Como conquistar uma carreira de sucesso na farmácia comunitária

Como conquistar uma carreira de sucesso na farmácia comunitária

Em uma primeira análise, sem dúvidas, o sucesso profissional está intimamente ligado ao desenvolvimento humano. A qualificação profissional é um passo estratégico para alçar novos patamares profissionais. Sem a devida busca por conhecimento constante, a escalada profissional é mais lenta, e pode ser mais desafiadora.

Essa é a ideia defendida pelo farmacêutico, dr. Carlos Wangles. Entre seus preceitos, ele acredita que uma das coisas que é preciso ter em mente é que a dificuldade faz parte do caminho, e que errar também faz parte do processo. Entretanto, ele defende que, jamais, as pessoas devem se dar por vencidas, já que os erros são uma excelente oportunidade para o crescimento profissional. A questão é aproveitar os momentos e manter o foco constante na meta profissional sonhada.

Wangles, que fez pós-graduação no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, defende que a capacitação é o melhor caminho para o crescimento profissional. Para expor essas e outras ideias, ele concedeu entrevista exclusiva ao ICTQ. Acompanhe!

ICTQ – Você poderia nos contar um pouco de sua trajetória?

Carlos Wangles - Nesses anos como profissional tive muitos desafios. Por morar no interior do Ceará, não temos muitos locais de trabalho. Assim, comecei numa farmácia comunitária local, mas nunca perdi o sonho de alçar grandes voos. Em pouco tempo fui escolhido para atuar profissionalmente numa grande rede do varejo farmacêutico, mas o desafio era grande, pois ficava há 100 quilômetros de distância da minha casa. Mesmo assim, investi no sonho e encarei. Ia e voltava todos os dias.

Pensando mais alto, decidi cursar a pós-graduação do ICTQ, em 2013, quando foi possível, aos farmacêuticos, prescreverem Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP). Assim, fui fazer o curso de Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica na Instituição.

A pós-graduação abriu muito a minha visão de mercado de trabalho, além das perspectivas do que o farmacêutico pode alcançar e do que ele é capaz. O curso foi estratégico naquele momento, porque foi pouco depois das resoluções 585 e 586, e pouca gente entendia da farmácia clínica. Isso me ajudou muito e abrir a minha visão do potencial que o farmacêutico tem e o quanto ele impacta a sociedade.

Por conta disso, em poucos meses, fui convidado para o programa de gerente trainee da rede, no qual fiquei por dois anos atuando como gerente. Esse foi meu primeiro contato com o lado de gerir uma farmácia comunitária.

Naquele período também fui convidado pela Universidade local para ser preceptor do curso de Farmácia, e comecei a receber os alunos. Aquele também foi meu primeiro momento como professor universitário, mesmo que em estágio. O convite para assumir uma cadeira veio posteriormente, quando encarei disciplinas nos cursos de Farmácia e também de Nutrição.

ICTQ – Como foi essa experiência acadêmica?

Carlos Wangles - Minha atuação profissional me trouxe para a disciplina de Práticas Profissionais I e II, onde amava expressar minha expertise para os alunos e ver o brilho e o sonho em seus olhos. Posteriormente, assumi a disciplina de Administração Farmacêutica, quando tive a oportunidade de passar um pouco da minha experiência como gestor dentro da farmácia comunitária privada. Tudo isso, graças à pós-graduação que fiz no ICTQ.

Naquele momento deparei com algo que iria me marcar futuramente, um manual de gestão farmacêutica produzido pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). No Curso de Nutrição fui responsável por passar algum conhecimento sobre a farmacologia e como ela afeta, e é afetada, pela ingestão de alimentos, algo que me aprimorou, pois estudo e atualização são muito necessários.

O que mais me motivava era o momento das defesas de teses no fim do semestre. Adorava ver a alegria dos novos profissionais e de saber que tinha plantado uma boa sementinha naquele colega profissional.

ICTQ – E você continuava atuando na rede?

Carlos Wangles – Sim. Nesse intervalo já atuava na minha cidade como farmacêutico, pois aquela rede abrira uma nova filial, e o local escolhido foi onde residia. Pensando que os desafios já findaram, fui convidado a assumir a coordenação da assistência farmacêutica do Município, quando tive a minha primeira experiência no Sistema Único de Saúde. Gerir uma farmácia comunitária pública foi um desafio, mas, desafios existem para ser superados.

Tomei para mim a responsabilidade de manter o estoque de medicamentos do componente especializado da Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde. Foi uma experiência maravilhosa e, por vezes, triste, pois presenciar a falta de alguns medicamentos para doenças específicas, medicamentos por muitas vezes de preço elevado, era de partir o coração. Entretanto, ao mesmo tempo, ver a satisfação e alegria por conseguir manter o tratamento de alguns pacientes que precisavam e dependiam do medicamento para não sentir dor ou interromper o tratamento era motivador.

