Farmacoterapia e fisiopatologia do sistema nervoso central e periférico

A fisiopatologia e a farmacoterapia do sistema nervoso central é uma das disciplinas mais importante para o farmacêutico clínico. Segundo o farmacêutico, professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, dr. Clezio Abreu, conhecer, tanto a doença como o tratamento, é fundamental para a prática clínica do profissional farmacêutico.

O sistema nervoso no organismo humano controla e coordena as funções de todos os demais. Enquanto muitas funções do sistema nervoso dependem da vontade (voluntários), muitas outras ocorrem sem que se tenha a consciência (involuntários) dessa integração com o meio ambiente.

Sistemas importantes, como o sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático) podem ter a sua ação diminuída ou aumentada por outros fármacos. O sistema simpático regula o sistema cardiovascular, digestão, respiração, temperatura corporal, metabolismo, secreção de glândulas exócrinas e, portanto, mantém constante o ambiente interno (homeostase). “Se o farmacêutico não tiver o conhecimento das ações desses sistemas no organismo, não terá como identificar certas reações promovidas pelos fármacos, que indiretamente podem interagir com esses sistemas”, alerta o professor.

O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacita o organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas.

Psicofarmacologia

A psicofarmacologia é um ramo de estudo da farmacologia e dos psicofármacos, e de substâncias psicotrópicas, também conhecidas como agentes psicotrópicos que atuam no sistema nervoso central e são definidos como agentes que afetam o humor e o comportamento.

“A palavra psicotrópico, amplamente utilizada quando nos referimos aos psicofármacos, pode ser mais bem compreendida se dividirmos a palavra em duas partes: psico e trópico”, lembra Abreu. Psico, de origem grega, refere-se ao psiquismo (o que se pensa e sente). Já a palavra trópico significa ter tropismo por algo, ou seja, ter atração por algo. “Juntando os conhecimentos definimos drogas psicotrópicas como aquelas que atuam no nosso cérebro e o alteram”, comenta ele.

Essas drogas de ação central estão entre as primeiras descobertas pelos seres humanos primitivos e ainda atualmente constituem um dos grupos farmacológicos mais amplamente utilizados no mundo. Seu grande valor clínico se deve a diferentes áreas de atuação para aliviar a dor, suprimir movimentos desordenados, induzir o sono ou o despertar, reduzir a vontade de comer, auxiliar no tratamento e na melhora da qualidade de vida de pacientes portadores de doenças neurodegenerativas ou até mesmo de dependentes químicos. Além do uso terapêutico, essas substâncias são o maior grupo de substâncias usadas por pessoas que se automedicam por motivos não terapêuticos, apenas para benefício próprio. São exemplos a maconha, a cocaína e até mesmo o café.

Atenção Farmacêutica em Pacientes com Transtornos de Psiquiátricos.

O atendimento realizado pelo farmacêutico em ambiente ambulatorial trata-se de um encontro terapêutico, em que o farmacêutico deve estabelecer uma relação de confiança com o paciente, responsabilizando-se pelos problemas enfrentados por este em relação às suas condições de saúde e ao seu tratamento.

“Vale lembrar que, ainda que seja necessário o reconhecimento das fronteiras de atuação dentro do consultório, jamais a avaliação farmacêutica deve ser fragmentada e restritiva. Pelo contrário, uma avaliação integral do paciente pelo farmacêutico permite a identificação da necessidade do compartilhamento do caso com outros profissionais de saúde, gerando um cuidado interdisciplinar e até transdisciplinar”, comenta Abreu.

O farmacêutico pode e deve fazer uma orientação focada no medicamento dos pacientes em uso de psicotrópicos. Para isso, o profissional deve estar familiarizado com as ferramentas para esse processo. A Saúde Baseada em Evidências (SBE) é uma abordagem que utiliza as ferramentas da Epidemiologia Clínica, da Estatística, da Metodologia Científica, e da Informática (MICROMEDEX, DYNAMED, BULARIO ELETRONICO DA ANVISA) para trabalhar a pesquisa, o conhecimento e a atuação em saúde, com o objetivo de aplicar a melhor informação disponível para a tomada de decisão na área de psicotrópicos.

Segundo o professor, infelizmente, não existem exames laboratoriais para a maioria dos transtornos psiquiátricos. O diagnóstico é baseado inteiramente na clínica, geralmente definidos pelos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) -5 ou ICD-10. O conhecimento da fisiopatologia dos principais transtornos do sistema nervo central é de extrema importância para o clínico.

