O mapa do diabetes no Brasil

CONTEÚDO PREMIADO: Registre seus dados e concorra a um iPhone 8

Dados da Federação Internacional de Diabetes - IDF mostraram que em 2017, 12,5 milhões de pessoas já eram diabéticas no Brasil. Segundo a mesma estimativa da Federação, no mundo já existem 400 milhões de diabéticos. Considerando que essa é uma doença crônica e progressiva, a estima-se que neste mesmo período mais de 16,8 milhões de brasileiros tenham desenvolvido o estágio inicial desta doença, mas apenas 1/3 destes pacientes foram diagnosticados.

O cenário pode parecer apocalíptico para um sistema de saúde pública sobrecarregado e com investimentos insuficientes. Mas é exatamente nesse cenário negativo que se apresentam as oportunidades. Diante desse contexto ficam as perguntas: Como o farmacêutico clínico pode fazer a diferença, com perspectivas tão negativas, quando o tema é diabetes? Montar uma tenda na porta da farmácia, e aferir glicemia como forma de atração de clientes para a loja, é suficiente? Quantos farmacêuticos clínicos no Brasil são especializados em atendimento de pacientes diabéticos? Quantas farmácias possuem atendimento especializado para esses pacientes? Quantos programas de prevenção em diabetes estão em vigor no âmbito público e privado?        

Ao responder perguntas como estas, percebe-se que há muito espaço para que o trabalho do farmacêutico clínico prospere no Brasil. A real atenção farmacêutica aos pacientes pré-diabéticos e diabéticos vai muito além de panfletos e mesas de aferições aleatórias, patrocinadas por laboratórios que produzem medicamentos para estes mesmos pacientes. O Dr. André Schmidt, professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para farmacêuticos, indica que “o farmacêutico tem um papel técnico e social muito importante, mesmo porque, 70% dos pacientes não sabem que tem e não controlam o diabetes”. Schmidt aponta ainda que “o farmacêutico é o profissional da saúde mais acessível à população, e talvez o único tão acessível de forma imediata, por isso ele tem um papel fundamental na busca de soluções para este problema de saúde, inclusive através de encaminhamentos aos especialistas quando identificado o pré-diabetes na farmácia”.    

Mas a pergunta que ressoa é: Quantos farmacêuticos e farmácias estão aptos para o atendimento especializado ao paciente pré-diabético e diabético?

Atenção farmacêutica ao paciente diabético

Desde 2014, algumas farmácias no Brasil passaram a ter espaços privativos destinados o atendimento personalizado do paciente pelo farmacêutico. Algumas farmácias classificam estes espaços como consultórios farmacêuticos, outras como sala de atenção farmacêutica ou ainda como sala de serviços farmacêuticos. O mais importante é que, de acordo com pesquisas do ICTQ, mais de 1.500 farmácias no país já aderiram ao atendimento clínico farmacêutico, possibilitando inclusive uma atenção especializada ao paciente diabético.

Segundo o Protocolo de Diabetes, regulamentado pelo Conselho Federal de Farmácia – CFF, as principais metas da consulta farmacêutica, específica para o paciente diabético, estão direcionadas ao rastreamento em saúde, à orientação e educação do paciente sobre seus medicamentos, otimização da farmacoterapia, avaliação da efetividade, segurança dos tratamentos prescritos e o plano de cuidado de acordo com as necessidades do paciente. Partindo dessas metas preconizadas pelo CFF, o farmacêutico clínico, que busca se especializar no atendimento ao paciente diabético, precisa ter em mente quatro básicas para sua atuação:

1. O diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Mas essa é uma definição primária para o farmacêutico clínico. O mesmo precisa conhecer profundamente a patologia e suas variações. Além disso, o conhecimento multidisciplinar para esse especialista é fundamental, uma vez que o mesmo, no mínimo, irá se comunicar com médicos endocrinologistas, com educadores físicos e nutricionistas.

2. Não basta ainda conhecer a doença e suas variantes. No rastreamento em saúde, é fundamental saber investigar, identificar e estar sempre alerta aos sintomas e sinas de pré-diabetes e diabetes relatados pelos pacientes nas farmácias. Em muitas farmácias esse rastreamento em saúde fica restrito à aferição automática de glicemia, quando há campanhas promocionais ou quando o próprio paciente solicita. Mas o bom e velho papo com o cliente/paciente, que começa no balcão e termina no consultório, pode ser uma ferramenta poderosa atenção farmacêutica, que resulta em uma boa anamnese, culminando no teste glicêmico e na possível identificação do pré-diabetes ou diabetes.

