ICTQ nos Estados Unidos fomenta troca de expertise com a farmácia brasileira

ICTQ nos Estados Unidos fomenta troca de expertise com a farmácia brasileira

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Com o objetivo de proporcionar conhecimento aos players do varejo farmacêutico brasileiro, o ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, realizou uma Missão Técnica nos Estados Unidos, com 44 empresários e farmacêuticos de todo o País. Foram quatro dias de curso e visitas aos gigantes do varejo americano, como Walgreens, Walmart e CVS, entre outras. No programa, os participantes puderam entender toda a dinâmica daquele país e conhecer a operação das farmácias com relação à regulamentação, operação, funcionamento, layout, dinâmica do mercado, e-commerce etc.

“O ponto alto dessa Missão Técnica foi perceber as grandes diferenças que existem entre o mercado norte-americano e o brasileiro. Como todos sabem, no Brasil a farmácia vende somente medicamentos, perfumaria, cosméticos e correlatos. Nos Estados Unidos vende-se de tudo na farmácia, desde cigarros, bebidas alcoólicas e tudo que se pode encontrar no mercado convencional, como chinelos, brindes, comida”, comenta o diretor Acadêmico do ICTQ, Ismael Rosa, que foi o responsável por levar a equipe da Unifabra a essa Missão, em Miami, nos Estados Unidos.

Com relação aos medicamentos, Rosa explica que os OTCs (medicamentos isentos de prescrição, do inglês, over-the-counter) são vendidos em qualquer farmácia ou supermercado, e chegam a ser considerados como suplementos vitamínicos. Há, naquelas redes, uma área destinada à farmácia, que é exclusivamente dedicada aos medicamentos de prescrição médica. É onde o farmacêutico faz todo o acompanhamento, analisa e avia a receita, faz o fracionamento do medicamento e o acompanhamento farmacoterapêutico.

“O serviço clínico é muito forte nos Estados Unidos. Os farmacêuticos fazem aplicação de vacinas e todos os serviços farmacêuticos que nós hoje estamos começando a fazer no Brasil. O farmacêutico é um dos profissionais mais respeitados do mercado. Hoje, nos Estados Unidos, o farmacêutico recém-formado recebe em torno de US$ 120 mil a US$ 130 mil por ano de salário (R$ 463 mil a R$ 501 mil ao ano). Isso significa dizer que ele recebe cerca de US$ 10 mil ao mês (R$ 38 mil)”, conta Rosa.

Os farmacêuticos são muito importantes para o sistema público de saúde americano porque a atenção primária e básica acontece dentro da farmácia, e isso diminui os custos com a internação e a não adesão à farmacoterapia. Todo o serviço clínico que o farmacêutico desenvolve naquele país gera importante impacto para o governo e para os planos de saúde, já que diminui os custos com saúde.

Algumas inovações

Além disso, Rosa comenta, também, a diferença do layout das lojas americanas, que é considerado inteligente e altamente eficiente. Cada farmácia possui um foco específico para diferentes tipos de público. “Pudemos conferir também as tecnologias utilizadas pelo varejo farmacêutico, por exemplo, nas prateleiras o cliente encontra tablets onde pode ir selecionando o produto ou medicamento que ele deseja. Ao tocar na tela, uma luz se acende, na própria prateleira, apontando o local onde o produto selecionado está localizado”, lembra ele.

Para o professor, Elcio Dal Belo Marques, que se encarregou de fornecer o conteúdo teórico durante a Missão Técnica, cada país tem sua própria dinâmica: “Entendendo as particularidades da legislação, um farmacêutico brasileiro não teria dificuldade de operar uma farmácia em nenhum mercado do mundo. Quando falamos da parte operacional, as grandes redes americanas trabalham, no dia a dia, com ferramentas que também temos no Brasil, como gerenciamento de categoria, segmentação por interesse do shopper etc”. Ele diz que o grupo chegou a presenciar, em uma unidade da CVS, um conceito de grandes magazines, o store in store. Tratava-se de um ambiente da rede de acessórios Claire’s dentro da CVS. Tudo isso foi feito para segmentar e atrair novos consumidores daquela marca, ligada aos jovens e adolescentes.

