Bayer tenta reverter prejuízo de R$ 51,6 bilhões

Bayer tenta reverter prejuízo de R$ 51,6 bilhões

Se pudesse mudar alguma coisa em seus 157 anos de existência, provavelmente a Bayer não teria se aproximado da Monsanto e de seu famoso e controverso Roundup, herbicida à base de glifosato, que lhe gerou prejuízo de mais de US$ 9,6 bilhões (R$ 51,6 bilhões) apenas em acordos na Justiça dos Estados Unidos para encerrar processos judiciais acusando o agrotóxico de provocar câncer.

A resolução desse contencioso é relevante para os acionistas da companhia, que amargaram uma destruição de valor impressionante. Desde junho de 2018, quando a aquisição da Monsanto foi concluída (por US$ 63 bilhões – R$ 338,9 bilhões, a maior transação feita no exterior por uma empresa alemã), a Bayer perdeu € 41,3 bilhões (R$ 263,9 bilhões) em valor de mercado. As ações caíram 46,9% na bolsa de Frankfurt, revelou o Valor Econômico.

Mas, segundo o chefe global da área agrícola da Bayer, Liam Condon, a Bayer já firmou acordo com 70% dos litigantes. “Estamos trabalhando para encerrar os 30% restantes nos próximos meses”, revelou Condon ao jornal. A mediação do contencioso, que envolve cerca de 125 mil processos, está a cargo do especialista Kenneth Feinberg, advogado conhecido nos Estados Unidos por atuar nas indenizações às famílias das vítimas dos ataques de 11 de setembro e no vazamento de óleo no Golfo do México.

Desde que assumiu a Monsanto, a Bayer adotou medidas para reduzir o endividamento, como a recente venda da divisão de saúde animal à americana Elanco, por US$ 7,6 bilhões (R$ 40,9 bilhões). Graças a essa transação, a dívida líquida da Bayer diminuiu de € 36 bilhões (R$ 230 bilhões), em junho, para € 28,3 bilhões (R$ 180,8 bilhões), no final de setembro.

Absorvendo aos poucos o inesperado impacto bilionário da aquisição da Monsanto, a Bayer está mais perto de deixar a pior fase para trás, apurou o Valor. Com um programa agressivo para reduzir despesas, que inclui demissões, e a intenção de se desfazer de ativos não estratégicos, a empresa confia que os problemas herdados da gigante americana de sementes e agrotóxicos serão solucionados ao longo do próximo ano.

Liam Condon acredita que 2021 será um período de transição para o grupo, com um crescimento ainda lento. “A companhia está em meio a uma transformação, mas esperaria um crescimento significativamente mais forte nas três divisões [da empresa] em 2022”.

De janeiro a setembro, as vendas combinadas das três frentes de negócios da Bayer totalizaram € 31,4 bilhões (R$ 200,6 bilhões), redução de 4,2% ante igual intervalo do ano passado. Além da frente agrícola, a empresa separa a operação em outras duas divisões: a farmacêutica, pela qual a Bayer é mais conhecida e que representa 40% do faturamento, e Consumer Health, que abrange produtos nutricionais, dermatológicos, para alergia e resfriados, dentre outros.

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No entanto, a companhia terá de fazer mais esforços, apurou o Valor. No terceiro trimestre, a divisão agrícola foi a principal responsável pelo prejuízo de € 2,7 bilhões (R$ 17,3 bilhões) da Bayer no período. O grupo fez uma baixa contábil de mais de € 9 bilhões (R$ 57,5 bilhões) na divisão devido à menor taxa de crescimento esperada e do efeito contábil gerado pelo maior custo de capital e a desvalorização do real.

Nesse contexto, a Bayer comunicou ao mercado em setembro um plano de corte adicional de gastos anuais de cerca de € 1,5 bilhão (R$ 9,6 bilhões) até 2024. Esse valor se soma aos € 2,6 bilhões (R$ 16,6 bilhões) anuais previstos até 2022, segundo a companhia.

Além do corte de gastos, a venda de negócios não estratégicos, abaixo do nível divisional, está nos planos da Bayer. No começo de novembro, o Valor revelou que a Bayer colocou a fábrica Cancioneiro, em São Paulo, à venda. A unidade de hormônios femininos, como contraceptivos e pílulas de reposição hormonal, poderia ser avaliada entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões.

No processo de enxugamento dos prejuízos, a Bayer fará demissões, reconheceu o chefe da divisão da agrícola para o jornal. Sem dar detalhes sobre a operação, Condon revelou que o trabalho remoto, evidenciado na pandemia, poderá eliminar muitos postos administrativos. Atualmente, a Bayer emprega mais de 100 mil pessoas. Na divisão agrícola, são aproximadamente 40 mil.

“Ainda temos muitas posições administrativas e podemos acelerar a digitalização dos nossos negócios”, afirmou, ponderando que essa deve ser uma tônica em várias companhias do mundo. “A tendência é que várias funções de rotina deixem de existir. Em contrapartida, outras serão criadas, com ênfase em ciência de dados”, frisou o executivo.

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