Aprovada resolução sobre atuação de farmacêuticos na terapia intensiva

Os farmacêuticos clínicos que trabalham em unidades de terapia intensiva já têm normativa específica que regulamenta suas atribuições. Atendendo à expectativa da classe, a Resolução sobre o tema foi aprovada na 487ª Reunião Plenária do Conselho Federal de Farmácia (CFF), realizada em 31 de outubro, na sede da entidade, em Brasília, com cobertura do jornalismo do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

Em entrevista exclusiva ao Portal de Conteúdo do ICTQ, o presidente do CFF, dr. Walter Jorge João, disse que essa nova resolução é de uma grande importância, pois é um novo mercado de trabalho e uma nova possibilidade para a profissão farmacêutica: “Eu acho que, ao regulamentar essa nova atribuição para o farmacêutico, nós estamos resguardando seu exercício profissional. Já tínhamos conhecimento de colegas atuando na área da UTI e, portanto, começamos a pensar na possibilidade de regulamentá-la. Eu tenho certeza de que, com essa normativa, surgirão outros colegas que já atuam nessa área, e isso vai abrir mercado para novos farmacêuticos”.

A unidade de terapia intensiva (UTI) é um centro clínico de alta complexidade, onde são utilizados medicamentos e materiais específicos e tecnologia avançada para prestar assistência integral ao paciente. Assim, a atuação do farmacêutico clínico intensivista garante o uso racional e seguro de medicamentos e a prevenção de eventos adversos na qualificação do cuidado e da segurança do paciente, considerando que ele é corresponsável pelos processos assistenciais ao paciente junto à equipe multiprofissional.

Por conta disso, a norma estabeleceu que o farmacêutico intensivista deve cumprir sua carga horária de trabalho em tempo integral, dedicado, exclusivamente, ao cuidado do paciente crítico na UTI. Assim, esse profissional não poderá dividir suas atividades com outras exercidas na farmácia ou outros locais dentro de hospitais e unidades de saúde.

“Naturalmente, essa resolução, mais para frente, pode exigir algumas melhorias e correções. O Conselho Federal sempre estará aberto para regulamentar essas novas atividades para a profissão. Isso é muito importante porque abre também possibilidade de se fazer cursos de especialização dessas novas atividades. Eu fiquei feliz porque, sistematicamente, nós pudemos regulamentar duas atribuições que, mais ou menos, caminham juntas, como a regulamentação da atividade do farmacêutico na questão da circulação extracorpórea e agora na UTI. São duas novas frentes de trabalho muito importantes para a profissão”, ressalta Jorge João.

As atribuições desse profissional relativas ao cuidado dos pacientes incluem:

- prevenção, monitoramento e intervenção em casos de incidentes associados aos medicamentos e à farmacoterapia;

- atuação integrada à equipe multiprofissional da UTI;

- elaboração de plano terapêutico;

- interface entre a unidade de terapia intensiva e a farmácia hospitalar;

- domínio do prontuário a fim de proceder à avaliação do paciente;

- elaboração da anamnese farmacêutica, incluindo a história da doença atual, comorbidades, hábitos de vida, alergias conhecidas, uso prévio de medicamentos e condições biopsicossociais do paciente;

- conciliação de medicamentos;

- promoção do uso adequado de medicamentos, nutrientes e de outros produtos para a saúde;

- identificação de interações medicamentosas e possíveis reações adversas a medicamentos (RAMs) no contexto da UTI, além de promoção de estratégias de prevenção e resolução;

- orientação de prescritores quanto ao ajuste de doses de medicamentos;

- solicitação de exames laboratoriais e a avaliação de seus resultados;

- visitação diária ao paciente com o objetivo de identificar as suas necessidades de saúde; e

- orientação de pacientes, cuidadores e demais membros da equipe de saúde quanto aos aspectos relacionados ao uso seguro dos medicamentos.

Grande conquista

“Podemos considerar uma grande conquista para o farmacêutico clínico intensivista, tendo em vista as diversificadas atribuições exercidas por ele. O nível de complexidade encontrado na UTI e o perfil do paciente que deve ter acompanhamento, pelo farmacêutico, diariamente requerem conhecimentos específicos e tempo hábil para suas atividades. Com essa Resolução, conseguimos fazer além do que preconiza a Resolução 7/10”, comentou o farmacêutico professor do ICTQ, dr. Edgar Viana.

A norma citada por ele dispõe sobre os requisitos mínimos para o funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e cita a assistência farmacêutica à beira do leito.

“Sobre a aprovação da resolução sobre a prática da UTI, eu considero um grande avanço da nossa profissão, pelo fato de que o farmacêutico está ganhando espaço entre as demais profissionais”, fala a farmacêutica, dra. Jaqueline Santana Santos, do Hospital dos Acidentados e Maternidade São Lucas/ UTI São Marcos, em Cacoal (RO).

