Demissões em massa na Drogaria SP/Pacheco

Demissões em massa na Drogaria SP/Pacheco

Farmacêuticos de várias partes do Brasil revelam que o grupo DPSP, composto pelas Drogarias São Paulo e Pacheco, está promovendo demissões em massa em suas lojas. Segundo esses profissionais, muitos deles funcionários ou ex-funcionários do grupo, cargos estão sendo extintos e os colaboradores estão acumulando funções sem serem remunerados a mais. A empresa não comentou o caso. 

Apesar dos bons resultados do varejo farmacêutico, que apenas no ano passado cresceu 7,1% em vendas em relação a 2018 – quase sete vezes mais do que o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no mesmo período –, as Drogarias São Paulo e Pacheco resolveram enxugar o quadro de funcionários.  

Os resultados do primeiro semestre deste ano ainda não saíram, mas estimativas do mercado revelam que o varejo farmacêutico deve obter bons números, motivados principalmente pela Covid-19, que aumentou o movimento das farmácias. Ex-funcionários e funcionários do grupo DPSP dizem que a empresa tem obtido vendas expressivas desde o começo da pandemia. 

No grupo Farmacêuticos do ICTQ, do Facebook, uma ex-funcionária da empresa postou uma mensagem com a frase “Alguém da rede DPSP demitido hoje?” Até o fechamento desta matéria havia 174 comentários e cerca de 100 curtidas na publicação. Boa parte dos comentários revelava o corte em massa de colaboradores. 

O Portal do ICTQ conversou com alguns dos farmacêuticos que se pronunciaram na rede social. A autora da publicação preferiu não dar entrevista com medo de represálias do grupo DPSP mesmo já tendo sido demitida. O mesmo aconteceu com quem continua trabalhando na companhia. 

Já Sonia Figueiredo, do Rio de Janeiro, demitida no começo do mês, revelou que a empresa resolveu, de uma hora para outra, extinguir o cargo de subgerente. Não houve comunicado antecipado aos funcionários sobre a reestruturação. 

“Estava na empresa fazia quatro anos, há mais de 12 meses como gerente adjunto farmacêutico. Sem justificativa, simplesmente me comunicaram que estava demitida. Mas sei que o motivo é a extinção do cargo de adjunto. Corria a informação que em outros municípios já vinha ocorrendo demissões”, conta Sonia. Segundo ela, nas 16 lojas do distrito onde trabalhava, em Bangu, Rio de Janeiro, todos os subgerentes – cerca de dois ou três por estabelecimento – foram dispensados. 

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Segundo Sonia, com a reestruturação, o papel burocrático do farmacêutico foi ampliado. “Antes, como adjunto, eu só fazia a parte de gerência e atenção farmacêutica. Agora, o profissional faz tudo. Os farmacêuticos viraram farmacêuticos administrativos e alguns balconistas se tornaram também administrativos. E sem nenhuma preparação. Quando era responsável técnico tive treinamento para ser gerente. Não existe mais isso, vai no automático”, diz a profissional e acrescenta. “No início, o cargo de gerente fazia parte do plano de carreira que ofereciam, mas isso caiu por terra”. 

A mudança também não tem a ver com o momento econômico do País ou do grupo, segundo Sonia. “A empresa não passa por nenhum problema financeiro, pelo contrário, vendíamos cada vez mais por conta da pandemia de Covid-19. Estão copiando o modelo administrativo de outra rede. Querem mais lucro em cima dos profissionais. Apenas isso”. 

De acordo com Sonia, a reestruturação não acabou e vai chegar nos cargos de balconistas e atendentes. “Além de diminuir o quadro, eles vão colocar novos profissionais ganhando menos. Depois que nós saímos eles contrataram muitos atendentes de loja. Sinal de que venda tem, e muita”, conclui. 

O farmacêutico Jonas Cassimiro, do Rio de Janeiro, trabalhou por sete anos na Drogaria Pacheco. Foi demitido em março, junto com outros 30 colegas. “Com a reestruturação que está passando a empresa, os cargos de gerente adjunto de loja e subgerente farma estão sendo extintos e as demissões estão acontecendo por regiões”, informa Cassimiro. 

Ele concorda com Sonia em relação à diminuição do quadro de funcionários e à contratação de novos com salários menores. “Até porque os farmacêuticos estão acumulando a função de gerente e a de farmas”. Segundo Cassimiro, estão sendo demitidos funcionários com 10, 20 ou mais anos de casa. “E sem respeito algum, tudo está sendo tudo feito de surpresa”, diz, destacando que isso não é um teste, é o novo padrão da empresa.  

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Outra ex-funcionária do grupo, que trabalhava em São Paulo e pediu para não ser identificada, disse que a nova postura do grupo tem decepcionado a maioria dos funcionários que continuam por lá. “A empresa tinha plano de carreira, benefícios, tratava bem os colaboradores. Agora isso mudou. Está copiando a concorrência”, afirma.  

“O padrão agora é um gerente por loja e o farmacêutico tem que se virar. Vão reduzir o quadro e pagar menos para novos profissionais. Para isso estão contratando farmacêuticos que serão chamados de farmacêuticos especialistas. E os antigos adjuntos foram promovidos para o cargo de gerente, porém com salário menor”, salienta. 

Ela revela que foi dispensada no início do mês juntamente com mais quatro profissionais. Na semana passada, mais 23 foram demitidos. “Foram dispensados funcionários com 28 anos de empresa. Vale destacar que o grupo não passa por problemas financeiros, pelo contrário, teve meses muito lucrativos. Estão inaugurando inúmeras lojas. É uma nova postura da empresa”, conclui.  

Como não possui canais de atendimento para a imprensa, o grupo DPSP foi procurado pela reportagem por meio das redes sociais da Drogaria São Paulo e da Drogaria Pacheco, mas até o fechamento desta matéria não se pronunciou. Caso venha a se posicionar esta matéria será atualizada. 

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