Farmacêutico é um peso burocrático para farmácias?

Farmacêutico é um peso burocrático para farmácias?

Há um mote que ventila entre os empresários do setor de que o farmacêutico representa um pesado e desnecessário custo operacional para o negócio, principalmente, para o varejo. Isso porque sua presença é obrigatória e as questões burocráticas em que ele se envolve também atendem às exigências da lei. A alegação é que qualquer outro profissional poderia exercer essa atividade. De quem é a culpa? A questão é muito complexa, porém, em tese, grande parte dessa culpa é daquele gestor que não aproveita as competências desse profissional em sua plenitude.

Os especialistas no assunto afirmam que a atenção farmacêutica, feita por profissionais altamente qualificados, proporciona significativo valor ao negócio, na medida em que fideliza o cliente (aumentando o faturamento) e reduz custos, tornando o farmacêutico fundamental na estratégia de um negócio em saúde.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou, em 1997, um documento denominado O papel do farmacêutico no sistema de atenção à saúde (do inglês, The role of the pharmacist in the health care system), em que se destacam sete qualidades que o profissional deve apresentar. Assim, o Farmacêutico 7 Estrelas é aquele: 

  1. Prestador de serviços farmacêuticos em uma equipe de saúde
  2. Capaz de tomar decisões
  3. Comunicador
  4. Líder
  5. Gerente
  6. Atualizado permanentemente
  7. Educador 

O farmacêutico é o profissional que reúne melhores condições para orientar o paciente sobre o uso correto dos medicamentos, esclarecendo dúvidas e favorecendo a adesão e sucesso do tratamento prescrito. Ele deve sempre buscar conhecimento em sua área de atuação, priorizando as doenças mais prevalentes como hipertensão arterial, diabetes, problemas respiratórios, saúde da mulher e do homem. Além disso, precisa verificar em sua farmácia qual o perfil dos clientes e estudá-lo para que o atendimento seja feito com segurança e assertividade, facilitando também a fidelização.

Atenção Farmacêutica

Nos Estados Unidos, a perda do papel do farmacêutico nas farmácias após a industrialização foi solucionada no âmbito hospitalar por meio de uma nova disciplina que pretendia resgatar a participação do farmacêutico na equipe de saúde, a chamada Farmácia Clínica. O código de ética da American Pharmacists Association (AphA), de 1952, estabelecia que os farmacêuticos não podiam discutir os efeitos terapêuticos dos medicamentos com os pacientes e que deveriam encaminhá-los ao médico ou dentista, caso houvesse alguma dúvida, acabando, de vez, com o poder que esses profissionais detinham sobre o uso dos medicamentos.  

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Dessa forma, os farmacêuticos comunitários se limitavam a comprar e vender medicamentos, sem poder interferir na terapêutica. No entanto, os que atuavam em ambiente hospitalar realizavam outras atividades variadas, como a distribuição dentro da instituição e a participação na Comissão de Farmácia e Terapêutica. Assim, eles resistiram à influência da indústria e dos médicos sobre o uso dos medicamentos e garantiram à farmácia uma voz na decisão terapêutica.

Atualmente, o conceito de farmácia clínica é bem mais abrangente e tem evoluído até incluir todas as atividades relacionadas ao uso racional e seguro do medicamento, além da consulta farmacêutica, acompanhamento farmacoterapêutico e seus desdobramentos.

É comprovado que essa estratégia melhora a saúde do paciente, reduz os problemas relacionados ao uso de medicamentos, facilita a comunicação com o profissional farmacêutico, esclarece dúvidas, aumenta a confiança na exposição de problemas, acresce a segurança e eficácia no tratamento e proporciona a fidelização, com aumento de faturamento e redução de curtos.

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Papel estratégico

De acordo com a farmacêutica e diretora Técnica da Pharmapele – considerada a maior rede de farmácia de manipulação do Brasil, Luísa Saldanha, o farmacêutico é capacitado para ter uma visão completa e crítica em relação ao mecanismo de ação dos fármacos, sua atuação é imprescindível na dispensação de medicamentos evitando, assim, o uso irracional.

“Atrelado a isso, existe a atenção farmacêutica que vem a acompanhar o cenário social e psicológico do paciente para que o tratamento tenha o resultado esperado. A farmácia, por ser um estabelecimento de fácil acesso, atribui maior responsabilidade ao farmacêutico no sentido de promover ações voltadas para o âmbito comercial e promoção da saúde”, diz Luísa.

A diretora listou ao ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, as seguintes ações de responsabilidade do farmacêutico e que o fazem essencial para o processo e para o sucesso empresarial:

  • Desenvolver ações para promoção da saúde e prevenção de doenças;
  • Identificar e analisar incidentes relacionados aos medicamentos e a outros problemas relacionados à farmacoterapia;
  • Identificar, avaliar e intervir nas interações medicamentosas indesejadas;
  • Realizar anamnese e prescrição farmacêutica de acordo com a legislação vigente; e
  • Participar do planejamento e da avaliação da farmacoterapia.

