Atenção clínica farmacêutica em grupos especiais

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (2010), os erros relacionados à medicação são 25% dos problemas com a saúde no mundo, sendo que mais de 50% de todos os medicamentos são incorretamente prescritos, dispensados e vendidos. Nesse contexto, destaca-se a importância do profissional farmacêutico, não só na prevenção de riscos relacionados ao uso dos medicamentos, mas também na manutenção da saúde de pacientes que compõem os grupos especiais, como gestantes e pacientes obesos, hipertensos, diabéticos e imunodeprimidos, que são os cinco grupos abordados nessa matéria.

De acordo com a farmacêutica e professora do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, dra. Rita Sampaio, a atenção farmacêutica é uma prática que prioriza a orientação e o acompanhamento farmacoterapêutico dos pacientes, e é eficaz na redução dos agravos de doenças e nos custos para o sistema de saúde.

Atenção farmacêutica em gestantes

No período da gestação, a atenção farmacêutica em gestantes ajuda a reduzir a automedicação, diminuindo os riscos para a mãe e o feto por seu uso indevido. Contribui para a eficácia terapêutica dos tratamentos medicamentosos e ajuda na educação em saúde sobre as doenças e suas complicações.

De acordo com Rita, a alteração fisiológica do corpo materno gera manifestações clínicas próprias da gravidez, como distúrbios gastrointestinais (náusea, vômito, pirose e refluxo gastresofágico), alteração da resistência imunológica (infecções), alterações vasculares (dores, inchaço, hipertensão), desregulação hormonal (diabetes) e desordens dermatológicas (cloasma e estrias).

A professora explica que as mudanças na farmacocinética e farmacodinâmica dos medicamentos acendem um sinal de alerta ao uso de medicamentos durante a gravidez, já que podem causar desde intoxicações até a morte. A motilidade intestinal fica reduzida e o tempo de esvaziamento gástrico aumentado, alterando o processo de absorção.

Há um aumento no volume sanguíneo, aumento de massa corporal e redução da ligação da proteína do plasma, alterando a etapa de distribuição. O nível de albumina encontra-se reduzido, comprometendo o metabolismo. A taxa de filtração glomerular e o fluxo de sangue renal estão aumentados, alterando a excreção de fármacos. Esses eventos ocorrem entre a 6ª e a 30ª semana de gestação.

“Todas essas mudanças exigem cautela no tratamento medicamentoso durante a gestação e pedem ações não farmacológicas, quando possível. Faz-se necessária uma avaliação minuciosa da relação risco-benefício da farmacoterapia na gravidez, e o farmacêutico é o profissional capacitado a dar essas orientações”, fala Rita.

O inchaço é um problema prevalente em cerca de 80% das gestantes. Normalmente inicia a partir do 3º mês de gestação e piora progressivamente. A causa é multifatorial e envolve as alterações hormonais que ajudam na retenção de líquidos, como também está relacionada à ação gravitacional nos capilares dos membros inferiores e a pressão na área pélvica devido ao útero aumentado pelo crescimento do bebê.

O acúmulo de líquidos também pode gerar alterações na dimensão dos pés, o que pode ser acentuado com a frouxidão ligamentar que atinge diretamente a musculatura. Nesse caso a frouxidão do ligamento se dá pela ação dos hormônios: progesterona, estrógeno, cortisol e principalmente pela relaxina. Em gestantes a relaxina atua estimulando a expressão da colagenase e a síntese de colágeno, que vai agir principalmente na remodelação do tecido conjuntivo da pelve, impedindo a contratilidade uterina. O corpo lúteo é responsável pela sua produção, estando presente também durante o ciclo menstrual. A alteração anatômica do pé causa muito desconforto nas gestantes e é mais acentuada no sobrepeso e obesidade.

“O farmacêutico, durante a atenção farmacêutica à gestante, deve privilegiar medidas não farmacológicas, orientando-a a aumentar a ingestão de água para melhorar o fluxo de líquidos e a diurese, evitar substituir a água por café, refrigerantes e bebidas açucaradas e controlar a ingestão de sal, principalmente moderando o consumo de alimentos processados”, ressalta Rita.

