chamados testes rápidos, que também podem ser feitos a partir de secreção nasal e de garganta (mas são mais comuns com o sangue) apresentam uma solução para essa questão do tempo, pois, podem ser realizados em período recorde: entre 10 e 30 minutos. No entanto, nas ações de combate à pandemia, o MS ressalta que eles devem ser utilizados como uma ferramenta para o auxílio no diagnóstico da doença.

Os métodos dos testes rápidos buscam medir a presença de dois anticorpos no organismo: Imunoglobulina G (IgG) e Imunoglobulina M (IgM). Essas defesas surgem em resposta à presença do invasor (nesse caso, o coronavírus). O IgM é produzido na fase aguda da contaminação, já o IgG pode aparecer alguns dias depois, ele é mais específico e serve para proteger a pessoa de futuras infecções, permanecendo por toda a vida.

No guia, o órgão federal ainda enfatiza que, atualmente, em relação aos testes rápidos, o sistema de saúde só dispõe do ensaio imunocromatográfico para detecção rápida e qualitativa dos anticorpos IgG e IgM da Covid-19. Por isso, tanto os resultados negativos como positivos não podem excluir ou evidenciar a presença do vírus no corpo do paciente. O diagnóstico deve ser interpretado por um médico, com base no auxílio dos dados clínicos e outros exames laboratoriais.

Testes rápidos nas farmácias 

Fernandes explica que os testes rápidos podem ser realizados de maneira muito simples nas farmácias: “O teste é feito com uma gota de sangue e duas gotas de reagente, em torno de 10 minutos ele é realizado”, enfatiza. No entanto, o farmacêutico faz um alerta aos colegas de profissão, orientando que eles façam uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). “Nesses atendimentos o farmacêutico deve utilizar EPIs e equipamentos de proteção coletiva, justamente, para garantir sua segurança durante o atendimento ao paciente”. 

Já Castro ressalta que é importante os farmacêuticos conhecerem bem os testes, para que possam auxiliar o paciente na descoberta do diagnóstico: “[Os farmacêuticos] devem conhecer os testes, que são por imunocromatografia. Por exemplo, os testes IgG e IgM isolados têm menos eficácia do que os IgG e IgM associados no mesmo teste. É  importante também conhecer o período de melhor realização, de acordo com o aparecimento dos sintomas. Além disso, a interpretação também é essencial, que é feita por meio das técnicas de boas práticas de laboratório. Essa é a forma que o farmacêutico deve atuar na aplicação do teste rápido”.

Por fim, Fernandes destaca que os testes rápidos são muito importantes, no âmbito do atendimento ao paciente nas farmácias, pois, além de ser uma boa estratégia para não sobrecarregar o sistema de saúde hospitalar, o método também é eficaz como medida de contenção da proliferação do vírus. “Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a triagem [testes rápidos] fica em segundo lugar, depois do isolamento social, entre as estratégias para diminuir o número de casos da doença. Nesse ponto, o farmacêutico pode contribuir muito para auxiliar na identificação de diagnósticos positivos”, finaliza.

O Guia de Vigilância Epidemiológica 2020 completo pode ser acessado aqui.

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