Vacinas contra Covid-19: farmacêutico revela rotina de trabalho em madrugadas para aprovação

Vacinas contra Covid-19: farmacêutico revela rotina de trabalho em madrugadas para aprovação

Em meio à pressão e xingamentos nas redes sociais e rotinas que varavam a madrugada, o gerente-geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, relatou, em entrevista à equipe do documentário A Corrida das Vacinas, da Globoplay, a tensão de ter de analisar os pedidos de uso emergencial dos imunizantes contra a Covid-19, conforme destacou o G1.

Mendes, que também é professor da pós-graduação de Assuntos Regulatórios do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, frisa que a análise emergencial das vacinas contra a Covid-19 é um processo extremamente técnico e complexo, porém esperado e acompanhado com ansiedade por milhões de brasileiros, o que provoca reações nem sempre amistosas na internet. “Aconteceu muito nas redes sociais, gente falando ‘libera’, ‘genocida’, ‘10 dias equivalem a 10 mil mortes’”.

O gerente explica no documentário a função da análise técnica da Anvisa e o motivo de não se poder simplesmente autorizar qualquer vacina para a qual se solicite distribuição no Brasil. “É aquela coisa: a pessoa sai de casa para tomar uma vacina. Ela sabe se realmente aquilo que tão aplicando nela é a vacina? Como se chegou à conclusão de que essa vacina vai funcionar? Alguém precisa fazer isso”.

“A Anvisa precisa verificar minuciosamente todo o processo dos testes clínicos. Desde as fases pré-clínicas até as fases de eficácia. É um trabalho meticuloso, extremamente técnico e que exige que a nossa agência seja soberana, que ela seja autônoma, que ela não sofra pressão política ou ideológica de qualquer tipo”, comenta a pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência Natalia Pasternak.

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A autorização de uso emergencial é uma ferramenta que não existia antes da pandemia, foi criada para dar agilidade à liberação das vacinas. “Tudo precisou ser construído. Quando teve a decisão de transmitir a decisão da área técnica, uma apresentação exaustiva, falei ‘ninguém vai aguentar ver’”, conta o gerente. A decisão da Anvisa sobre as vacinas de Oxford e Coronavac foi acompanhada por milhares de brasileiros ao vivo na TV.

Mendes, que desde 2003 trabalha na área de medicamentos e estudos clínicos da Anvisa, lembra da rotina estressante deste período. “Quando chegaram os pedidos de uso emergencial, aí que foi o auge. A gente criou um grupo de Whatsapp e foram 24 horas por dia trocando informações. Um ia dormir, outro começava a falar de um dado, de outro, revisando. Foi bem tenso”. “São umas 17 pessoas. Mandavam mensagens toda hora, 3 da manhã”.

Mas não apenas detratores do trabalho da Anvisa se manifestaram, conta o gerente no documentário. “Uma vez, uma senhora me parou e disse ‘Queria te agradecer. Foi Jesus que colocou você nesse lugar’”. Ele revela também como fez para aguentar a rotina. “A ioga e a meditação me ajudaram a entrar em contato comigo mesmo, uma quietude de poder lidar com essa pressão”.

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Em cinco episódios, o documentário – liderado pelo jornalista Álvaro Pereira Júnior, com roteiro de Anna Bernardoni, Nancy Dutra e Gabriel Mitani – mostra os bastidores do desenvolvimento dos imunizantes em todo o mundo, as reuniões tensas para compra das vacinas e a guerra política que transformou esse processo no Brasil.

A Corrida das Vacinas acompanhou também a ansiedade vivida pelos voluntários dos testes quando a eficácia das vacinas era apenas uma possibilidade. E a angústia do isolamento seguida da alegria vivida pelos primeiros que receberem a vacina após a constatação de sua eficácia.

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