Para aumentar a circulação sanguínea e evitar inchaços, a gestante pode deitar-se de pernas para cima. Usar roupas confortáveis não apertadas e verificar com o médico a possibilidade de usar meias de compressão, além de fazer drenagens e massagens que auxiliam nesse processo e incluir na dieta o consumo de frutas e vegetais que possuam ação diurética e drenante.

O uso de chás deve ser feito com cautela devido à ação abortiva de algumas plantas. “O farmacêutico deve identificar a existência de outros problemas de saúde relacionados que possam contraindicar esses procedimentos e encaminhar ao médico”, comenta a professora.

Outra alteração importante é o ganho de peso, e que sugere um acompanhamento nutricional da gestante. O trabalho inter e multidisciplinar do farmacêutico com o nutricionista e outros profissionais constitui um fator determinante na prevenção de doenças decorrentes do aumento de peso, como a síndrome metabólica. Ainda sobre as alterações fisiológicas gestacionais, o aumento dos seios constitui um sinal importante nessa fase e os fatores que contribuem para isso são: a produção de hormônios como estrógeno, prolactina, hormônio de crescimento, glicocorticoides adrenais, insulina e progesterona e do leite materno.

“Vale salientar a importância do farmacêutico em orientar e incentivar a gestante à amamentação. O colostro humano possui propriedades nutritivas únicas, possuindo uma composição mais proteica e menos lipídica que o leite maduro, além de fatores imunológicos que protegem a criança contra infecções (IgA, gM e IgG, macrófagos, neutrófilos, linfócitos B e T, lactoferrina, lisosima)”, alerta a professora.

A atenção farmacêutica nas desordens dermatológicas gestacionais implica em conhecimentos sobre fisiopatologia e farmacologia aplicada. Os estudos sobre a segurança dos medicamentos clareadores, assim como os dermocosméticos geralmente são escassos para esse grupo, tornando-se potencialmente teratogênicos.

Nesse contexto, o manejo das doenças dermatológicas privilegia cuidados preventivos em detrimento da segurança do concepto. A pele, durante a fase gestacional, pode sofrer alterações importantes como hiperpigmentações e estrias. No primeiro caso, o melasma (manchas escuras na face, pescoço e antebraços), acomete cerca de 90% das mulheres grávidas, motivado pela alta estimulação hormonal principalmente, estrógeno, progesterona e do hormônio melanocítico estimulante (MSH).

O tratamento é preventivo, preferindo-se o uso de filtro solar composto por filtros físicos e de amplo espectro. Recomenda-se também evitar a exposição solar excessiva e usar chapéus e roupas com fator de proteção solar (FPS) no caso de história familiar de melasma e fototipos altos.

“Em geral, orienta-se iniciar o tratamento das manchas que surgem durante a gestação após o parto, período em que o manejo é mais seguro. Já as estrias, alterações no tecido conjuntivo que rompem as fibras de sustentação da pele, acometem um grande número de gestantes motivadas pelo aumento de peso na região abdominal, aumento dos seios, estiramento e ressecamento excessivo da pele”, lembra Rita.

Nesse caso, o uso de hidratantes a base de óleos vegetais, como óleo de amêndoas e óleo de semente de uva, por exemplo, pode melhorar o nível de hidratação da pele da gestante de forma segura e eficaz. Segundo ela, o farmacêutico deve conhecer os produtos dermocosméticos desenvolvidos para as gestantes, assim como sua composição, características e aspectos de segurança. Existem diversas substâncias proibidas com potencial irritativo e são consideradas perigosas para uso, e devem ser evitadas.