3. De acordo com a farmacêutica especialista em diabetes, Dra. Mônica Lenzi, em seu Guia para o Farmacêutico Clínico no Controle Glicêmico do Paciente Diabético, produzido com exclusividade para o ICTQ (baixe aqui), “atender as necessidades das pessoas com diabetes e seus cuidadores, requer também a compreensão dos múltiplos fatores que interagem para influenciar a adesão do paciente ao tratamento prescrito e adaptação à doença”. Logo, ter um método bem-sucedido na condução de uma consulta farmacêutica com pacientes pré-diabéticos e diabéticos, é primordial. Não basta identificar problemas no consultório. É preciso saber convencer o paciente de que o problema precisa ser tratado para que se tenha uma relativa qualidade de vida.

4. Schmidt explica que o profissional deve ter o conhecimento adequado e específico para orientar o paciente diabético. “O farmacêutico deve ter o entendimento sobre a patologia do paciente no atendimento. Saber quais são os medicamentos que ele faz uso diário e esporádico, orientá-lo sobre horários de uso do medicamento e, dependendo, sugerir e encaminhar o paciente para consulta médica”.

André conta ainda que, através do atendimento farmacêutico, é possível saber as reações adversas dos medicamentos e os desconfortos que o paciente sente ao utilizar algum medicamento. “Existem medicamentos para diabetes que geram reações como diarreia, criando motivo para o abandono no tratamento por parte do paciente. Nesses casos, por exemplo, é possível fazer uma carta ao médico solicitando a substituição de um determinado medicamento por outro, ou ainda ajustar a dose do medicamento para conforto do paciente”.

Mais sobre o diabetes        

O ICTQ conversou com um médico endocrinologista que atua em um dos centros hospitalares de maior referência na América Latina. O Dr. Carlos A. Minanni, do Hospital Sírio Libanês, compartilhou com exclusividade, 6 informações e conhecimentos que demandam a atenção do farmacêutico clínico no cuidado do paciente diabético. Confira:

1. Embora existam várias classificações para o diabetes, a mais comum é dividir em tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2). O DM1, que corresponde cerca de 10% dos casos, possui uma origem autoimune, ocorrendo geralmente em indivíduos mais jovens, até mesmo crianças, e evoluindo rapidamente para uma necessidade de uso de insulina em múltiplas doses. Já o DM2, correspondente aos outros 90% dos casos, ocorre em indivíduos mais velhos, está muito associado à obesidade e sedentarismo, e é ocasionado principalmente por resistência à ação da insulina. Embora a maior parte dos indivíduos seja tratada com medicamentos orais (comprimidos), poderá haver a necessidade do uso de insulina em fases mais avançadas. Por isso hoje em dia não se recomenda mais a divisão do diabetes em “insulinodependente” ou “não insulinodependentes”, já que ambos os casos poderão necessitar de insulina.

2. O diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas na qual ocorre elevação da glicose no sangue (glicemia), podendo levar a sintomas como aumento da sede e da fome, e aumento da diurese. O diagnóstico é confirmado através do exame de sangue, no qual, se observa elevação da glicemia em jejum (>126mg/dl) e/ou da hemoglobina glicada (>6,5%), que deverão ser repetidos a fim de se ter certeza dos resultados. Também poderá ser identificado através do exame de curva glicêmica.

3. Sobre o diabete insipidus: Este tipo de diabetes nada tem a ver com a quantidade de glicose no sangue, mas está diretamente relacionada à perda de água pelo organismo. O indivíduo urina em demasia, colocando para fora a água que deveria estar armazenada no organismo. O resultado pode ser uma desidratação e sede excessiva. Importante saber: O ADH é o hormônio que controla a quantidade de água do organismo. Quando está faltando, pede água, quando está sobrando, elimina água pela urina. Quem tem este tipo de diabetes para de produzir o ADH e por isso urina demais. O jeito é repor o hormônio via oral e beber bastante água. Já o diabetes Insípidos Nefrogênio não é a falta de ADH e sim uma função errônea do hormônio no rim, que não trabalha direito e age como se o diabetes não existisse. O tratamento é feito com suspensão do lítio e correção dos distúrbios de cálcio e potássio.

