Farmácia clínica de endocrinologia e metabologia

Farmácia clínica de endocrinologia e metabologia

A tendência por especialização no segmento farmacêutico tem disponibilizado no mercado profissionais mais capacitados e, consequentemente, mais valorizados, especialmente nas diversas vertentes da farmácia clínica, como é o caso da endocrinologia e metabolismo.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) indica que 50% da população estão com sobrepeso e obesidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que em 2025 haverá 2,3 bilhões de pessoas com sobrepeso e mais de 700 milhões de obesos.

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) fez uma estimativa em 2017, quando havia 12,5 milhões de portadores da doença no Brasil, que em 2045 esse número saltará para 20 milhões. A grande maioria dos portadores de diabetes, especialmente do tipo 2, estão com sobrepeso ou obesidade. Esse é considerado um importante problema de saúde pública, e o apoio do farmacêutico é essencial para esse enfrentamento.

“A endocrinologia é uma área médica na qual há o estudo das glândulas do nosso organismo e dos hormônios que são secretados por essas glândulas. A metabologia estuda o metabolismo, como ocorre e a influência no nosso organismo”, disse a professora da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Luciene Marques.

Ela afirma que são áreas consideradas recentes para a medicina, iniciado no Brasil em 1950, cujo primeiro título de especialista só foi alcançado em 1968. Na área do cuidado farmacêutico é mais recente ainda, mas muito promissora. Temos muito, ainda, a aprender para auxiliar nossos pacientes na prática clínica.

De acordo com o professor do ICTQ- Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Alípio de Oliveira do Carmo, a Farmácia Clínica de Endocrinologia e Metabologia, geralmente, é para acompanhar o uso da medicação, uma vez que muitas dessas doenças estão relacionadas ao uso do medicamento diário e frequente. O profissional tem que instruir o paciente para uma melhor adesão ao tratamento, orientá-lo sobre a dosagem e, em algumas situações, ajustar as doses em conjunto com o médico.

“Muitas vezes o paciente vai ao médico, que prescreve o medicamento para seis meses, e o paciente só retorna à consulta após esse intervalo, No entanto, todo mês ele vai à farmácia para comprar a medicação. Esse acompanhamento é importante por isso. Nós, da atenção farmacêutica, podemos orientar a medicação, o melhor horário, como tomá-la e se ela pode ser associada a outros medicamentos que o paciente esteja tomando”, explica Carmo.

O professor conta que a atenção farmacêutica em casos de doenças metabólicas e endocrinológicas é muito direcionada para o paciente já diagnosticado, à medicação e à melhor orientação desse processo. O farmacêutico fará um plano de estudo farmacoterapêutico, para que o paciente tenha menor efeito adverso e menor consequência em relação ao uso de determinado medicamento.

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Generalista versus especialista

Diferentemente da farmácia clínica, que dá uma formação generalista, a endócrino-metabólica é direcionada para uma especialidade. No dia a dia, cada vez mais, o farmacêutico precisa conhecer mais daquela área para atuar melhor. Ao entender a doença e que determinado paciente precisa de um cuidado especial, o tratamento tende a fluir com maior êxito.

“A especialização é importante para o desenvolvimento de habilidades e competências do farmacêutico em algumas áreas específicas de atuação, o que permite também a troca de experiências e contatos – networking. A tendência da profissão é que tenhamos os farmacêuticos especialistas em cada área de atuação, assim como os médicos e suas respectivas especialidades”, conta o professor do ICTQ, Rodolfo Fernandes.

Tal qual ocorre na farmácia hospitalar, vem se configurando a farmácia clínica. Atualmente, os hospitais possuem sua farmácia central e começou-se a criar as chamadas farmácias satélites, especializadas em determinada modalidade de atendimento. Há uma farmácia satélite dentro da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), outra dentro de um centro cirúrgico, por exemplo. Os profissionais que atuam nas satélites não precisam entender dos medicamentos de toda a instituição, mas necessitam conhecer muito bem aqueles direcionados para o que se propõem determinada farmácia satélite.

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Frentes de atuação do farmacêutico

“Quando propomos uma especialização como em Farmácia Clínica de Endocrinologia e Metabologia queremos agregar valor ao profissional. Essa é uma tendência muito forte no exterior e, com certeza, ganhará força brevemente no Brasil. Sou de uma teoria: as pessoas ficam preocupadas em ganhar dinheiro, mas o que vai te trazer dinheiro é quanto mais conhecimento você possuir. Se o farmacêutico entender da melhor forma possível os conhecimentos endócrino-metabólicos, melhor ele interagirá com o paciente, melhorando as condições desse indivíduo”, destacou Carmo.

