Falta medicamento para sedação em hospitais

Falta medicamento para sedação em hospitais

Entidades alertam para a carência de medicamentos de sedação em hospitais. Segundo o levantamento, mais da metade dos Estados já acusam falta de pelo menos 11 sedativos, inclusive os que são utilizados para intubação em pacientes com complicações decorrentes do novo coronavírus.

O alerta foi dado pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Segundo a instituição, secretarias estaduais de saúde relataram ter dificuldade de abastecimento desses medicamentos nas últimas três semanas. Sem eles, a ventilação mecânica não pode ser feita de forma adequada e o paciente de Covid-19 corre maior risco de morrer.

Das 25 secretarias que responderam ao levantamento do Conselho, feito no começo de junho, 24 apontaram falta do bloqueador muscular, um dos medicamentos listados pela entidade, conforme divulgou a Folha. Ainda segundo a pesquisa, dos 13 medicamentos com desabastecimento relatado, ao menos 11 não são encontrados em mais da metade das secretarias.

De acordo com apuração do Estadão, já há investigações abertas em ao menos dois Estados (Rio e Amapá) para apurar óbitos de pacientes que não tiveram acesso a essas medicações. Segundo médicos e gestores ouvidos pelo jornal, a situação deve-se principalmente à crescente procura por esses medicamentos por causa do alto número de doentes que precisam ser intubados e do período longo de internação desses pacientes em UTIs.

“É um uso prolongado e geralmente é utilizada uma combinação de drogas de acordo com a gravidade e o objetivo. Todos ficaram falando do risco de colapso por ausência de leito, mas agora temos o risco da falta desses medicamentos essenciais para a sobrevivência do paciente”, revelou ao Estadão Ederlon Rezende, membro do conselho consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

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Secretarias da Saúde consultadas pelo Estadão informaram alta de mais de 700% na utilização desses medicamentos desde o início da pandemia. Em Alagoas, o número de doses utilizadas do relaxante muscular rocurônio subiu 787%. No Rio Grande do Norte, o aumento na utilização de anestésicos e betabloqueadores foi de 200%. No Pará, a alta foi de 100%

A Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) informou que também recebeu relatos, nas últimas duas semanas, apontando para a falta de sedativos. “Temos recebido informações de grandes redes que têm tido dificuldade de comprar esse tipo de medicamento”, afirmou à Folha o secretário-executivo da confederação, Bruno Sobral.

Segundo o secretário, a indústria se queixa do preço dos princípios ativos, a maioria importada, que subiu com o aumento do dólar e com a alta demanda mundial por esses tipos medicamentos. Nesse cenário, os fabricantes dizem que não estão conseguindo comprar e vender pelo preço estipulado.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêutico (Sindusfarma), Nelson Mussolini, os laboratórios estão trabalhando em máxima capacidade para dar conta da demanda e agora a produção está se normalizando. “Tivemos problema quando houve lockdown na Índia e estamos tendo dificuldades com frete internacional. O número de voos foi reduzido e o preço subiu. Antes pagávamos US$ 2 por quilo transportado e agora, US$ 15”, afirmou ao Estadão.

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Nos cálculos da CNSaúde, constam 17 tipos de sedativos em falta. “Os hospitais precisam desse medicamento porque não conseguem fazer a intubação sem eles. Faz-se um esforço enorme para criar leitos, comprar respiradores, e aí não consegue intubar?”, salientou Sobral.

O maior número de relatos de carência de sedativos, segundo levantamento da CNSaúde, vem do Norte e do Nordeste do País, regiões que ficam mais distantes dos grandes centros, particularmente São Paulo e Rio de Janeiro, por onde costumam chegar os insumos no Brasil. No entanto, mesmo nesses Estados há registro de falta do medicamento.

Segundo o Conass informou ao Estadão, foram enviados dois ofícios (14 e 29 de maio) ao Ministério da Saúde relatando o problema e solicitando auxílio do Governo aos Estados na relação com fornecedores. A maioria desses medicamentos é comprada diretamente pelos Estados e municípios ou pelos hospitais, mas as secretarias avaliam que uma intervenção do ministério junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e aos fabricantes pode facilitar a compra.

O Ministério da Saúde acabou respondendo ao Conass e afirmou ter iniciado adoção de medidas para regularizar os estoques desses medicamentos. Enquanto isso, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) elaborou uma relação de medicamentos que podem ser usados como alternativa.

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