A anamnese feita pelo farmacêutico clínico, no consultório, é importante para direcionar o tratamento do paciente, seja para o psiquiatra ou ao centro de apoio psicossocial (CAPS) mais próximo, para que se inicie o tratamento.

“Apesar do grande conhecimento em farmacologia, o farmacêutico não pode prescrever medicamentos que exija prescrição médica. Entretanto, o farmacêutico, dentro de suas habilitações (resolução 586/13 art. 5º), pode prescrever medicamentos isentos de prescrição. Um exemplo desses medicamentos é a Passiflora Incarnata (maracugina). O extrato dessa erva tem sido usado na medicina tradicional por muitos anos, como sedativo, para tratar insônia, ansiedade, agitação, ação analgésica e distúrbios nervosos (MICROMEDEX)”, lembra Abreu. Outro exemplo é a Valeriana officinalis, que pode reduzir a insônia subjetiva e ansiedade (baseada em uma revisão sistemática de 18 ensaios randomizados de preparações de valeriana).

A consulta

O farmacêutico deve orientar o paciente, sobre a importância dos medicamentos para a sua saúde. Durante a consulta, o farmacêutico deve documentar a história da medicação completa: medicamentos prescritos – princípio ativo, concentração, posologia prescrita, origem da prescrição, posologia utilizada e tempo de uso.

Medicamentos utilizados por automedicação – princípio ativo, concentração, posologia utilizada e tempo de uso. Terapias alternativas e complementares (ex.: homeopatia, plantas medicinais, acupuntura etc.) – Qual? Para quê? Qual a frequência de utilização? Qual o modo de preparo/utilização?

Alergias conhecidas a medicamentos, incômodos devido ao uso dos medicamentos, rastreamento de reações adversas a medicamentos, se positivo para um ou mais sinais ou sintomas, o profissional deve descrever o HDA (início, duração, frequência, localização, gravidade, fatores que agravam, fatores que aliviam, ambiente e sintomas associados) e registrar o medicamento suspeito de estar envolvido e dificuldades no uso dos medicamentos.

“Avalie a capacidade de gestão de medicamentos e a adesão ao tratamento, o acesso aos medicamentos (setor público, setor privado, quanto gasta e dificuldades de acesso), o entendimento do paciente sobre o propósito do tratamento prescrito (ex.: o paciente sabe por que o tratamento foi prescrito e os benefícios esperados?), a percepção do paciente sobre o efeito dos medicamentos e as condições de armazenamento dos medicamentos”, aconselha o professor.

Deve-se identificar e priorizar os problemas relacionados à farmacoterapia, considerando todos os medicamentos e os problemas de saúde:

  •  Problemas relacionados ao resultado: tratamento não efetivo; reação adversa; intoxicação medicamentosa.
  •  Problemas relacionados ao processo: problemas de seleção e de prescrição; problemas de dispensação ou de manipulação; discrepâncias entre níveis ou pontos de atenção à saúde; problemas de administração e adesão; problemas de qualidade do medicamento; e problemas de monitoramento.

Ações e soluções promovida pelo farmacêutico

Para o acompanhamento farmacoterapêutico, é muito importante que o clínico elabore um plano de cuidado e manejo para resolução dos problemas da farmacoterapia identificados com o paciente em uso de psicotrópicos; discutir opções, objetivos, metas do tratamento; sugerir as intervenções para a resolução dos problemas da farmacoterapia detectados, envolvendo o paciente na tomada de decisão; verificar a habilidade do paciente em seguir o plano, permitindo que o paciente antecipe qualquer problema em seguir o plano – por ex.: em termos de motivação, recursos, tempo ou habilidades físicas e cognitivas.

Deve fornecer orientações sobre o propósito de cada medicamento, sobre o acesso aos medicamentos e sobre como e quando utilizar cada um, pactuando o acompanhamento, se necessário.

“Elabore o plano de cuidado e manejo para resolução dos problemas da farmacoterapia identificados com o paciente. Discuta opções, objetivos, metas do tratamento”, comenta Abreu.

Ele diz que é preciso sugerir as intervenções para a resolução dos problemas da farmacoterapia detectados, envolvendo o paciente na tomada de decisão. Além disso, ele deve verificar a habilidade do paciente em seguir o plano, permitindo que ele antecipe qualquer problema em seguir o plano, por ex.: em termos de motivação, recursos, tempo ou habilidades físicas e cognitivas.

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