As aventuras e desventuras de um farma há mais de 50 anos nas Análises Clínicas

As aventuras e desventuras de um farma há mais 50 anos nas Análises Clínicas

Não havia um espaço de exames laboratoriais em Brusque até o retorno de Heinz Willrich. O farmacêutico brusquense, filho de imigrantes alemães, viveu parte da sua vida em Florianópolis, onde aprendeu o ofício que o tornou pioneiro no ramo em sua cidade natal. Até hoje, aos 84 anos, ele trabalha nos laboratórios Heinz Willrich.

Adolescência em Florianópolis

Willrich nasceu em 5 de fevereiro de 1935 e foi criado no número 71 da rua Humaitá, atual rua Ewaldo Ristow, no Centro de Brusque. A maior parte de seus irmãos era operária, trabalhando junto com seu pai, Oscar Willrich, que era contramestre nas indústrias Schlösser, e depois de um tempo passou a trabalhar na Büettner.

“Deus deu o livre arbítrio às pessoas, e eu decidi que não seguiria o caminho dos meus irmãos. Eu queria ser rico, famoso e gozar a vida (risos), tinha um longo caminho para isso”, lembra.

O então futuro pioneiro estudou até o equivalente ao Ensino Fundamental em Brusque. Em 1952, com 17 anos, foi a Florianópolis. Seu pai não tinha condições de pagar uma pensão. No entanto, havia um inspetor escolar de Brusque, ao qual Willrich se refere como inspetor Coelho. “Era um conhecido da família, inspecionava algumas escolas, inclusive a Feliciano Pires, que era e é estadual”, explica.

O inspetor Coelho trabalhava na Secretaria de Educação e o nomeou ainda em 1952 como professor em uma escola supletiva na rua dos Ilhéus, no Centro, próxima à Praça XV. Ao concluir o chamado “curso normal”, equivalente ao Ensino Médio, no Instituto Dias Velho, estava qualificado a exercer a função, que era para alfabetizar adultos. Também fez o curso comercial, para depois prestar vestibular. Com o trabalho de professor, pôde pagar sua pensão sem precisar dos sacrifícios do pai.

“Minha intenção era cursar medicina. Mas quando vi a fila [de inscrição] de medicina, havia dezenas de candidatos por vaga. Imagina, treme a base, um alemão colono do interior, cheio de sotaque, que passava as férias todas na Guabiruba falando só alemão na casa dos Bartz, caçando pombinha. As pessoas nem conseguiam pronunciar meu nome”, conta.

A solução foi simples. A fila da farmácia era menor, e era um curso que tratava de química e saúde, dois campos que despertavam a atenção do brusquense. Uma infância repleta de enfermidades graves foi um dos motivos que levaram a este fascínio. “Em Brusque tinha muita malária. Tinha uma época que eu tinha malária toda semana, tremia de frio.”

Diferentemente do curso chamado “científico”, equivalente à escola técnica, o curso normal feito por Heinz Willrich não oferecia aulas de línguas. Então, para entrar na faculdade, ele precisou prestar uma prova, podendo escolher entre inglês e francês. “Em um radinho de cabeceira no quartinho da pensão em que eu morava, eu ligava a Rádio BBC, de Londres todas as noites quando ainda estudava o normal, para me acostumar com o inglês britânico, melhor para eu compreender. Isto me ajudou com a prova de inglês mais tarde.”

Ainda em Florianópolis, Willrich passou em um concurso e passou a trabalhar também fazendo o caixa do Serviço de Assistência da Previdência Social (Saps). Era uma espécie de mercado estatal de alimentos onde eram vendidos produtos para impedir a prática de preços abusivos por parte da iniciativa privada. Também passou pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Na época, houve um corte de nomeações no serviço público. Quando fui sair do Saps para ir ao IBGE, o pessoal do Saps me pediu para fazer o serviço de casa, porque não conseguiriam chamar outra pessoa. Aí juntei os trabalhos todos. Houve uma época em que tive quatro empregos. Professor na escola supletiva, empregado do Saps, do IBGE e professor na escola Irineu Bornhausen, no Estreito [bairro da parte continental de Florianópolis]”, comenta.

Retorno a Brusque

O diploma de Heinz Willrich na Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Catarina data de 1959. Até 1963, ele ainda fez alguns cursos em São Paulo, e conheceu diversos laboratórios farmacêuticos, inclusive fazendo um estágio em um laboratório de análises clínicas em Florianópolis.

