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Ivermectina e cloroquina explodem em vendas

Marcelo de Valécio   08 Janeiro 2021   14556   Varejo Farmacêutico
Ivermectina e cloroquina explodem em vendas

Mesmo sem comprovação científica de que poderiam combater a Covid-19, o vermífugo invermectina e a cloroquina, utilizada para malária, artrite reumatoide e lúpus, explodiram em vendas em 2020. A ivermectina cresceu mais de 400% no ano e a cloroquina foi um dos medicamento mais procurados em diversos Estados.

A venda de ivermectina cresceu 466% no acumulado de 2020 até novembro, na comparação com o mesmo período de 2019, segundo levantamento da consultoria especializada em mercado farmacêutico IQVIA, revelou a Folha.

Em 2020, a indústria comercializou 42,3 milhões de caixas de ivermectina, com pico em julho, que somou mais de 12 milhões de unidades. O medicamento integra o apelidado ‘kit covid’, conjunto de produtos sem comprovação científica contra a doença, que inclui hidroxicloroquina e azitromicina.

Sem eficácia comprovada por autoridades sanitárias para a prevenção da Covid-19, o antiparasitário defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, que sugeriu o uso diversas vezes à população, foi liberado da retenção de receita em farmácia em setembro.

O medicamento é usado por algumas pessoas numa lógica semelhante a de outros vermífugos – sem sintomas, elas tomam de modo preventivo contra uma eventual contaminação, apurou a Folha. Muitos ingerem de 15 em 15 dias. A indicação oficial é para tratamentos de piolho, sarna e infecções e problemas derivados de vermes

“Não há estudo que mostre que ivermectina serve para além do tratamento de piolho”, afirmou ao jornal o professor da USP Gonzalo Vecina Neto, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para o professor, o medicamento gera uma falsa sensação de imunidade ao vírus. Como a parcela da população sem a doença é muito maior e, dos acometidos pelo coronavírus, cerca de 80% são assintomáticos, os adeptos da ivermectina falsamente atribuem sua imunidade ao fármaco. “A chance de tomar e achar que funciona é grande. Além disso, há grupos de médicos que usam e recomendam”, completou Vecina Neto.

No caso da cloroquina e de sua ‘irmã’ hidroxicloroquina, mais de 1,1 milhão de caixas desses medicamentos foram vendidas pela indústria farmacêutica apenas no primeiro semestre de 2020 em São Paulo, revelou a CNN. De acordo com levantamento do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), foram 300 mil unidades a mais do que o montante registrado no mesmo período de 2019.

A população do Distrito Federal é a que mais comprou cloroquina proporcionalmente. Os habitantes da capital federal compraram 784 caixas do medicamento para cada 100 mil habitantes, segundo revelou o portal Metrópoles.

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Assim como fez com a ivermectina, Jair Bolsonaro estimulou o uso da cloroquina como uma forma de combater o novo coronavírus mesmo depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) provar por meio de um estudo científico a sua ineficácia para tratar a Covid-19.

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“A cloroquina não funciona no combate à Covid-19 e isso já está bem estabelecido. Infelizmente, tem muita desinformação e quando tem mensagem de pessoas em posição de autoridade dizendo que funciona, causa problemas na população”, revelou ao Metrópoles o epidemiologista da Sala de Situação da Universidade de Brasília (UnB) Mauro Sanchez.

Se o medicamento ainda não fizesse mal para quem toma, o problema de usar a cloroquina seria menor. Porém, essa não é a realidade, ponderou Sanchez. “Ele pode causar distúrbio cardíaco e os problemas são potencializados se usar azitromicina junto. A mistura pode causar taquicardia ventricular. Há um risco importante disso acontecer, então não é uma coisa tão inócua”, salientou.

Depois do DF, o segundo lugar no ranking de população que proporcionalmente mais comprou cloroquina foi o Rio Grande do Sul (671 para cada 100 mil pessoas), seguido por Goiás, com 612 para cada 100 mil. Mesmo com a ineficácia provada e difundida da cloroquina no combate à Covid-19, a procura pelo medicamento voltou a crescer com a segunda onda de Covid-19 no País – em parte por conta da continua campanha de Bolsonaro, que mantém sua crença na droga e faz questão de dizer isso publicamente.

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