Ela afirma que é de suma importância estar entre esses profissionais: “Isso porque, com a nossa presença, o paciente alcança uma terapia segura. Além disso, até a equipe multidisciplinar começa a ter conhecimento sobre a real necessidade do medicamento, lembrando que ele não é uma via de mão dupla, ou seja, ao administrar esse fármaco não há como ir lá e, simplesmente, retirá-lo do organismo de um individuo. Ele terá uma ação, podendo trazer transtornos à saúde. A resolução traz amparo para os profissionais”.

Foi Jaqueline quem montou a UTI naquela localidade. Ela afirma que foi um grande desafio, porque a equipe composta por outros farmacêuticos, enfermeiros e médicos passou um ano no seu planejamento e na contratação dos melhores profissionais para equipe, além de aparelhos de última geração. “A farmácia, por sua vez, como eu já fazia a parte clínica do Hospital, eu iniciei a realização dos POPs, a montar a rotina e a organizar a farmácia satélite da UTI”, relembra ela.

Dedicação exclusiva

Viana defende que, além de nortear as atividades clínicas para o farmacêutico na Unidade de Terapia Intensiva, a resolução intensifica o cumprimento da carga horária de trabalho em tempo integral, dedicado ao cuidado do paciente crítico, ressaltando a importância do profissional farmacêutico integrado às práticas assistenciais e inserindo, conjuntamente, a equipe multiprofissional.

“A norma preconiza, inclusive, a inserção de, no mínimo, um farmacêutico para até 15 pacientes críticos, podendo variar de acordo com a estrutura física e tecnológica de cada instituição e com a complexidade dos pacientes atendidos. Quantitativo este estabelecido para todos os outros profissionais intensivistas (variando de acordo com a função), que não existia para o farmacêutico”. Ele continua: “Com a necessidade da integralidade da carga horária de trabalho, novas oportunidades de empregabilidade tendem a surgir, agitando ainda mais o segmento hospitalar. Ressalta-se a necessidade da especialização lato sensu em farmácia clínica e aperfeiçoamento contínuo do profissional para sua inserção na área e para a progressão na carreira”.

Já Jaqueline não trabalha exclusivamente para a UTI. Embora ela considere correto, infelizmente, ainda não é a realidade na sua região, mas são avanços que devem ser perseguidos por ela e pela equipe daqui em diante.

“O benefício em ter um farmacêutico na equipe multiprofissional já é um avanço muito grande, porque ele é a ponte entre o paciente e a equipe médica. Eu consigo já deixar toda a equipe em alerta sobre as interações medicamentosas, observo se está acontecendo alguma reação adversa, verifico se as doses das drogas estão adequadas, baseadas na idade, peso, função renal e hepática de cada paciente”, destaca ela.

A sua experiência como farmacêutica atuante na UTI é muito importante. “Eu consigo entender melhor a história pregressa do paciente e suas comorbidades, faço a análise de prescrição, sugestões na terapia e análise de exames laboratoriais. Esses são os sinalizadores para a melhor terapia”, preconiza Jaqueline.

Reconciliação medicamentosa

Viana acredita que as atribuições listadas na Resolução incluem o processo inicial de reconciliação medicamentosa (avaliação do uso de medicamentos prévios à internação), a análise das prescrições (dose, posologia, aplicação terapêutica, interações, incompatibilidades), a avaliação dos exames laboratoriais, além da elaboração do plano de cuidados, entre outros. Todas essas atividades seguem o raciocínio clínico fundamentado na prevenção, identificação e intervenção, garantindo a segurança do paciente mediante o uso racional de medicamentos.

“O farmacêutico inserido na equipe multiprofissional permitirá a visibilidade do seu trabalho mediante o impacto de suas intervenções, que se darão de forma imediata por sua presença integral, otimizando a farmacoterapia segura, reduzindo a ocorrência de reações adversas e, consequentemente, adquirindo a confiança de toda a equipe, como também ampliando o acesso direto do farmacêutico ao paciente”, defende Viana.

O professor do ICTQ defende que a presença do farmacêutico nas visitas multiprofissionais (também denominadas rounds) e em reuniões diretas (hudlles) permite a atualização do quadro clínico do paciente foco da atenção. Nesses encontros, o profissional sugere e propõe substituições, ajustes e novas propostas farmacoterapêuticas, conforme o plano de cuidados. “A partir dessa resolução ganhamos o mesmo perfil de importância dos profissionais intensivistas já bem consolidados (médicos, enfermeiros e fisioterapeutas)”, comemora.   

Vale lembrar que essa nova Resolução reforça a atribuição clínica descrita na Resolução 585/13, referente à solicitação de exames laboratoriais, incluindo o monitoramento dos níveis séricos dos fármacos em tratamento, não sendo necessária a solicitação exclusiva por parte do profissional médico. “Sugere-se ampliar a comunicação entre os membros da equipe para que não ocorram duplicidades em solicitação de exames que impactam diretamente em custos tangíveis (valor do exame) e intangíveis (dor ao paciente). Outro fator importante é a constante atualização por parte do profissional farmacêutico, necessária à interpretação desses exames”, finaliza Viana.

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