4. Sobre como deve funcionar a automonitorização: A glicemia é algo dinâmico, varia conforme a nossa alimentação, se fazemos atividade física, se estamos resfriados ou até mesmo no período menstrual das mulheres. Embora a hemoglobina glicada seja um exame que permita ter uma ideia da média da glicose nos últimos 90 dias, a automonitorização nos permite entender a flutuação da glicemia ao longo do dia. Assim, sabemos quanto estava antes da pessoa se alimentar, e para quanto foi depois que comeu. Também permite que saibamos o valor da glicemia antes de fazer atividade física ou mesmo dirigir, prevenindo assim o risco de hipoglicemias. Existem várias marcas de glicosímetros, que se utilizam de uma pequena gota de sangue obtida da ponta dos dedos, que em contato com uma fita reagente nos informa o valor da glicemia capilar. Mais recentemente surgiram alguns dispositivos que ficam aderidos à pele e fornecem uma medida contínua, sendo trocado a cada duas semanas. 

5. O acompanhamento médico, farmacêutico, bem como com a nutricionista e o profissional de educação física, é capaz de prevenir o desenvolvimento do diabetes em indivíduos de risco. Naqueles já portadores do diabetes, o acompanhamento permite um controle adequado a fim de evitar as complicações da doença, como alterações nos olhos, nos rins e nos pés. Dieta saudável, atividade física regular, peso adequado e cessação do tabagismo (que podem ser propostas na farmácia) são medidas fundamentais para o tratamento da doença. Além disso, poderão ser necessários uso de medicamentos orais (comprimidos) ou de uso subcutâneo, como a insulina.

6. Por que tratar? A hiperglicemia crônica pode causar danos aos pequenos vasos do corpo, em especial na região da retina, podendo ocasionar perda da visão; nos rins, podendo levar a necessidade de diálise, e nos nervos periféricos, ocasionando perda da sensibilidade e risco de formação de úlceras, principalmente nos pés. Tudo isso pode ser evitado com um bom controle glicêmico. Hoje em dia existem vários tipos de medicamentos orais, inclusive alguns combinados que facilitam a adesão. Também existem medicamentos de uso subcutâneo, com uso até mesmo semanal. Para o seguimento da glicemia, a última inovação é um sensor que dura duas semanas e monitora continuamente a glicemia.

Mapa do diabetes

Apesar de hoje em dia existir acesso à informação e educação sobre à tematica, as estatísticas desta doença ainda são alarmantes. Vários esforços têm sido realizados pelo Ministério da Saúde, a nível de atendimento no SUS nos últimos 20 anos. Uma iniciativa que é feita já há vários anos pelo Ministério da Saúde é a oferta de seis tipos de medicamentos completamente gratuitos no programa Farmácia Popular. Mais de 9 milhões de pessoas já fizeram uso do programa e obtiveram tratamento para os dois tipos de diabetes:

  • O conhecido Cloridrato de Metformina 500mg ou 850mg
  • A Glibenclamida 5mg
  • Insulina Humana ou Insulina Humana Regular 100ui/ml

O paciente pode retirar o produto em qualquer um dos 34,5 mil estabelecimentos do programa, sendo 532 da rede própria do SUS e 33,9 mil farmácias particulares credenciadas. Para retirar os medicamentos, basta apresentar um documento de identidade com foto, CPF e receita médica dentro do prazo de validade (120 dias). A receita pode ser emitida tanto por um profissional do SUS quanto por um médico que atende em hospitais ou clínicas privadas.

Prevalência:

Segundo Pesquisa do Ministério da Saúde, o diabetes cresceu mais de 61,8% nos últimos 10 anos.

  • 14,250 milhões de Brasileiros sofrem de diabetes. Cerca da metade não sabem que sofrem da doença (não foram diagnosticados)
  • Prevalência nacional da doença: 10,2%. (Representando 8,9% em 2016 e 5,5% em 2006)
  • Prevalência de 9,9% nas mulheres e 7,8% nos homens

Cidades com maior prevalência:

Rio de Janeiro é a cidade com maior numero, com 10,4 casos para cada 100 mil habitantes. Depois aparecem: Natal e Belo Horizonte (ambos com 10,1), São Paulo (10), Vitória (9,7), Recife e Curitiba (ambos com 9,6). Boa Vista tem a menor prevalência com apenas 5,3 casos por 100 mil habitantes.

Tags: farmacêutica, pesquisa, profissão farmacêutica

Atendimento

Atendimento de segunda a sexta-feira,
das 08:00 às 18:00 horas.

Telefones:

  • 0800 602 6660
  • (62) 3937-7056
  • (62) 3937-7063

Whatsapp

  • (62) 99473-1495

 

 

Endereço

Escritório administrativo - Goiás

Rua Benjamin Constant, nº 1491, Centro, Anápolis - GO.

CEP: 75.024-020

Escritório administrativo - São Paulo

Rua: Haddock Lobo, n° 131, Sala: 910, Cerqueira César.

CEP: 01414-001 , São Paulo -SP.

Telefones:

(11) 2607-6688
(11) 2268-4286

Fale conosco