Outras complicações

A hipertensão arterial na gravidez se apresenta como a terceira causa de morte materna no mundo e a primeira no Brasil. A classificação divide a doença em quatro grupos: Hipertensão crônica, Pré-eclâmpsia/Eclampsia, Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica e Hipertensão gestacional. O manejo da hipertensão gestacional exige o diagnóstico médico e o acompanhamento da equipe multidisciplinar, em que o farmacêutico, juntamente com a equipe de saúde, corrobora com as orientações quanto ao uso correto dos medicamentos, auxiliando na adesão do paciente ao tratamento e evitando riscos como prematuridade, baixo peso ao nascer e complicações clínicas crônicas.

O objetivo do tratamento fundamenta-se em reduzir o risco materno-fetal e preservar a vida. A atenção farmacêutica na hipertensão gestacional tem como ações o seguimento farmacoterapêutico e o acompanhamento da pressão arterial voltada à promoção, proteção e recuperação a saúde, promovendo o acesso aos medicamentos e seu uso racional.

Para isso, se faz necessária a escolha da metodologia adequada e de acordo com protocolos clínicos para aferição e registro. “Vale salientar que os medicamentos são agrupados segundo o grau de risco em cinco categorias (A, B, C, D e X) e o farmacêutico deve buscar esse conhecimento no acompanhamento da paciente grávida”, alerta Rita.

Os tratamentos disponíveis são os farmacológicos, representado pelos anti-hipertensivos e não farmacológicos, em que a paciente deve ser orientada a diminuir as atividades físicas, cessar o consumo de álcool e cigarro e reduzir a ingestão de bebidas que contenham cafeína. O tratamento medicamentoso requer cuidados e preocupações, e o profissional farmacêutico é de grande importância neste processo, por possuir conhecimento aprofundado sobre medicamento, contribuindo na adesão da farmacoterapia, auxiliando e promovendo o uso racional.

Considerado o problema metabólico mais frequente na gravidez, o Diabetes Mellitus acomete até 25% das gestantes. Nesse caso, a atenção farmacêutica é imprescindível em conjunto com a equipe de saúde. O farmacêutico auxilia a paciente com a correta administração da insulina, cálculo de dose, horários, identificação de problemas relacionados ao medicamento, interações medicamentosas e acompanhamento da glicemia, colaborando para a eficácia do tratamento e diminuição dos impactos do Diabetes Mellitus durante e após o parto.

A doença é caracterizada pela redução da eficácia biológica da insulina, da deficiência na sua produção ou ambas. O Diabetes Mellitus Gestacional é um dos tipos na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Associação Americana de Diabetes (ADA) seguida do Diabetes Mellitus Tipo I e II. A hiperglicemia é característica da doença e pode acarretar morbidade fetal e da mãe, resultando em anomalias congênitas e malformações, parto prematuro e efeitos teratogênicos.

Alguns hormônios chamados diabetogênicos podem favorecer a hiperglicemia gestacional, como o hormônio lactogênico placentário, o cortisol, o estrógeno, a progesterona e a prolactina. O controle da glicemia na gestação é fundamental já que complicações crônicas podem surgir, como nefropatia, neuropatia, retinopatia, artropatia de Charcot e manifestações de disfunção autonômica.

O tratamento do Diabetes Gestacional inicia com a orientação nutricional e a recomendação da prática de exercícios físicos. Gestantes que não conseguem ter um controle adequado da glicemia por meio da dieta e atividade física, o uso da insulina é definido como tratamento padrão para o diabetes mellitus gestacional seguida da metformina e da glibenclamida.

Náuseas e vômitos

Durante a gravidez destaca-se a alta incidência de náuseas e vômitos decorrentes dos efeitos hormonais causados pelo estrógeno e progesterona produzidos pela placenta. Eles modificam o tônus da musculatura lisa, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no estômago e o esfíncter inferior do esôfago tende a relaxar-se, permitindo o refluxo do conteúdo estomacal para o esôfago.

O uso de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) é muito comum entre as gestantes e estudos apontam o risco de malformações congênitas pelo seu uso. “A atenção farmacêutica reduz o risco que esses medicamentos podem trazer, uma vez que a segurança do medicamento é avaliada pelo farmacêutico na dispensação e todas as orientações quanto ao uso correto são passadas para a gestante”, defende a professora.

