Medicamentos contra hepatite C ajudam no combate à Covid-19

Medicamentos contra hepatite C ajudam no combate à Covid-19

Os antivirais daclastavir e sofosbuvir, utilizados no tratamento da hepatite C, apresentaram resultados promissores contra o novo coronavírus, de acordo com testes realizados em hospitais no Irã e em estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Pesquisa liderada pela Fiocruz indicou que esses medicamentos inibem a replicação do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em experimentos realizados com células. As experiências identificaram especialmente o potencial do daclastavir, que atuou contra o vírus em três diferentes linhagens celulares investigadas, além de reduzir a produção de substâncias inflamatórias associadas aos casos graves de Covid-19. Considerando a relevância do compartilhamento rápido de evidências científicas no contexto da pandemia, os achados foram publicados no site de pré-print bioRxiv.

O trabalho foi liderado pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz) em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), com participação dos Laboratórios de Imunofarmacologia e de Pesquisa sobre o Timo do IOC. Também colaboraram Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Universidade Iguaçu (Unig), Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inovação de Doenças de Populações Negligenciadas (INCT-IDPN) e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neuroimunomodulação (INCT-NIM).

Já os resultados de três testes clínicos realizados no Irã mostraram que 94% dos pacientes hospitalizados que foram tratados com uma combinação de sofosbuvir e daclastavir apresentaram níveis mais baixos de febre e passaram a respirar melhor em comparação com 70% dos pacientes do grupo de controle, segundo revelou o Financial Times.

A taxa de mortalidade entre os pacientes que receberam o tratamento experimental foi de apenas 5%, contra 20% do grupo de controle. A ação do sofosbuvir e do daclastavir, que são facilmente encontrados em todo o mundo como medicamento genérico, interfere diretamente na atividade do vírus. No estudo, conduzido em quatro hospitais universitários em três cidades iranianas, foi usado o sovodak, um medicamento que combina o sofosbuvir e o daclastavir.

Na pesquisa da Fiocruz, drogas bloquearam o vírus

Daclastavir e sofosbuvir atuam por diferentes mecanismos para inibir a replicação do vírus da hepatite C. Nos testes realizados pela Fiocruz com o novo coronavírus, o daclastavir impediu a produção de partículas virais infectivas em três linhagens celulares estudadas, incluindo células pulmonares humanas. As análises apontaram que o fármaco interrompeu a síntese do material genético viral, o que levou ao bloqueio da replicação do vírus. Em células de defesa infectadas, o fármaco também reduziu a produção de substâncias inflamatórias, que estão associadas a quadros de hiper-inflamação observados em casos graves de Covid-19.

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De acordo com os pesquisadores da Fiocruz, a ação do daclastavir sobre o novo coronavírus foi mais potente que a do sofosbuvir. Este último inibiu a replicação viral em linhagens de células humanas pulmonares e hepáticas, porém não apresentou efeito durante a infecção em células Vero, derivadas de rim de macaco e largamente utilizadas em estudos de virologia.

Os ensaios também compararam a ação com os efeitos de outros medicamentos. O daclastavir foi de 1,1 a 4 vezes mais eficiente do que a cloroquina e a combinação de lopinavir e ritonavir – fármacos que são alvo de ensaios clínicos para tratamento da Covid-19 – assim como a ribavirina, antiviral de amplo espectro usado em casos de hepatite. O medicamento superou ainda o atazanavir, usado na terapia do HIV, que foi testado anteriormente pelos cientistas.

Os autores do trabalho apontam ainda que os parâmetros farmacológicos do daclastavir contra o novo coronavírus mostraram-se compatíveis com a farmacocinética do medicamento em pacientes, o que reforça seu potencial para ensaios clínicos. “Esses resultados sugerem fortemente que o daclastavir, devido a seus efeitos anti-Sars-CoV-2 e anti-inflamatórios, pode trazer benefícios para pacientes com Covid-19”, pontua o líder do estudos, Thiago Moreno, do CDTS.

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Uso de substâncias conhecidas contribuem para avanço das pesquisas

O pesquisador do CDTS ressalta a importância de identificar compostos com ação sobre o novo coronavírus entre fármacos clinicamente aprovados para outras doenças. “O reposicionamento de medicamentos é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a maneira mais rápida de identificar candidatos ao tratamento da Covid-19. Considerando que os antivirais de ação direta contra o vírus da hepatite C estão entre os mais seguros, nossos resultados indicam que estes fármacos, em especial o daclastavir, são candidatos para a terapia, com potencial para ser imediatamente incorporados em ensaios clínicos”, afirma Moreno.

“Enquanto as medidas de quarentena e distanciamento físico buscam reduzir a transmissão da doença, é esperado que a administração precoce de antivirais melhore o quadro clínico dos pacientes infectados, reduzindo a ocorrência de casos graves da Covid-19. Para isso, é fundamental encontrar compostos efetivos e seguros que possam ser avaliados em testes clínicos”, acrescenta a chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC/Fiocruz e autora do artigo, Patrícia Bozza.

Os pesquisadores alertam ainda para os riscos da automedicação, destacando que os testes em pacientes são fundamentais para avaliar a eficácia de terapias e todas as pessoas com casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 devem procurar atendimento médico para orientação da terapia adequada.

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