“Nosso País é continental, assim como os Estados Unidos. Eu acredito que nos próximos anos teremos um movimento na logística de medicamentos parecido com o que já existe hoje nos Estados Unidos, ou seja, mesmo as grandes redes de farmácias não investem mais em grandes centros de distribuição. Elas são atendidas loja a loja pelos distribuidores, como ABS, Cardinal e Mckesson. Acredito que esse é um movimento que vai baratear o custo de distribuir, e cada um ficará restrito na sua especialidade”, acredita Marques.

A dinâmica do projeto

Dos quatro dias da Missão Técnica, o primeiro foi destinado à imersão teórica para preparar os participantes sobre os principais conceitos a serem abordados na visitação, que ocorreu nos três dias seguintes. Esse período inicial foi importante para dar embasamento sobre os quesitos que foram vistos in loco pelos empresários.

“Investimos tempo de qualidade abordando todos os tópicos sobre as farmácias nos Estados Unidos, em sala de aula. Começamos com os aspectos históricos, produtos desenvolvidos nas farmácias, como a Coca-Cola, e chegando aos dias de hoje. Quando iniciamos as visitas nas farmácias, acompanhados sempre por profissionais das redes (na maioria dos casos farmacêuticos), o grupo já dominava toda a teoria e também já possuia conhecimento do posicionamento da rede. Isso aconteceu na Walgreens, Walmart, CVS e Good Neighbor Pharmacy”, lembra Marques.

O diretor da Rede Farmácia Nacional e presidente da Unifabra, Juarez Borges, comenta que o conteúdo foi muito bem planejado: “O evento contou com a participação da Service Farma, empresa de Consultoria especializada no Varejo Farmacêutico e Gestora da Unifabra. O trabalho em conjunto com o ICTQ foi determinante para a definição de um conteúdo perfeitamente alinhado com as necessidades das Redes”.

Para Borges, o conhecimento prévio sobre as redes americanas foi muito importante, pois cada participante pode entender melhor todos os aspectos relevantes da operação e principais números daquele mercado, além disso, serviu como base fundamental por antecipar as informações de cada empresa que foi visitada.

Já a farmacêutica e proprietária da Nicola Farmácias, Bruna Sousa Rosa, ressaltou que Missão Técnica é algo que enche de conhecimento, aprendizado e experiência: “Podemos ver, na prática, como certas estratégias de mercado se aplicam, assim como podemos trazer às nossas empresas estas mesmas estratégias, que fora daqui estão trazendo resultados positivos”.

Ela falou que toda a teoria aprendida a ajudou a entender a prática, ou seja, as duas se complementam e, juntas, tornam a missão além de um aprendizado, uma materialização do que foi falado. “De cara, percebemos que o varejo norte-americano é extremamente diferente do nosso. Seja pela legislação, pelos produtos vendidos, pela forma de trabalhar e pelos acordos trabalhistas. e isso está sendo avaliado, filtrado e, com certeza, será aplicado da forma mais rápida possível em nossa empresa”, disse Bruna.

Perfeita execução

Segundo Borges, as maiores diferenças que ele avaliou durante a visitação às redes estão associadas ao medicamento RX (modelo de subsídio, fracionamento, papel do farmacêutico etc.). “No restante, o que mais chamou a atenção não foram necessariamente as tecnologias ou processos, mas principalmente o foco do colaborador na execução. Muitas ideias serão trabalhadas pela Unifabra e por suas Redes, mas, de forma geral, o grupo entendeu fortemente a importância da perfeita execução”.

Ele afirma que o atendimento clínico do farmacêutico é extremamente importante, especialmente em um país com capacidade financeira e renda média exponencialmente maior que o Brasil. Também ficou evidente a importância desse profissional e o seu valor na cadeia. “Nas farmácias americanas, vincular um trabalho técnico e valorizado pelo cidadão (no que tange ao serviço clínico e dispensação de medicamentos) a uma política de abertura total na comercialização de outros produtos sem restrições é tudo que o Brasil precisa. Esse é o modelo que deve ser copiado, especialmente do ponto de vista da legislação brasileira”, defende o empresário.

Para Bruna, o que mais chamou sua atenção foi a relação entre empregador e empregado, já que não existe lei trabalhista, e tudo é feito mediante acordos. Além disso, ela destaca a tributação isenta dos medicamentos e a forma como os seguros e o governo pagam pelos medicamentos da população. Ela afirma que está adaptando alguns quesitos para implantá-los em suas farmácias. “Nós já mudamos nosso mix, estamos focando muito em produtos de conveniência e produtos diferenciados. Outros pontos são o layout de lojas, amplitude e design, que são coisas que queremos implantar”.