Como medidas não farmacológicas recomenda-se mudança na dieta como a ingestão de pequenas quantidades de líquido ou alimento em cada refeição e diminuir os intervalos, evitando assim que o estômago fique vazio. Alimentos ricos em gordura e picantes devem ser evitados.

A pirose e o refluxo gastroesofágico estão entre os sintomas mais recorrentes acometendo até 50% das gestantes. Os motivos estão nas alterações da fisiologia e anatomia do sistema digestivo como a diminuição da pressão do esfíncter inferior do esôfago, o aumento secundário da pressão intra-abdominal, o alargamento do útero e as alterações no trânsito gastrointestinal.

Pela alta prevalência, destaca-se a importância da atenção farmacêutica que minimiza o risco da automedicação, muito comum nesses casos. Os antiácidos são os medicamentos mais utilizados para alívio sintomático da pirose e refluxo, porém não há relatos de segurança, podendo interferir sobre o desenvolvimento fetal.

Isso se dá pela interação com íons presentes no sangue e que fazem parte da estrutura óssea do feto. O consumo em altas concentrações de sais de cálcio, magnésio ou associados a medicamentos que contêm vitamina D pode ocasionar hipercalcemia e hipermagnesemia. Como medida não farmacológica para a gestante para evitar o refluxo é a elevação da cabeceira da cama. Além disso, há as mudanças na dieta, ingestão de líquido e alimentos em pequenas quantidades, assim como mudanças no estilo de vida.

Constipação intestinal

A constipação intestinal é caracterizada pelos movimentos intestinais pouco frequentes ou evacuação difícil. Durante a gestação alguns fatores estão relacionados, como o aumento progressivo de estrógeno e progesterona, as mudanças anatômicas e fisiológicas do trato gastrointestinal, bem como a dieta pobre em fibras. A ampliação do útero pode afetar anatomicamente o intestino, reduzindo o movimento fecal. O uso de laxantes deve ser cauteloso já que é uma classe terapêutica pouco avaliada em ensaios clínicos para uso na gravidez, apesar de terem absorção sistêmica mínima.

No entanto, recomenda-se que os laxantes osmóticos e estimulantes devem ser usados durante um curto prazo ou, ocasionalmente, para evitar a desidratação ou desequilíbrios eletrolíticos. O tratamento não farmacológico inclui desde mudanças na dieta, exercícios físicos, maior hidratação até uma maior ingestão de fibras. “Adicionalmente, o uso de probióticos por gestantes para o tratamento da constipação leva a uma melhora no quadro geral, aumento de frequência, alívio na sensação ao defecar, diminuição do esforço e episódios de dores abdominais”, sugere Rita.

Durante a gestação outra queixa comum são as dores posicionais especialmente no terceiro trimestre. A principal causa está relacionada ao aumento da massa e peso corporal do feto. A classe de medicamentos frequentemente utilizada pelas gestantes são os anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), em que o paracetamol é o fármaco que apresenta melhor seguridade ao feto.

O uso de AINES no terceiro trimestre gestacional aumenta o potencial risco de constrição prematura do ducto intrauterino arterial, o que resulta na hipertensão pulmonar fetal e diminuição do líquido amniótico. Pelo risco de somatizar outros sintomas inerentes à gestação, como pirose, náuseas e refluxo gastroesofágico, o uso dos AINES deve ser evitado sempre que possível. Recomenda-se, como métodos não farmacológicos e eficácia comprovada, hidroginástica, fisioterapia e acupuntura.

A deficiência de micronutrientes durante a gestação é um problema bastante frequente. Um dos fatores que leva a essa deficiência está relacionado ao aumento do volume plasmático que altera as concentrações de proteínas circulantes e diminuem suas ligações com micronutrientes.

Nesse contexto é importante aumentar o aporte de micronutrientes por causa da expansão da massa eritrocitária, crescimento e desenvolvimento cerebral do feto. Durante todo o período gestacional o ferro é necessário para diferentes funções. No primeiro trimestre a exigência de folato (vitamina B12) e ferro está principalmente atrelada ao desenvolvimento do tubo neural e aos processos de divisão celular.

