Pensar em efeitos colaterais contribui para que eles apareçam, indica estudo

Efeito nocebo: preocupar-se demais com dano colateral pode fazê-lo aparecer

Pesquisadores do Imperial College London e médicos do Imperial College Healthcare NHS Trust, no Reino Unido, concluíram que pensar demais em efeito colateral contribui para que ele apareça, revelou o portal VivaBem do Uol. O resultado da pesquisa foi publicado no periódico científico The New England Journal of Medicine.

Os cientistas se debruçaram em um experimento para descobrir até que ponto o efeito nocebo é responsável por problemas desagradáveis relatados por pessoas que tomam estatina, medicamento que reduz o risco de ataque cardíaco ou AVC, por diminuir a quantidade de colesterol no sangue.

Na pesquisa revelou-se que a intensidade média dos danos colaterais ao tomar um placebo chegou a 90%. De acordo com os cientistas, o efeito nocebo pode influenciar pessoas que tomam estatinas a não tomarem mais, por medo dos efeitos colaterais, mesmo precisando do medicamento.

“Nosso estudo sugere que os efeitos colaterais relatados das estatinas não são causados pelas próprias estatinas, mas pelo efeito de tomar um comprimido”, disse o pesquisador clínico do Imperial College London, cardiologista do Imperial College Healthcare NHS Trust e principal autor do estudo, James Howard. “Alguns dos efeitos colaterais também podem ser causados pelas dores típicas do envelhecimento”, acrescentou, segundo o VivaBem.

“Efeito nocebo é caracterizado quando fatores psicológicos do paciente conseguem induzir efeitos negativos sobre a eficácia ou a tolerabilidade de um medicamento ou de um tratamento”, explicou o coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Augusto Pimazoni Netto, em artigo publicado no portal da Sociedade Brasileira de Diabetes.

“Em outras palavras, o efeito nocebo é o oposto do efeito placebo, podendo ser desencadeado por fatores psicossociais e contextuais como alguma experiência anterior mal sucedida ou de falha no tratamento, levando o paciente a acreditar que alguns ou todos os medicamentos para aquela sua condição específica apresentam efeitos adversos indesejáveis”, completou Pimazoni Netto.

Para desenvolver o estudo, os pesquisadores britânicos recrutaram pacientes com idades entre 37 e 79 anos que estavam tomando estatina, mas a descontinuaram após duas semanas devido a efeitos colaterais. Cada participante recebeu 12 frascos de comprimidos. Quatro deles continham um suprimento mensal de uma estatina chamada atorvastatina, quatro continham um suprimento mensal de pílulas de placebo e quatro não continham nada.

Os participantes foram instruídos a usar um frasco diferente a cada mês, de acordo com uma sequência aleatória predeterminada durante os 12 meses do experimento. Todos os dias os participantes usaram um aplicativo para relatar a intensidade de seus sintomas em uma escala de 0 – indicando nenhum sintoma – a 100, indicando os piores sintomas. O aplicativo não coletou informações sobre a natureza dos sintomas, apenas sua gravidade geral.

Caso os participantes sentissem que seus sintomas eram muito graves, eles eram incentivados a parar de tomar os comprimidos naquele mês. No total, 60 participantes concluíram o experimento.

Segundo os pesquisadores, houve 71 interrupções. Dessas, 31 ocorreram durante os meses de placebo e 40 ocorreram durante os meses de estatina. Já a gravidade média dos sintomas foi de 8 durante os meses em que não tomaram os comprimidos, 15,4 nos meses em que tomaram os comprimidos de placebo e 16,3 nos meses em que tomaram as estatinas.

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Os especialistas dizem que esse tipo de experimento pode ajudar os médicos a alertar os pacientes quanto a reais danos colaterais e efeitos nocebos, que não são provocados pelo medicamento. Eles também avaliam que a gravidade média não foi tão significativa, devido ao número reduzido de participantes.

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“Coletivamente, o efeito nocebo pode reduzir substancialmente a eficácia e a tolerabilidade do medicamento e, como consequência, comprometer a adesão ao tratamento, resultando, muitas vezes, na suspensão de medicamentos absolutamente essenciais para determinado paciente”, assinalou Pimazoni Netto. “A divulgação de eventos adversos pelos centros de farmacovigilância, quando divulgados pela imprensa, promove um aumento considerável de relatos desses mesmos eventos por pacientes que já vinham sendo tratados pelo medicamento considerado”, completou.

O professor emérito de estatística aplicada da The Open University, no Reino Unido, Kevin McConway, que não esteve envolvido na pesquisa britânica, avaliou que as descobertas do efeito nocebo não se aplicam a todos que tomam estatina. “Os pacientes neste estudo não eram típicos de todos os que recebem estatinas porque todos haviam interrompido as estatinas anteriormente, após os efeitos colaterais que começaram dentro de duas semanas após terem começado o uso”, pontuou o especialista, segundo o VivaBem.

Contudo, seis meses após o final do teste, 30 dos participantes haviam retomado o uso de estatinas e outros quatro planejavam retomar. Além disso, a pesquisa descobriu que as pessoas que sentem ansiedade ou medo têm maior probabilidade de perceber os efeitos negativos de um tratamento.

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