Máscaras acabam em farmácias, mas não protegem - entenda por que

Coronavírus: farmácias estão em crise de abastecimento de máscaras

Foi dada a largada para a corrida pela compra de máscaras de proteção contra o Covid-19 (coronavírus), no Brasil. O fato é que isso já causou a falta desses produtos nas farmácias, nas distribuidoras e nas indústrias, a exemplo do que já ocorreu em outros países. Os especialistas afirmam que a utilização das máscaras descartáveis é ineficiente como fator de proteção das pessoas saudáveis. Mesmo assim, se a prática fosse adotada seriam necessárias mais 600 milhões de unidades.

Vale lembrar que o primeiro caso do Covid-19 foi confirmado no País em 25 de fevereiro. É um homem de 61 anos, residente em São Paulo, que esteve no norte da Itália (na região da Lombardia), entre 9 e 21 de fevereiro. O fato é que a população já sabia que a entrada do vírus no País era apenas questão de tempo e, por precaução, já estava se abastecendo com estoque de máscaras e álcool gel. A partir da comprovação do infectado, o varejo já está contando com uma demanda ainda maior aos estabelecimentos para a aquisição desses produtos.

Bem, é inegável que outros casos serão confirmados por aqui. Mas, é possível se proteger? Quando se fala em doenças infecciosas e epidemias, o pneumologista e pesquisador do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Elie Fiss, falou à Saúde que o uso dessas máscaras só é recomendado para indivíduos que já estão doentes e não querem transmitir infeções para outras pessoas. “Entre as condições mais comuns, entram todos os tipos de micro-organismos que contaminam vias aéreas e pulmões, como adenovírus - causadores de resfriado, bronquite, pneumonia e conjuntivite, esta quando atinge os olhos - e o influenza, que provoca a gripe”.

Ele acredita que as máscaras cirúrgicas padrão são confeccionadas, sobretudo, para garantir o bloqueio de partículas e gotículas. Quando há infecção, acredita-se que as pequenas gotas não podem ser filtradas pelo item de proteção. Por serem descartáveis, ou seja, haver prazo de validade, passar um dia inteiro com uma, cuja superfície ficará infectada, pode trazer risco de contaminação para outras pessoas que estiverem ao redor.

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Por via das dúvidas, a corrida pela compra dessas máscaras já é um fato no Brasil, a exemplo do que aconteceu na China, Japão e outros países. Em coletiva à imprensa, realizada na manha de 26 de fevereiro, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmou que há mais 20 casos suspeitos no País, na Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo (com outros 11 casos suspeitos).

O ministro afirmou que as máscaras só são úteis para quem já está contaminado. Ele mencionou, durante a coletiva de imprensa, que já foi feita uma compra recorde de máscaras, que deverá atender ao serviço público.

Precisaremos de 600 milhões de máscaras

Segundo o professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Claudinei Santana, explicou que a máscara é mais útil para quem está infectado e não quer contaminar outras pessoas. “Para aqueles que querem se proteger, a máscara deve ser trocada três vezes ao dia, já que a umidade da respiração faz com que a proteção seja diminuída. Sendo assim, se toda a população quiser usar as máscaras, iremos precisar de 600 milhões de máscaras. Isso é inviável”.

Santana confirma que os melhores métodos de proteção são o álcool gel, a lavagem constante das mãos e evitar aglomerações.

Apesar das opiniões dos especialistas, a população já está se preparando e deve acabar com os estoques de máscaras. “Isso já está acontecendo. Logo que começou o problema com o coronavírus, bem antes do carnaval, nossa demanda por máscaras e álcool gel triplicou, tanto é que as máscaras estão em falta. Os fornecedores não estão conseguindo atender à demanda, principalmente da Drogaria São Paulo, e a procura está absurda. Álcool gel ainda tem, porque há muitos fornecedores. Mas as máscaras, geralmente, nós trabalhamos com a marca 3M, e já não há estoque”, falou o gerente de uma unidade da Drogaria São Paulo, A.B.M. (que não quis de identificar).

