Droga Raia enfrenta segunda pandemia de sua história centenária

Droga Raia enfrenta segunda pandemia de sua história centenária

Na primeira pandemia de sua história – a da gripe espanhola – a Pharmacia Raia manteve suas portas abertas 24 horas para atender seus pacientes. Mais de cem anos depois, e uma nova pandemia no currículo, a empresa tornou-se uma rede nacional com 2.303 estabelecimentos distribuídos por 23 estados e 40 mil funcionários, revelou a Folha.

Em 1918, quando a gripe espanhola que acometeu o mundo chegou ao território brasileiro, as farmácias se tornaram redutos de esperança para as vítimas. A Pharmacia Raia tinha 13 anos – havia sido fundada pelo imigrante italiano João Baptista Raia em 1905, em Araraquara (SP).

Nessa época, os farmacêuticos eram reverenciados pela sociedade por seus conhecimentos no trato de enfermidades e na manipulação de fórmulas curativas. Ao construir seu negócio, Baptista Raia foi além – adotou um padrão diferenciado de atendimento.

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Prestativo e meticuloso com as prescrições, logo conquistou uma clientela fiel na região. Essa proximidade fez com Baptista decidisse manter as portas abertas dia e noite durante a pandemia, numa visível dedicação às necessidades dos clientes.

Passados mais de 100 anos, as preciosas lições e providências aprendidas naquele tempo ainda são úteis nestes dias de pandemia, de acordo com o engenheiro e empresário Antônio Carlos Pipponzi, neto do fundador, que hoje é o controlador e presidente do conselho da Raia Drogasil.

“Os médicos davam as receitas e aconselhavam: ‘É melhor aviar na Raia’. Significava confiança, símbolo de excelência”, afirmou à Folha o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, que desde a infância em Araraquara frequentou a loja. “Lembro-me de que existiam farmácias grandes no centro da cidade, mas o respeito para com a Raia superava tudo. Tinha se tornado uma marca referencial”, afirma o escritor no livro Droga Raia Cem Anos.

Ao longo dos anos, o negócio se expandiu. Piracicaba e Araçatuba ganharam as primeiras filiais nos anos de 1930. “Meu avô tinha um olhar intuitivo e a ideia pioneira de criar uma rede de farmácias”, frisou Pipponzi. Na década seguinte, surgiram lojas em Marília e em Campo Grande (MS).

Tal como ocorreu com a maioria das empresas brasileiras que resistiram ao passar do tempo, a Raia foi mais desafiada pelas ciclotimias da economia e menos pelo principal fator de risco de mortandade empresarial, que são as crises sucessórias. Hoje se tornou o maior grupo varejista do ramo no Brasil. São 2.303 lojas em 23 estados, 40 mil funcionários e receita bruta de R$ 21,2 bilhões em 2020.

Um dos segredos que explica a ascensão da Raia, segundo Pipponzi, foi cultivar princípios legados pelo fundador no que diz respeito ao relacionamento centrado nos clientes, combinado com o uso intensivo de tecnologia para acompanhar as mudanças de hábitos de consumidores, assim como promover economias significativas em seus processos internos.

Um exemplo expressivo dessa prática foi a revolução representada pela informatização dos controles de estoques, adotada ainda nos anos 1980. Esse avanço solucionou um problema crítico enfrentado pela terceira geração, já com Antonio Carlos Pipponzi e seus irmãos à frente da empresa – dinheiro imobilizado em estoques volumosos para abastecer a rede durante 60 dias.

Antes da mudança de procedimento, os controles eram imprecisos e inexistiam ferramentas que indicassem os produtos com maior ou menor saída em cada filial. O processo, concluído em 1983, conferiu eficiência à logística de compra e distribuição liberando capital para a expansão crescente da rede. Na mesma década a companhia substituiu as velhas caixas registradoras por terminais de ponto de venda, o que contribuiu para reduzir ainda mais o nível de produtos em falta nas lojas.

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Desde então o uso de tecnologia tornou-se rotineiro, assim como pesquisas refinadas. Antes de abrir um novo ponto de venda, a empresa investiga a faixa etária e os hábitos de compras dos moradores do bairro ou região. Dessa forma, consegue compor as prateleiras com marcas e produtos adequados.

“A nova farmácia será cada vez mais digital, um centro para cuidados da saúde dos clientes”, contou ao jornal o presidente da Raia Drogasil, Marcilio Pousada. No ano passado, a venda de produtos por meio do ecommerce quadruplicaram e atingiram R$ 1,2 bilhão.

Um ano após Droga Raia abrir seu capital, em 2011, a empresa se uniu com outra grande rede, a Drogasil. Apesar da crise, no ano passado, o tíquete médio de compras subiu 19,2%. Na Raia Drogasil, as vendas do comércio eletrônico quadruplicaram e atingiram R$ 1,2 bi.

Mas a empresa não deixou de lado as lojas físicas. Foram inaugurados 240 estabelecimentos em 2020 e outros 240 serão abertos neste ano, de acordo com o presidente. Os planos contemplam uma expansão também verticalizada com serviços como vacinação contra gripe e testes de glicemia. Além disso, um marketplace deve ampliar a oferta de produtos para 13 mil itens, sendo 9 mil deles no site e aplicativo.

Para o farmacêutico e professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rafael Poloni, as farmácias ganharam profissionalismo e se tornaram grandes empresas. Mas o farmacêutico continua sendo o diferencial do negócio.

“O farmacêutico já foi muito mais próximo ao paciente, quando era tratado como cuidador de muitas famílias. Hoje, temos a oportunidade de nos reaproximar dos pacientes, com os serviços farmacêuticos e orientação dos pacientes acerca de medicamentos e temas da saúde. O farmacêutico é o profissional com maior contato com o paciente, que passa mais tempo com ele, orientando-o e colaborando com a melhoria da sua qualidade de vida”, frisa Poloni.

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