“Já no terceiro trimestre há relação com o armazenamento de ferro pelo feto para a consolidação do sangue fetal. A deficiência de ferro (anemia) está vinculada a complicações na gestação, a partos prematuros, neonatos subdesenvolvidos e risco de morte durante o período perinatal aumentado”, ressalta Rita.

Atenção farmacêutica na obesidade

A obesidade é considerada um problema de saúde pública e estima-se que até 2025 cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões fiquem obesos, de acordo com Rita.

Sabe-se que é uma doença que pode acarretar doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), doenças metabólicas, como Diabetes Mellitus, dislipidemias e doenças ortopédicas, como artrose. Vários fatores têm sido relacionados como causa da obesidade, entre eles a hereditariedade, o sedentarismo e a dieta desequilibrada.

“Por meio da atenção farmacêutica, diversas ações são oferecidas ao paciente pelo farmacêutico com vistas à perda de peso sustentável e a melhora da sua qualidade de vida. Entre elas o acompanhamento farmacoterapêutico, a verificação de parâmetros bioquímicos para avaliação da evolução do tratamento, a educação em saúde para fomentar o autoconhecimento e entender a sua atual condição, bem como o incentivo à dieta saudável e a prática de atividades físicas pelo paciente”, destaca.

Um dos principais métodos para diagnosticar a obesidade é o cálculo do índice de massa corpórea (IMC), quee relaciona o paciente ao risco de doenças. A tomada de medidas fornece informações úteis como a distribuição abdominal de gorduras à qual está associada a riscos potenciais para a saúde.

Essa metodologia é particularmente importante no acompanhamento farmacoterapêutico dos pacientes. A obesidade pode levar à resistência insulínica, Diabetes Mellitus tipo II, hipertensão e dislipidemias, aumentando os riscos coronarianos. “A aferição da glicemia capilar, da pressão arterial e o acompanhamento dos exames laboratoriais realizados pelo paciente no decorrer do tratamento são dados que o farmacêutico, dentro de um programa de atenção farmacêutica, acompanha, auxiliando a equipe de saúde na avaliação da evolução do tratamento e na identificação de problemas”, fala a professora.

Reeducação alimentar e atividade física

Todos esses procedimentos levam informação de qualidade, segurança e autoconfiança ao paciente, e otimizam os resultados. Além disso, uma boa reeducação alimentar, atividade física e, ocasionalmente ,a farmacoterapia fazem parte das bases do tratamento da obesidade.

Vale salientar a importância da equipe multi e interdisciplinar no acompanhamento do paciente, composta por nutricionista, médico e fisioterapeuta. Para Rita, o farmacêutico colabora com seus conhecimentos acerca dos medicamentos, efeitos adversos, interações medicamentosas, facilitando a adesão ao tratamento. Os medicamentos mais utilizados são os anorexígenos, seguido dos laxantes, diuréticos, hormônios tireoidianos, fitoterápicos, entre outros.

Existem riscos que envolvem o uso desses medicamentos, sobretudo a dependência, evidenciando a importância da reeducação alimentar e da prática de exercícios físicos para sustentar o tratamento.

A terapia com anorexígenos produz efeitos significativos na redução de peso e são conhecidos pelas propriedades estimulantes do sistema nervoso central, considerados agentes supressores ou moderadores do apetite, porque provocam anorexia por meio de ação sobre centros hipotalâmicos controladores do apetite.

Dentre os mais utilizados estão a amfepramona, femproporex, sibutramina, fluoxetina e mazindol. São medicamentos que têm efeitos definidos e estudados contra a obesidade, mas se tomados sem orientação podem trazer problemas. O farmacêutico, por conhecer o perfil farmacocinético desses fármacos, tem a responsabilidade de orientar a administração dos mesmos.