Ele contou que houve clientes que compraram 50 caixas de máscaras para ele, esposa, filhos e para levar para a empresa. “Posso te afirmar que isso está acontecendo na rede. Nós temos um sistema que nos dá acesso ao estoque de todas as lojas do Brasil, tanto da Drogaria São Paulo, como da Pacheco. O estoque está literalmente zerado em toda a Rede. Não há nem como fazer encomenda, porque no centro de distribuição o produto está indisponível”, contou o gerente. A equipe de jornalismo do ICTQ não conseguiu contato com o Grupo DSPS.

Para se ter ideia da extensão do problema, basta lembra que o órgão das Nações Unidas, a Unicef, enviou um comunicado, em 17 de fevereiro, para as empresas da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde pedindo informações sobre o nível de seus estoques de máscaras cirúrgicas, óculos e aventais. O órgão também pediu para levantar os preços dos produtos e está mapeando os fornecedores nos países onde atua para atender a uma possível demanda futura mundial.

Na primeira semana de fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o mundo enfrenta uma escassez de trajes, máscaras, luvas e outras formas de proteção contra o Covid-19, e assegurou que a organização enviará equipamentos para nações mais vulneráveis.

"Vamos identificar os gargalos, encontrar soluções e garantir equilíbrio na distribuição de equipamentos", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A agência de saúde da ONU pediu que os equipamentos sejam adquiridos apenas quando necessário e que profissionais da saúde de áreas de risco tenham o acesso garantido aos materiais: "Profissionais da saúde devem ter prioridade para receber estes materiais. Em segundo lugar estão os doentes e seus cuidadores", disse Ghebreyesus. "A OMS não encoraja que estas formas de proteção sejam adquiridas e estocada em países onde os riscos de transmissão são baixos".

O ministro da Saúde afirmou em coletiva de imprensa que já foi feita uma encomenda recorde de máscaras, que deverá atender ao serviço público.

Preços exorbitantes

Os preços também estão subindo. Nas farmácias de rede pesquisadas pelo jornalismo do ICTQ, em São Paulo, não havia estoque de máscaras descartáveis e nem mesmo do modelo N95, mais reforçado e mais caro (parecido com um bico de pato). Pelos sites dos varejistas, os preços das caixas com 50 unidades variam entre R$ 35,00 e R$ 56,00. Já as mais reforçadas variam de R$ 8,00 a R$ 26,00.

De acordo com pesquisa feita pelo Diário do Nordeste, há um nítido aumento dos preços. As descartáveis variam entre R$ 17,90 e R$ 50 a caixa com 50 unidades, uma variação de 179,33%. Já as N95 vão de R$ 11,95 até R$ 35 a unidade, quando o preço inicial era R$ 6. Uma variação de 483,33%.

Já o coordenador comercial da ProtDesc, empresa produtora de máscaras sediada em Santa Bárbara d’Oeste (SP), Cezar Pedro, afirmou ao Valor que os preços das máscaras praticamente dobraram no mercado brasileiro no último mês, passando da média de R$ 15,00 a caixa com 50 unidades para R$ 30,00. “Em algumas cidades é possível encontrar preços exorbitantes, na faixa de R$ 100,00”.

O jornalismo do ICTQ procurou o Grupo Dimed, que compõem a Dimed Distribuidora e a Rede Panvel, mas ele não quis se pronunciar sobre o assunto. A Distribuidora Santa Cruz informou que não trabalha com esse tipo de máscara descartável. A Distribuidora Servimed não se pronunciou sobre a pauta até o momento o fechamento.

Já o Grupo Raia/Drogasil está produzindo um material exclusivo sobre o tema, mas não houve tempo de finalizá-lo. Logo que a Rede disponibilizar novas informações, esta matéria será atualizada.

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