ICTQ – E como começou seu período de militância?

Carlos Wangles - Eu sempre militei em favor da profissão farmacêutica. Em 2015 fui eleito conselheiro federal suplente do Estado e, em 2016, tive o feliz convite de ingressar num Grupo de Trabalhos em Farmácia Comunitária do Conselho Federal. Eu não conhecia esse mundo, apenas tinha ideias de como poderíamos melhorar nossa atuação, sempre com fulcro na união, harmonia e diálogo e imbuído dos conceitos aprendidos na pós-graduação do ICTQ.

Na época, fui responsável, juntamente com o dr. Eugenio Muniz, por melhorias no Sistema Registre, um software para registrar os serviços clínicos farmacêuticos do CFF. Fizemos um diagnóstico de como melhorá-lo e o apresentamos para que o CFF providenciasse os upgrades. Foi um momento maravilhoso, de entrar em contato com vários profissionais cujos nomes eu só lia em artigos e matérias, como o do dr. Amílson Alvares, dr. Rodrigo Magalhães, dr. Salomão Kwage, dentre outros, que eram expoentes da farmácia comunitária no Brasil na área de gestão e serviços clínicos.

Foi quando percebi que estava ao lado de profissionais que tinham criado a cartilha que eu usava nas minhas aulas. Fiquei feliz e agradecido ao mesmo tempo, por todas as dificuldades que passei para chegar até lá e por poder colaborar e criar algo que tenha impacto na vida dos farmacêuticos de todo o País.

ICTQ – Qual é seu grande sonho no momento?

Carlos Wangles - Vejo que chegou o momento de criar, depois de vários anos! Em breve colocarei em prática tudo que aprendi na área de farmácia clínica, tecnologia farmacêutica para a farmácia comunitária, serviços farmacêuticos e fazer nascer um sonho de alguns anos atrás, de uma farmácia comunitária diferenciada. Sei que isso pode soar estranho e comum, mas tenho visão em que os serviços farmacêuticos podem alcançar um novo degrau, e tenho a convicção da necessidade social e de seus impactos sociais.

Lógico que hoje no Brasil existem estabelecimentos farmacêuticos que possuem uma excelente tecnologia engajada, mas falta o algo a mais, o plus que ainda não chegou ao varejo farmacêutico. Esse plus, na minha visão, sempre foi a experiência pós-venda, ir além da venda, não apenas para encantar o paciente, mas para monitorar a saúde dele, sem que ele se sinta incomodado.

ICTQ – Seria para a fidelização o cliente?

Carlos Wangles - Alguns outros mercados já fazem isso com maestria, e mesmo assim, algumas vezes, é uma experiência frustrante dentro do varejo. O que penso é uma verdadeira experiência de satisfação dentro da farmácia comunitária, de forma que não simplesmente o paciente seja fidelizado, mas que expresse confiança e satisfação em frequentar o ambiente, e que tenha no pensamento como primeira escolha quando desejar solucionar ou buscar orientação para um problema de saúde.

ICTQ - Quanto uma pós-graduação consistente pesa para que o profissional alcance o sucesso?

Carlos Wangles - Durante toda a minha vida profissional saí em busca de conhecimento. Essa é uma época digital, então, eu tenho que aproveitar. Quando o farmacêutico passou a fazer prescrição dos MIPs, senti que era necessário algo a mais para me qualificar na área. Como mencionei anteriormente, a vontade era maior que a dificuldade, então, encarei mais esse desafio, e entrei no curso do ICTQ! Outra vez, não foi fácil, já que a especialização seria ministrada em Fortaleza, ou seja, há 300 quilômetros de distância.

Recordo-me, ainda hoje, do impacto que foi a primeira aula com o dr. Leonardo Doro Pires. Que aula memorável, atualizada e nada cansativa! Principalmente para mim, que já estava cansado de ter percorrido 300 quilômetros para ir, e que ainda teria mais 300 quilômetros para retornar.

Nos dias de aula, eu e meu colega saíamos às 2h da manhã. Chegávamos a Fortaleza às 7h. Tínhamos aula o dia todo, e retornávamos, chegando muitas vezes às 22h em casa. Mas, sem dúvidas, valeu todo o esforço.

Ao fim, tive contato com professores maravilhosos e queria citar um muito marcante que foi o dr. Dirceu Raposo. Conhecer o farmacêutico que introduziu o embrião dos serviços clínicos farmacêuticos na Anvisa foi memorável, e vê-lo passar a sua experiência foi impagável! Sou muito grato ao ICTQ por prover esse momento.