Bruna menciona o fato de se vender de tudo nas farmácias americanas: “Existe algo que posso definir como maturidade de consumo, em que as pessoas sabem que a farmácia vai ter saúde, cuidado e carinho, e que o fato de ter tudo nela, no autosserviço, não a tornará outra coisa, e não irá tirar dela a definição de estabelecimento de saúde”.

Ela ressalta os maiores impactos percebidos nessa Missão Técnica, que foi o mix, a variedade de produtos e a presença grandiosa de itens alimentícios e bebidas alcoólicas. Para ela, o conceito do autosserviço e, ao mesmo tempo, o posicionamento fortemente voltado para a saúde da população tornam o farmacêutico um profissional valorizado, essencial e respeitado. “Sem dúvida nenhuma, estes dois pontos foram, para mim, algo incrível de presenciar e de entender, mas principalmente a forma como eles conseguem unir tudo isso em negócios muito bem estruturados e rentáveis”, diz Bruna.

Marques concorda com Bruna, e acrescenta, dizendo que muitas redes no Brasil já entenderam isso e, atualmente, estão implementando nas farmácias esse novo papel para o farmacêutico. É um momento que exige dele novas habilidades, diferente do que se tinha até o momento. “Acredito que os farmacêuticos podem encontrar no ICTQ todo o suporte que precisam para se tornar profissionais mais ágeis e mais bem preparados para esse novo mercado. O futuro já chegou e cada um tem que escolher se fará parte disso ou não”.

Para finalizar a Missão Técnica aos Estados Unidos, foi lançado, no último dia do evento, a próxima edição para 2020, que irá acontecer na Europa, em Londres e em Paris. “Vai funcionar na mesma dinâmica que aconteceu nos Estados Unidos. Haverá tanto a parte teórica, como as visitações nas farmácias. O projeto já foi lançado e irá promover, ao longo deste ano, reuniões para poder definir alguns detalhes, mas já há a previsão para acontecer em abril de 2020”, revela o diretor do ICTQ.

Missão Técnica em Portugal

Em outra Missão Técnica, o aluno do ICTQ, que é analista de Farmacovigilância do Laboratório Teuto e atua diretamente com farmácia clínica, Bruno de Oliveira Jacinto, esteve na Escola de Inverno de Farmácia, em Portugal, com o tema central: A Farmácia Clínica com Foco na Segurança e na Qualidade. O evento ocorreu em março de 2019 e teve carga de 55 horas, divididas entre aulas, conferências e visitas técnicas, nas cidades do Porto e Coimbra (Portugal) e Santiago de Compostela (Espanha).

“O meu grande objetivo foi buscar atualização e adquirir aprendizado sobre a farmácia clínica comunitária e hospitalar, visto que esse conceito já se encontra consolidado na Europa”, comentou Jacinto.

O evento abordou alguns desafios da farmácia clínica, mas, principalmente, a grande discussão se deu na necessidade de colocar o paciente como o foco da farmácia clínica. Por exemplo, foram abordados temas como o desafio de medicar ou desmedicalizar o paciente. Segundo Jacinto, também foi apresentado o sistema português de saúde e as políticas públicas de saúde, além da profissão farmacêutica e da organização da farmácia comunitária em Portugal.

Nessa Missão, o que chamou sua atenção foi o fato de o governo regular a abertura das farmácias, impedindo que exista a formação das redes de farmácia, o que é muito diferente do cenário brasileiro. Outro aspecto relevante para Jacinto é que, em Portugal, os preceitos são obrigados a prescreverem segundo a Denominação Comum Internacional (DCI), dando ao paciente o poder de optar entre o medicamento genérico e o de referência.

“Eu não consigo traduzir, em palavras, o que o ICTQ fez ao viabilizar minha participação nesse evento. Sempre tive a certeza de que ninguém chega a lugar algum sozinho e, para realizar nossos sonhos, é necessário buscar parceiros que estejam alinhados com eles. Essa atitude do ICTQ demonstra a identidade da instituição, de ser arrojada, estar inserida nos debates atuais, pensar fora da caixa e, mais do que isso, ser uma ferramenta de qualificação do farmacêutico”, conclui Jacinto.

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