Gestão foi o combustível para ajustar linhas de produção das indústrias

Gestão foi o combustível para ajustar linhas de produção das indústrias

Com a pandemia, os laboratórios tiveram que adaptar uma demanda crescente por medicamentos com as exigências de isolamento social que decretavam a necessidade de preservar funcionários. A gestão se impôs, de modo a ajustar as linhas de produção à nova realidade, conforme levantamento do Valor Econômico.

Crise sanitária levou setor a se concentrar nas demandas de hospitais e clientes institucionais. Os grandes fornecedores de hospitais foram os primeiros a enfrentar o inusitado desafio de colocar seus funcionários em home-office ou férias, além de preservar do contágio os que continuaram trabalhando, ao mesmo tempo em que revertiam sensivelmente o processo de produção com foco nas linhas de medicamentos mais demandados.

Nos primeiros oito meses de 2020, o mercado farmacêutico cresceu 11%, impulsionado pela demanda por medicamentos para enfrentar a Covid-19, que explodiu e levou o setor a projetar vendas de R$ 75 bilhões ao varejo para este ano, entre 11% e 13% acima de 2019, conforme apurou o Valor.

De ansiolíticos e antidepressivos, vendidos em farmácias, aos anestésicos e antibióticos de uso intensivo em hospitais, além de complexos de moléculas para controle de ambientes com alto número de infectados, tudo foi redimensionado e reorganizado nas linhas de produção dos laboratórios farmacêuticos para enfrentar a crise sanitária. E ante a ameaça de uma segunda onda de infectados, como já se verifica em países europeus, a demanda está longe de arrefecer, dizem os especialistas.

Entre março e abril ocorreram as maiores transformações. “Fomos mudando e ajustando as turbinas em pleno voo. Apanhamos da realidade uns dias, em outros dias acertamos e, assim, em menos de 60 dias, estávamos adequados à nova realidade, sem entendê-la completamente e sem saber para onde estamos indo, de fato”, afirmou ao Valor o vice-presidente comercial da União Química, Vagner Nogueira. O laboratório é um dos maiores fornecedores nacionais de hospitais, sobretudo para UTIs/CTIs.

Segundo Nogueira, as vendas de anestésicos para hospitais na União Química subiram 113% até agosto, em comparação ao mesmo período de 2019, enquanto os polivitamínicos, para elevar a imunidade, cresceram 64%. Os ansiolíticos e antidepressivos avançaram 34%. O resultado total das vendas foi um crescimento superior a 22% até setembro, quase o dobro da média do mercado.

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Outro laboratório nacional que fornece para hospitais, o Cristália também precisou remanejar linhas de medicamentos, especialmente os injetáveis, para concentrar o atendimento a clientes institucionais à beira do colapso, diante de um quadro de UTIs abarrotadas de pacientes no primeiro semestre.

De acordo com o diretor geral da Cristália, Ricardo Pacheco, “conseguimos quadruplicar os números de produção dos medicamentos utilizados no tratamento da Covid-19, principalmente anestésicos, narcoanalgésicos, relaxantes musculares e sedativos utilizados em intubações endotraqueais em pacientes em estado crítico”. Ainda segundo ele, as linhas de antibióticos mais que duplicaram as vendas no primeiro semestre. E graças à produção própria de matérias-primas foi possível evitar o avanço significativo das importações da empresa, num cenário de dólar em alta.

Nas projeções do Sindicado da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) para 2020, já considerando o impacto da pandemia, há indicações de que as vendas a hospitais e aos governos, incluindo SUS e secretarias de saúde estaduais e municipais, devem atingir perto de R$ 22,5 bilhões.

Em volume físico, 2020 coloca o País entre os cinco maiores mercados de medicamentos do mundo, mesmo considerando que, num setor altamente dependente de importações de matérias-primas, o faturamento deve encolher em dólar em comparação a 2019. “O Brasil é muito importante no cenário global farmacêutico e tem programas de vacinação nacional que são referência mundial”, ressaltou ao Valor o presidente executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini.

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Também as vendas de medicamentos genéricos não dão sinais de acomodação. Segundo a presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), Telma Salles, no acumulado do ano até setembro, a indústria de genéricos registrou crescimento de 13% no número de unidades vendidas se comparado a igual período de 2019. No total, foram comercializadas 1,237 bilhão de unidades de genéricos de um total de 3,529 bilhões de unidades comercializadas no período, elevando a participação dos genéricos a um terço do mercado do varejo.

Com as mudanças, incluindo a os ajustes de gestão das empresas, os laboratórios de capital nacional também foram fortalecidos. De acordo com o presidente-executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Henrique Tada, a expansão da oferta dos laboratórios nacionais segue firme dada a agilidade dos acionistas locais em redefinir e ampliar rapidamente novos investimentos frente às oportunidades e reorganização do mercado. “Há quase 20 anos a indústria farmacêutica nacional atendia 38% do mercado e atualmente detém 50%, sendo que no canal varejo já representa uma fatia de 60% das vendas”, afirmou Tada ao jornal.

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