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Pode faltar até bula para medicamento

Marcelo de Valécio   19 Março 2021   4910   Farmácia Clínica
Pode faltar até bula para medicamento

Os problemas de desabastecimento no setor farmacêutico não se restringem a medicamentos. Segundo a entidade representante da indústria, pode faltar até papel para bula, revelou a Folha. Alumínio e plástico usados nas embalagens também têm dificuldade de abastecimento.

Pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) revelou que os farmacêuticos já convivem com a falta de alguns medicamentos, especialmente aqueles ligados a intubação de pacientes (muito comuns para os casos graves de Covid-19) e se mostram preocupados com o aumento do desabastecimento.

De acordo com 77% dos que responderam à enquete, há problemas de desabastecimento de medicamentos em seus locais de trabalho. Entre os principais motivos apresentados estão escassez de mercado e alta demanda não esperada.

Enquanto os estoques de medicamentos chegam ao limite, a indústria farmacêutica enfrenta outras dificuldades com o abastecimento de insumos. Faltam papelão, plástico, alumínio e PVC utilizados na produção das cartelas e caixas que embalam os medicamentos e até para as bulas.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, os relatos de desordem na cadeia de fornecimento, que se arrastam há meses, agora pressionam os preços dos insumos em até 40%.

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Conforme ele revelou ontem (18/3) à Folha, a alta pesa sobre as farmacêuticas porque não pode ser repassada ao consumidor final, já que os preços dos medicamentos são controlados pelo Governo.

“Já estamos sofrendo muito com o câmbio, que aumentou o preço da matéria-prima importada para o medicamento. Agora vem mais essa pressão sobre os resultados”, Disse Mussolini à Folha em outubro, quando o problema começou a ser detectado pelo setor.

Profissionais de saúde que estão na linha de frente enxergam as graves consequências que o desabastecimento e baixo estoque dos medicamentos, especialmente os de intubação, podem acarretar aos hospitais.

O farmacêutico do Ministério da Saúde e professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rafael Poloni, lembra que na primeira onda da Covid-19 no Brasil houve quebra de estoque em diversos medicamentos, inclusive os de intubação.

Segundo ele, isso se deu porque, mediante o aumento da demanda, as indústrias que estão no País não conseguiram acompanhar o crescimento expressivo da procura desses medicamentos.

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Poloni alerta que o desabastecimento do kit intubação pode refletir em baixa no estoque também na farmácia, com possíveis novidades de tratamento para o novo coronavírus, e para impedir isso é importante que haja diversidade nos medicamentos.

“Tem que haver sempre opções de tratamento; várias linhas diferentes, para que, na falta de um, outro consiga utilizar uma outra classe farmacológica, um outro tipo de medicamento, ou até mesmo uma outra substância dentro da mesma classe farmacológica”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou hoje (19/3) que irá publicar em breve medidas regulatórias emergenciais para enfrentar a escassez de medicamentos para intubação e suporte ventilatório de pacientes graves.

“Tais medidas, em face da ameaça sanitária, irão desde a flexibilização de critérios até a possibilidade de importação direta de insumos por parte de hospitais e redes hospitalares privadas, passando pela máxima agilização dos processos”, informou o órgão regulador em sua página na internet.

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