Vendas de medicamentos sem comprovação de eficácia contra Covid-19 disparam no Brasil

Vendas de medicamentos sem eficácia contra Covid-19 disparam no Brasil

Em 2020, a comercialização dos medicamentos que compõem o chamado ‘kit-Covid’ subiu exponencialmente no Brasil, com destaque para a ivermectina, que saltou 557,30% e a hidroxicloroquina, com 110,30%, em relação a 2019.

Atrelado a esse crescimento, há outros indicadores alarmantes apurados em uma plataforma digital utilizada por médicos para preencher receitas. O número de profissionais nessa plataforma praticamente dobrou, e, ao mesmo tempo, as prescrições de medicamentos do kit-Covid aumentaram muito mais.

Como por exemplo, as de hidroxicloroquina, cresceram 800% e de ivermectina, 2000%, em comparação ao ano anterior. Os dados são do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

No entanto, cabe reforçar que esses fármacos não têm eficácia comprovada no combate ao coronavírus, pelo contrário, seu uso é desaconselhado pelas agências sanitárias e, há casos de pacientes apresentando efeitos colaterais, complicações na saúde e até mesmo mortes decorridas do uso excessivo desses medicamentos.

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Entre os casos mais recentes, no Rio Grande do Sul, a polícia civil, o Ministério Público e o Conselho Regional de Medicina estão investigando as mortes de três pacientes que se submeteram à nebulização com um desses fármacos.

Enquanto isso, em São Paulo, há, pelo menos, 2 mortes sob suspeita do uso desses medicamentos e cinco pacientes estão na fila de transplante de fígado. O motivo? Eles contraíram hepatite medicamentosa devido à intoxicação dos órgãos com o excesso de um, ou mais produtos do kit-Covid.

Ainda em SP, nesta quinta (25/03), a Sociedade Paulista de Pneumologia publicou um alerta para que médicos não façam nebulização com cloroquina. A entidade reforçou que eles não funcionam contra a doença e é “certamente danosa ao já combalido sistema respiratório do paciente”.

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Farmacêuticos sob pressão

Os alertas, estudos e recomendações para não utilizar esses produtos contra a Covid-19 não estão surtindo efeito. O que se vê é o disparo das prescrições nos últimos meses.

Nos balcões das farmácias, há relatos de farmacêuticos que tentam orientar os pacientes que apresentam prescrições desse tipo. Eles tentam informar os riscos e dizer que não fazem parte de um tratamento precoce. Contudo, muitas das vezes, esses profissionais são rechaçados pelo consumidor.

O farmacêutico Victor Napomuceno relatou, em entrevista ao Jornal Nacional, uma das situações que já vivenciou ao tentar alertar uma paciente.

“Uma cliente veio com a prescrição, totalmente inadmissível uma prescrição daquela. Na hora que eu fui orientá-la sobre o caso da azitromicina, ela simplesmente disse para mim: ‘Você não sabe o que você está falando, isso é protocolo da Covid-19, olha aqui’. E jogou a receita na minha cara. Ela me disse que o médico era um familiar dela e que eu deveria me pôr no meu lugar, que eu não sabia do que eu estava falando”, contou Napomuceno.

Mesmo com essa pressão, de acordo com a coordenadora acadêmica do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, e especialista em farmácia clínica e prescrição farmacêutica, Juliana Cardoso, cabe ao farmacêutico fazer a devida orientação ao paciente, esclarecer sobre o uso do medicamento e suas complicações à saúde  

A coordenadora lembra que o uso indiscriminado desses produtos, na falha tentativa de prevenção à Covid-19 ou na de aliviar os sintomas da doença, tem contribuído para a automedicação e o uso abusivo dessas drogas que, falsamente interferem na infecção ao coronavírus.

Ela reforça as consequências que os fármacos podem acarretar à saúde, trazendo complicações graves ao paciente.

“Além de efeitos colaterais, que são efeitos diferentes daqueles considerados como principal por um fármaco, o indivíduo se expõe a uma chance de reação adversa, que se caracteriza como qualquer resposta prejudicial ou indesejável, não intencional, a um medicamento. Além dessas ações indesejáveis, os pacientes ainda se expõe ao risco de intoxicações, insuficiências hepáticas e até mesmo hepatite medicamentosa, que é uma grave inflamação do fígado causada pelo uso prolongado de medicamentos”, explicou.

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