Ministério da Ciência e Tecnologia desiste da hidroxicloroquina

Ministério da Ciência e Tecnologia desiste da hidroxicloroquina

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) revela que não vai continuar financiando estudo que testaria a hidroxicloroquina no tratamento de pacientes graves com Covid-19. De acordo com a pasta, a desistência é motivada por existir outra pesquisa em fase mais avançada.

O estudo clínico havia recebido anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 12 de maio e tinha como patrocinadora a Eurofarma, cuja atribuição seria o fornecimento da medicação. Segundo o MCTI, a desistência do estudo partiu da pesquisadora responsável, Patrícia Rocco, chefe do Laboratório de Investigação Pulmonar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Uma vez que teve ciência da existência de estudo semelhante, já em fase final, em que a eficácia e a segurança da hidroxicloroquina associada à azitromicina estão sendo avaliadas em pacientes adultos hospitalizados com pneumonia causada pela infecção do vírus SARSCoV2, e com o objetivo de melhor utilizar recursos públicos, a pesquisadora Patrícia Rocco decidiu não iniciar o novo estudo”, afirmou em nota o ministério.

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A proposta era testar um novo esquema terapêutico para falência respiratória aguda associada à pneumonia causada pelo coronavírus. O estudo citado pelo MCTI, semelhante ao que foi cancelado, está sendo realizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Intitulado “Avaliação da segurança e eficácia clínica da hidroxicloroquina associada à azitromicina em pacientes com pneumonia causada por infecção pelo vírus SARS-CoV-2”, a pesquisa está sendo coordenada pelo pesquisador Otávio Berwanger, do Einstein, no âmbito do grupo Coalizão Covid-19 Brasil.

“Entende-se, portanto, que os estudos conduzidos pelo grupo Coalizão Covid-19 e pela pesquisadora seriam semelhantes, abrangendo o mesmo perfil de participantes de pesquisa e avaliariam a taxa de mortalidade, a necessidade de oxigenação e a duração das hospitalizações, dentre outros desfechos que também se assemelham, como os aspectos de segurança”, explica o MCTI.

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Hidroxicloroquina vem perdendo terreno

Apesar de ter sido alçada à condição de panaceia para vencer a Covid-19, sobretudo para os governos dos Estados Unidos e do Brasil, a hidroxicloroquina vem amargando derrotas. Um órgão do próprio governo norte-americano, a Food and Drug Administration (FDA), agência que controla alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, determinou que “os critérios legais para a emissão de uma autorização para uso emergencial não são mais atendidos”. Com a revogação da autorização, para que o medicamento possa entrar no protocolo sanitário do país, os testes científicos completos terão de ser aguardados e o uso emergencial não será mais liberado.

A Anvisa também vem ampliando a cautela em relação à hidroxicloroquina. Segundo o site Jota, em resposta a procuradores do Ministério Público Federal (MPF), a área técnica da Agência informou que revisava os estudos aprovados com o uso do medicamento para tratamento da Covid-19. O objetivo era decidir se as pesquisas deveriam ser interrompidas por questões de segurança.

Mesmo sendo crítico do uso e da exposição que se fez da cloroquina e da hidroxicloroquina, o farmacêutico PhD em Farmacologia e professor do ICTQ, Thiago de Melo, diz que seus estudos devem continuar. “Essas substâncias são as que mais pesquisas estão em desenvolvimento – 224 ensaios clínicos. Eles devem prosseguir. Mas isso não significa que devemos sair distribuindo por aí. É preciso cautela, pois elas têm muitos efeitos colaterais, principalmente associadas à azitromicina, e sua eficácia contra a Covid-19 não foi comprovada”, afirma.

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