Antes de findar a especialização, encarei o desafio grande de entrar num mestrado. Escolhi Biotecnologia, principalmente, por unir duas áreas que amo, a bioquímica e a tecnologia de ponta. Assim, acabei passando em primeiro lugar, mas, um pouco antes de qualificar o projeto de pesquisa tive que abandonar o curso por motivos de saúde na família. Entretanto, ainda tenho o projeto de cursar o mestrado e depois o doutorado.

Para minha surpresa, durante o curso de especialização, o ICTQ promoveu um concurso nacional sobre artigos relevantes para o segmento farmacêutico, que seriam publicados em seu anuário. Havia vários temas e, logicamente, escolhi a farmácia comunitária. Fui um dos alunos escolhidos pela qualidade do artigo e, por isso, também ganhei uma viagem da Instituição para ir à Nova Iorque participar da Interphex - uma das maiores feiras de biotecnologia do mundo.

Foi uma experiência surreal poder ver a tecnologia de ponta que não tinha chegado ainda ao Brasil, e que iria ditar os rumos da fabricação de medicamentos em breve. As palestras foram espetaculares, num formato que ainda não tinha visto, muito agradável e dinâmico, fora que, todas transmitidas ao vivo pela internet. Hoje pode até parecer comum, mas na época, da forma que fizeram, sem dúvidas era sem igual.

Durante os últimos anos passei a apresentar, em congressos, vários trabalhos científicos, todos centrados na farmácia comunitária. Um último que apresentei é sobre pacientes que usam medicamentos antipsicóticos e a exposição deles a defensivos agrícolas. Como a região em que moro é produtora de hortaliças e frutas, muitos pacientes que moram nos locais de plantio são expostos a esses agrotóxicos. Notei que são usuários crônicos de medicamentos antipsicóticos, então, fiz uma pesquisa traçando o perfil desses pacientes, que foi bem desafiadora e, ao mesmo tempo, uma experiência maravilhosa.

ICTQ - Você poderia nos contar um pouco sobre sua formação?

Carlos Wangles - Cursei Farmácia na Universidade de Fortaleza. Como mencionei, fiz especialização em Farmácia Clínica pelo ICTQ; comecei o mestrado em Biotecnologia pela Uninta, mas não pude concluí-lo; e terminei, há pouco, uma nova especialização em Gestão no SUS. Tenho meta de cursar novamente o mestrado, além de uma nova graduação, provavelmente em direito, por entender que seja essencial para o cidadão, mas desejo atrelar esse conhecimento juntamente com a experiência de farmacêutico, inspirado no dr. Eugenio Muniz.

ICTQ - De que maneira o seu perfil o levou à ascensão profissional?

Carlos Wangles - A busca por atualização me trouxe para esse caminho. Eu não tinha noção, ainda da universidade, do que iria encontrar no futuro, mas fui bem preparado para isso, graças aos meus professores, a quem sou muito grato até hoje.

Sempre fui encantado pela tecnologia e pelas facilidades que ela pode prover, principalmente aplicada à minha profissão. Creio que podemos também criar algo, ou melhorar o que já há disponível no mercado. O que muitos não enxergam é, justamente, a simples solução de problemas diários. Busco resolver o simples, que dá, muitas vezes, o impacto enorme no bem-estar. Não é ruim se espelhar em cases de sucesso. Sou fã da visão de Steve Jobs, gosto de como ele enxergava o futuro, e penso muito nisso aplicado à farmácia comunitária, ou seja, o uso da tecnologia para facilitar a vida do profissional farmacêutico, prestando serviços clínicos na farmácia comunitária.

ICTQ - Quais foram as suas principais motivações no decorrer do tempo para obter êxito na sua carreira profissional?

Carlos Wangles - Minha família é minha base. Minha esposa sempre me motivou, depois chegaram os filhos. Ser um bom exemplo de pai e profissional aos olhos deles me motiva a ser melhor a cada dia. Tenho uma educação cristã, sou membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos Dos Últimos Dias, tenho princípios muito bem enraizados. Esses princípios me norteiam. Com isso, fica mais fácil superar desafios, além de ter metas tangíveis quando se tem uma base sobre a qual podemos usar como suporte.

 ICTQ - Quais dicas você pode dar para quem está começando no segmento?

Carlos Wangles - Observe seus limites, mas com a mente de que pode superar todos eles. Tendo, como base, a ética e o bom senso tudo pode ser alcançado! Não busque uma rápida acessão, mas tenha a visão muito clara do caminho a percorrer, e jamais sozinho, sempre com pessoas para motivar: a família e os amigos verdadeiros serão o diferencial para sempre seguir em frente. Conhecimento nunca é o suficiente, faça uma pós-graduação e sempre busque ser proativo, sem esperar algo em troca, apenas vá lá e faça!

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