Segundo Luísa, por esses motivos é que a atuação farmacêutica se tornou indispensável para a sociedade, pois, esse profissional auxilia na redução da morbidade e, consequentemente, da mortalidade relacionada ao uso indevido e inadequado dos medicamentos. O farmacêutico é essencial aos negócios, pois, a capacidade de impulsionar a promoção primária da saúde é indispensável.

O farmacêutico e seu valor

Para o headhunter for Healthcare & Life Sciences, da CORE Executive, Raphael Revert, em princípio quando imagina-se todo e qualquer negócio em saúde na atualidade é impossível não pensar em equipes multidisciplinares por meio da unificação de diferentes tipos de conhecimento para a construção de um resultado mais robusto.

“Apesar de ser um tema já bem discutido e bem consolidado, começamos a pensar diretamente sobre a cadeia de valor farmacêutica. Usando primeiro a lógica simples, estamos falando do profissional farmacêutico e também parece óbvio que ele deve fazer parte desse processo, mas isso seria só uma lógica semântica e, então, nós podemos começar a pensar onde estão as competências e as características desse profissional que fazem com que ele, de fato, aporte valor para um negócio”, fala Revert.

O farmacêutico tem como principal carga em sua característica a gestão de processos como um ponto importante, além da racionalização das etapas desses processos. É isso que, segundo Revert, ele traz como marca na unificação do conhecimento, tanto químico como biológico, que se integra na descrição farmacêutica.

As relações dentro dos mercados estão ficando cada vez mais complexas, não só porque há produtos mais complexos dentro de sistemas e processos (desde a sua manufatura, processo de pesquisa, distribuição e comercialização), mas porque esses produtos estão cada vez mais robustos. Por conta disso, eles exigem conhecimento para esse processo de comercialização e relação entre as partes, do mesmo modo que a interação com o paciente também tem demandado mais das companhias. E o farmacêutico é o elemento de ligação nessa ciência.

“Ter um especialista dentro desse processo é fundamental. Agora, não adianta termos um especialista que não consegue se preparar e acompanhar as novidades. Trazendo para um exemplo concreto, hoje a forma como as pequenas e médias redes conseguem sobreviver - ou deveriam conseguir sobreviver - é o processo de atenção farmacêutica, com o qual um profissional muito bem treinado, tendo a sua graduação e a sua especialização, mantendo-se atualizado nesse processo, consegue fidelizar o cliente dentro daquele estabelecimento”, destaca o executivo.

Além da farmácia e drogaria

De acordo com Revert, o farmacêutico é importante na indústria, onde ele tem diversas áreas de atuação – desde o processo produtivo, no controle de qualidade, na garantia, em assuntos regulatórios, até mesmo nas áreas comerciais e realizando atividades como emissão, como representante. “E quantos eu tenho conhecido, que são profissionais cumprindo, em tese, o que nem seria da competência clássica do farmacêutico, como atuar em uma área comercial, mas que agregam muito na negociação por terem escopo técnico, por terem conhecimento do produto, tanto na venda ou na divulgação do conceito”, chama a atenção o executivo.

Da necessidade por esse profissional

Revert, portanto, destaca duas frentes importantes na farmácia e que fazem do farmacêutico profissional de atuação ímpar e indispensável. Na indústria - em todo processo de distribuição, e no setor hospitalar, agregando e mostrando como se pode utilizar um medicamento de forma mais racional, pensando no desfecho do paciente. Assim, quanto melhor for o desfecho maior será o resultado, não só para a companhia - em seu processo de fidelização e de redução de seus custos -, mas no âmbito de melhora de seus resultados como um todo.

“Se estivermos falando de uma empresa olhando para seus próprios resultados, temos motivos estratégicos para que o profissional farmacêutico seja incorporado dentro da sua estrutura e que ganhe, cada vez mais, importância nessa cadeia de valor. Quando falamos por outro lado, de uma companhia que tem o objetivo de olhar para o desfecho do paciente, para o bem-estar e para a promoção da saúde, temos a necessidade do farmacêutico como um dos profissionais na sua equipe multidisciplinar, garantindo que, mesmo com os produtos cada vez mais complexos que se tem hoje recebido, sejam de fato bem manipulados e que entreguemos o melhor desfecho para o paciente”, afirma Revert.

Em entrevista exclusiva para o ICTQ, Revert fez questão de ressaltar um ponto que ele sempre aborda em aulas e palestras que ministra, o conceito da OMS e citado no início deste texto, do Farmacêutico 7 Estrelas.

“Para mim, é obvio que para cumprir todas essas etapas é fundamental um profissional atualizado e que busque e se mantenha buscando, cada vez mais, novas competências, um MBA, uma complementação de graduação, um curso de extensão e uma pós-graduação. Só o conhecimento não é suficiente, existe a necessidade de colocá-lo em prática para treinar suas habilidades. O papel do farmacêutico é fundamental na estratégia de um negócio em saúde. Isso quem diz é a OMS. Se não há essa visão em uma companhia de saúde significa que estamos atrasados em mais de 30 anos”, finaliza o executivo.

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