Foi em 1963, no ano em que completou 28 anos, que ele comprou o laboratório de um bioquímico de Florianópolis, que desistiu por causa da concorrência. “Naquela época, os exames eram feitos com sais, com reativos, não havia a tecnologia de hoje. O único aparelho mesmo era um microscópio. Comprei um moderno, em Porto Alegre, ainda em 1963”, relata.

No mesmo ano, ele se muda para Brusque, para morar com os pais. Um prédio na avenida Lauro Müller, no Centro de Brusque, estava sendo construído por Germano Hoffmann, filho dos padrinhos de Willrich. “Pedi para ele fazer uma sala para meu laboratório nos fundos. Ele era médico, e era vantagem ter um laboratório no mesmo local de seu consultório”, lembra o farmacêutico. Estava iniciado o laboratório Heinz Willrich, o primeiro laboratório de análises clínicas de Brusque.

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O primeiro exame

No início, Heinz Willrich costumava fazer um exame por dia. Com tempo de sobra e inseguro por estar no início dos trabalhos sem nenhum auxílio de alguém mais experiente, chegava a conferir pelo menos três vezes os resultados.

O primeiro exame feito no laboratório Heinz Willrich foi o de gravidez. Na época, os exames eram feitos com sapos, que precisavam ser capturados pelo próprio pioneiro. Era coletada urina do sapo, que então era verificada em microscópio para detectar a presença de espermatozoides. Se não houvesse espermatozoides, o sapo estaria apto para o teste.

Então, 10 mililitros de urina da paciente eram filtrados e injetados na coxa do sapo, no saco linfático. Se a mulher estivesse grávida, o hormônio coriônico, que regula a gestação, estaria presente na urina e faria o anfíbio macho ejacular. Entre duas e três horas depois da injeção, se houvesse espermatozoides na urina do sapo, a paciente estaria grávida.

Posteriormente, chegaram ao Brasil os primeiros testes artificiais, importados da Holanda. “Quando consegui comprar estes testes, eu, macaco velho, desconfiei. Porque dava negativo no teste, e positivo no sapo. Eu fazia os dois. Isto voltava a acontecer. Peguei o telefone, liguei para a empresa que importava o reativo e falei ‘olha, meu amigo, aqui no teste de vocês, não está confirmando. No sapo dá positivo e no teste de vocês dá negativo'”, conta Willrich.

A resposta foi dada imediatamente, da maneira mais sincera possível. A alfândega reteve os testes no navio por alguns meses. O contato com o sol ajudou a estragá-los. “Foram sinceros. Mas imagina quantos no Brasil que não foram entregues nessas condições? Acabei levando mais tempo do que queria até aposentar os sapos.”

Com o tempo, exames de urina, fezes, colesterol e glicose também passaram a ser feitos. Passaram-se alguns anos até que a tecnologia pudesse ser utilizada a favor do laboratório. “Exames de glicose, por exemplo, eram feitos com quase dez padrões e a conclusão era tirada no ‘olhômetro’, mesmo, tudo manual. E resultados errados, como em um exame de glicose para um diabético, podem render processos e indenizações de R$ 100 mil”, afirma.

Perdas, evolução e outras atividades

Com o passar do tempo, vieram as inovações tecnológicas, e velhas técnicas ficaram apenas no passado. Diversos convênios parceiros foram importantes para que o laboratório se consolidasse, e se tornasse um dos mais renomados e tradicionais de Brusque e região, com unidades no bairro Águas Claras e no Centro de Guabiruba.

A enchente de 1984 destruiu boa parte do laboratório. Willrich conseguiu comprar a parte da frente de um terreno na rua Adriano Schaefer, onde conseguiu construir o laboratório que existe até hoje, e que posteriormente foi expandido.

“Mantenho o laboratório porque é minha vida. São mais de 50 anos trabalhando aqui, e ficar em casa não dá. Enquanto eu tiver capacidade, estarei aqui.” Apesar de sua vida ser no laboratório, Willrich desenvolve outras atividades, como a pintura e a música. Em 1985, de forma autodidata, aprendeu a tocar teclado, e passou a gravar diversos discos e CDs para que igrejas sem banda utilizem as canções em suas missas e cultos.

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