A pedido do ICTQ, a professora Luciene listou as principais atuações do farmacêutico na Farmácia Clínica de Endocrinologia e Metabologia. A primeira delas é no manejo das reações adversas. Segundo ela, com o apoio do profissional é possível minimizá-las ou mesmo evitá-las. “Quantas vezes já deparamos pacientes que interromperam o tratamento por causa de uma reação adversa, sendo que ela poderia ser, facilmente, manejada pelo farmacêutico?”, questiona a professora.

Saber agir em caso de doenças concomitantes também é fundamental. O farmacêutico precisa avaliar o paciente para além da queixa inicial. Isso o levará a saber se ele tem predisposição a complicações. Nessa avaliação inclui-se a pressão arterial e os níveis de hormônios tireoidianos.

O hipotireoidismo é responsável por 30% das causas de hipercolesterolemia. Os hormônios tireoidianos são responsáveis por regular a expressão de receptores de LDL-C no fígado para serem catabolizados. Logo, um paciente com hipotireoidismo irá apresentar menor concentração de T3 e T4, resultando em menor quantidade de receptores de LDL-C e aumento do colesterol total.

“Outro papel muito importante do farmacêutico é em relação à adesão ao tratamento. Essa questão vai transitar por vários fatores. Temos fatores ligados ao paciente, ao medicamento que ele usa e ao prescritor, no entanto é importante que avaliemos essa adesão”, fala Luciene.

Ela continua: “Muitas vezes a falta de adesão é por desconhecimento, falta de orientação, por isso o paciente não adere adequadamente. É muito importante trabalhar a educação em saúde com esse paciente. Ele precisa conhecer a doença que ele tem, conhecer o medicamento que lhe foi prescrito”.

De acordo com Luciene, existem situações em quem mesmo o paciente tendo conhecimento ele não aceita e não utiliza o medicamento. É o que se chama de não-adesão voluntária. Em situações como essa, ao paciente é dado o direito de decidir sobre sua saúde e seu bem-estar, respeitando o Código de Ética Farmacêutica.

“Existe um tópico que diz que a partir do momento em que eu orientei, que esse paciente tem conhecimento sobre a sua doença e medicação, e faz uma escolha, eu preciso respeitá-la”, reitera Luciene.

Há ainda o papel do farmacêutico com relação às interações medicamentosas. Segundo ela, em teoria, a interação vai sempre existir, porém é função do profissional avaliar se ela pode ocorrer na prática.

Também cabe ao farmacêutico orientar o paciente com relação a cuidados específicos com o medicamento. No caso das insulinas, por exemplo, para o tratamento do diabetes, é necessário informar como armazenar, como fazer o transporte adequado em caso de viagem e como higienizar a insulina NPH.

“Parece incrível, mas, tenho uma experiência em um consultório farmacêutico onde a grande maioria dos pacientes são diabéticos e apresentam alguma comorbidade. Nós observamos que muitos armazenam de forma inadequada, muitos vão buscar a insulina e não levam uma caixinha de isopor, muitos aplicam a insulina de forma errada”, reflete a professora.

Pós-Graduação em Farmácia Clínica de Endocrinologia e Metabologia

Com o objetivo de capacitar os profissionais farmacêuticos para atuar como especialistas em endocrinologia e metabologia, o ICTQ lançou um programa de pós-graduação que habilitará os alunos no tema por meio do sistema digital (modalidade EaD), com metodologias ativas de ensino.

O curso terá início em 8 de setembro de 2020, com inscrições até 23 de agosto. O programa inclui temas como:

  • Metodologias de Atenção Farmacêutica;
  • Semiologia Farmacêutica e Anamnese na Avaliação Clínica;
  • Ética e Atendimento Farmacêutico;
  • Interpretação Clínica de Exames Laboratoriais;
  • Farmacocinética Clínica e Farmacodinâmica;
  • Fisiopatologia dos Distúrbios Endócrino-Metabólicos;
  • Fisiopatologia e Farmacoterapia: da dislipidemia, de diabetes, osteometabólicas, da tireoide, hipotalâmico-hipofisário, da obesidade e do sistema reprodutivo feminino e masculino;
  • Endocrinopatias na gravidez;
  • Atenção Clínica em Pacientes com distúrbios endócrinos e com distúrbios metabólicos;
  • Acompanhamento Farmacoterapêutico em Pacientes com Distúrbios Endócrino;
  • Farmacoepidemiologia;
  • Boas Práticas de Prescrição e Toxicologia Clínica; e
  • Interações Medicamentosas.

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