Venda de medicamento para emagrecer é suspensa por possível risco de câncer

Venda de medicamento para emagrecer é suspensa por possível risco de câncer

Após a Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula o setor farmacêutico nos Estados Unidos, divulgar um estudo realizado com 12 mil pessoas, indústrias farmacêuticas resolveram tirar de circulação o medicamento lorcasserina, indicado para o tratamento da obesidade e comercializado no Brasil com o nome de Belviq. A ação aconteceu porque a pesquisa ligou o fármaco a um possível aumento no risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

O produto pertence à farmacêutica japonesa Eisai e vinha sendo distribuído em território nacional pela Eurofarma. A pesquisa do FDA publicou uma revisão de dados, em que a metade das pessoas tomava a droga e outra recebia um placebo. No estudo, os voluntários foram acompanhados por um tempo médio de 3 anos e 3 meses.

Um detalhe importante é que, inicialmente, o intuito da análise era avaliar os possíveis riscos associados ao uso do medicamento na ocorrência de problemas cardiovasculares. No entanto, os pesquisadores constataram um desequilíbrio no número de casos de câncer entre os dois grupos. Nos pacientes que fizeram o uso da lorcasserina, a incidência de tumores no pâncreas, pulmão e reto foi de 7,7%, enquanto naqueles que receberam o placebo a porcentagem foi de 7,1%.

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Embora a diferença no número de casos tenha sido pequena, os resultados fizeram com que a Eisai retirasse, imediatamente, o produto do mercado nos Estados Unidos. No Brasil, a Eurofarma fez o mesmo, entretanto, especialistas afirmam que a decisão das farmacêuticas foi mais em caráter preventivo.

“O mecanismo pelo qual esse medicamento pode causar câncer não está estabelecido, e a diferença na incidência entre as pessoas que o usaram é mínima”, disse o presidente da Associação para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Mario Khedi Carra, em entrevista publicada no site da revista Saúde.

Já a endocrinologista, Cintia Cercato, também diretora da Abeso, reforça que o estudo do FDA foi observacional, pois, só comparou dados disponíveis entre o consumo do medicamento e o risco de câncer, não comprovando um elo de causa e efeito entre eles: “Fora que se tratava de um estudo para avaliar o risco cardiovascular, então, uma parcela considerável dos participantes era fumante, obesa e tinha outros fatores associados ao câncer”, afirmou. 

Ela reforça: “Como a perda de peso proporcionada pela lorcasserina é modesta e houve essa associação com o câncer, ainda que pequena, o uso é suspenso até que se compreenda melhor o caso”. 

Vale destacar que a recomendação sobre a suspensão do medicamento também é válida para a versão manipulada, pois, o produto é comercializado e prescrito de forma paralela. Essa atividade acontece porque a Eisai também detém os direitos exclusivos do princípio ativo.

A equipe de jornalismo do Portal do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico tentou contato com a Eurofarma para saber mais informações, mas não obteve resposta até a publicação dessa matéria.

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