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Farmacêutico – Protagonista ou figurante?

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Depois de 11 anos formado em Farmácia e já ter passado por diversos ramos da atividade, deparo com um cenário bastante diferente daquele que vivi enquanto estudante. Os tempos eram meio sombrios e me atormentava o fato de não saber como seria a minha profissão quando concluísse o curso. Mas, algo dentro de mim prospectava uma esperança de dias melhores para a classe farmacêutica, e inquietava-me a mente com tamanha curiosidade.

As mudanças, ainda que tímidas, ocorridas no decorrer das últimas quatro décadas, corroboraram para o cenário de hoje na profissão farmacêutica. O advento da globalização, em meados dos anos 90, abriu caminho para interações bastante favoráveis no campo da assistência farmacêutica e na atenção farmacêutica - modelos que já estavam bem implantados e desenvolvidos em outros países.  

Aquela visão engessada e tecnicista de que os cursos de Farmácia direcionavam para a indústria e as análises clínicas cedeu lugar a uma prática muito menos técnica e mais humana - com a farmácia clínica. Isso promoveu uma reformulação na grade curricular das instituições de ensino e fez a população conhecer mais e melhor aquele profissional que, muitas vezes, se escondia atrás das prateleiras no varejo, no laboratório ou no hospital, e que pouco era notado.

Esse fato uniu as necessidades da sociedade em termos de assistência farmacêutica e transformou o profissional, com a máxima de cuidar das pessoas e de promover saúde por meio do instrumento chamado uso racional do medicamento.

Surgiu, então, o farmacêutico clínico - um profissional mais capacitado nas doenças crônicas, mais próximo dos pacientes e com maior integralidade com os outros colegas do corpo de saúde. Ele veio capaz de acompanhar o dia a dia das pessoas e emitir relatórios, ou melhor, dossiês de saúde dos pacientes, que ajudam os médicos na investigação dos diagnósticos. Apareceu, ainda, com a função de interferir nas interações medicamentosas maléficas e de traçar aprazamentos de horários mais convenientes para o paciente, proporcionando maior adesão ao tratamento medicamentoso.

Nova era

Na minha concepção, um marco dessa nova era foram as Resoluções do Conselho Federal de Farmácia (CFF) 585/2013 e 586/2013, que regulamentam as atribuições clínicas do farmacêutico e a prescrição farmacêutica, respectivamente. Além disso, há a Lei Federal 13.021/2014, que rege as ações e serviços de assistência farmacêutica executados, e define a farmácia como unidade de saúde.

Com elas, o farmacêutico ficou em ampla evidência nacional, pois o País passou a notar as benfeitorias advindas dessa classe, que outrora fora tão marginalizada. Também esses profissionais começaram a cobrar pela assistência primária na saúde, visto que a população tem segurança em relação aos seus serviços e um maior acesso a eles.

A farmácia clínica se mostra bastante atuante no cenário nacional, mas ainda engatinha em muitas atribuições clínicas inerentes à profissão. Vale ressaltar a diferença entre atribuição, atividade e serviço. Segundo a RDC 585/13: “As atividades correspondem às ações do processo de trabalho. O conjunto de atividades será identificado no plano institucional, pelo paciente ou pela sociedade, como serviços. Os diferentes serviços clínicos farmacêuticos, por exemplo, o acompanhamento farmacoterapêutico, a conciliação terapêutica ou a revisão da farmacoterapia caracterizam-se por um conjunto de atividades específicas de natureza técnica. A realização dessas atividades encontra embasamento legal na definição de atribuições clínicas do farmacêutico. Assim, uma lista de atribuições não corresponde, por definição, a uma lista de serviços”. Portando, evidenciamos apenas uma pontinha desse imenso iceberg ainda bastante submerso nesse mar de possibilidades.

Diante dessas agitações da profissão farmacêutica, as indústrias de medicamentos estão de olho nesse novo profissional farmacêutico que está sendo formado com foco no paciente, e está se tornando um potencial prescritor de medicamentos isentos de prescrição médica (MIP). Baseando-se na máxima do uso racional dos medicamentos, acredito que teremos gratas surpresas num futuro próximo.

Protagonista ou figurante?

Gostaria de abrir um parêntese e deixar uma reflexão: há algum tempo, principalmente, no interior das cidades, quem resolvia os problemas menores advindos das pessoas dos bairros era o farmacêutico. “Uma tosse, um resfriado, uma febre... Vamos à farmácia falar com o dr. Farmacêutico. Ele resolverá o nosso problema”. Essa identidade foi se perdendo no decorrer dos anos e resgatada agora. Mas, o que me deixa preocupado é o fato de alguns colegas ainda não terem acordado para essa revolução ou estarem acomodados em uma zona de conforto individual!

Há também uma dúvida que não se cala: será que só revolucionamos porque foram criadas essas leis, Resoluções de Colegiados - RDCs e afins? Ou revolucionamos porque acordamos e nos cansamos de ser figuração na saúde?  Fica a resposta para cada um avaliar em silêncio.

Valorização salarial

Há ainda um campo que precisa de atenção, pois pouco se tem avançado: é o da valorização salarial. Muitas lutas são travadas, e suas definições e conclusões ainda estão longe de chegar a um denominador comum. É certo que aqui e acolá vemos que alguns Estados vêm ganhando algumas batalhas. Mas, isso ainda é bastante tímido quando olhamos para o Brasil como um todo!

A principal ferramenta dessa luta são os sindicatos. Contudo, a força deles esbarra em um número de filiados inexpressivo frente ao universo de farmacêuticos ativos nos Conselhos Regionais de Farmácia (CRF). Falta a esses profissionais a consciência de que o sindicato só é forte com a força daqueles que ele representa. Esse é um dos grandes desafios farmacêuticos para os próximos anos: fortalecer os sindicatos.

Embora o momento aparente ser propício, ainda não é motivo para comemoração e gritos de vitória. A situação serve de alerta para que o profissional farmacêutico se capacite e se atualize cada vez mais. Vale lembrar que, com essas mudanças acontecendo de modo intenso, o acomodado será atropelado e poderá ficar fora do mercado.

São mais de 70 áreas de atuação para o farmacêutico, e outras com certeza aparecerão. Além disso, muitos cursos lato sensu e stricto sensu estão surgindo. Portanto, não existe desculpa para não querer se capacitar e, assim, se destacar no mercado de trabalho. É também preciso aprender e entender o que fazer com toda essa sabedoria. Por isso, escolha um curso no qual você se identifique e tenha plena certeza de usufruir esse aprendizado. Não seja mais um a fazer cursos apenas para encher os currículos, e mais nada.

Caros colegas farmacêuticos e futuros farmacêuticos, sejam ambiciosos por conhecimento, pois o mundo será de quem estiver mais capacitado e de quem souber o que fazer com a sabedoria adquirida.

*Tayronni Meneses de Castro é farmacêutico da Farmácia Pague Menos e da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco. É membro da comissão de Farmácia Comunitária do CRF-PE e especialista em Farmacologia Clínica e Prescrição Farmacêutica pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

 

 

Tags: fararmacêutico, profissão farmacêutica, carreira farmacêutica

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