No caso da amfepramona, por exemplo, por possuir seu pico plasmático em 2 horas, o mais indicado seria administrá-la uma hora antes das refeições, para que a fome seja menor e o paciente consiga comer e não tenha hipoglicemia mais tarde. Outra característica importante é que o uso de medicamentos ácidos junto com anfepramona pode modificar seu perfil farmacoterapêutico.

Alguns relatos indicam que a sibutramina pode levar a um aumento da pressão arterial, então se recomenda que seja feito um acompanhamento da pressão sanguínea desses pacientes. Outro fármaco considerado de primeira escolha no tratamento da obesidade é o Orlistat. O seu mecanismo de ação está baseado na inibição das lipases intestinais o que reduz a absorção das gorduras da dieta em um terço.

“A atenção farmacêutica, nesse caso, se faz imprescindível uma vez que pacientes precisam ser orientados quanto a uma dieta equilibrada, pobre em gorduras para que não haja excesso de gordura eliminada pelas fezes e consequente diarreia”, lembra a professora.

A atenção farmacêutica para os pacientes portadores de obesidade traz diversos benefícios, entre eles: evita a dependência decorrente do uso dos anorexígenos, previne a automedicação, alerta sobre os riscos e benefícios dos medicamentos, propõe mudanças de hábitos na dieta e exercícios físicos, melhora a adesão do paciente ao tratamento, age de modo interdisciplinar e integrado com a equipe de saúde e soma forças para a melhora da qualidade de vida do paciente obeso.

Atenção farmacêutica para hipertensos

A integração da equipe multiprofissional na atenção à saúde é uma possibilidade para melhorar o controle da hipertensão arterial, que é uma doença crônica e fator de risco para várias doenças cardiovasculares. O tratamento medicamentoso requer uso contínuo e o sucesso e a prevenção de complicações depende da aderência do paciente e eficácia dos fármacos administrados.

Segundo Rita, o profissional farmacêutico tem formação especializada em medicamentos, podendo prestar atenção farmacêutica utilizando os métodos e modelos de acompanhamento farmacoterapêutico, a fim de garantir a aderência e sucesso do tratamento.

O diagnóstico da hipertensão arterial é caracterizado por valores diastólicos acima de 90 mmHg e sistólicos acima de 140 mmHg em indivíduos maiores de 18 anos de idade. Juntamente com o Diabetes Mellitus, é a primeira causa de hospitalizações no sistema público de saúde e um fator de risco para aterosclerose e doença isquêmica do coração, responsável por 65% de óbitos e 40% das aposentadorias por invalidez.

A gravidade da doença é influenciada por fatores como a quantidade de sal na dieta, padrão de atividade física, controle do peso corporal, estresse, tabagismo e comorbidades, como o diabetes mellitus. O segmento farmacoterapêutico e a aferição da pressão arterial estão entre as ações de atenção farmacêutica ao paciente hipertenso.

“O seguimento farmacoterapêutico necessita ser realizado com a máxima eficiência, como qualquer outra atividade voltada à saúde. Uma referência de modelo preconizada para tal é o modelo espanhol método Dáder, que se baseia na história farmacoterapêutica do paciente e nos problemas relacionados aos medicamentos que ele utiliza”, diz Rita.

Inclui aferições rotineiras da PA para avaliar a segurança, efetividade e necessidade da farmacoterapia, bem como a existência de outros medicamentos em uso e possíveis interações medicamentosas. Entre os benefícios para o paciente hipertenso podemos citar a identificação de problemas relacionados a medicamentos, solucionar problemas reais e prevenir potenciais; melhora na adesão ao tratamento medicamentoso; melhora das informações ao paciente acerca da terapia medicamentosa e efeitos adversos; melhora das orientações sobre medidas não farmacológicas relacionadas ao tratamento e promoção ao uso racional de medicamentos.

Atenção farmacêutica para diabéticos

Dados recentes apontam que o número de pacientes diabéticos aumentou muito nos últimos anos, colocando o Brasil em quarto lugar nesse ranking, atrás somente da China, Índia e Estados Unidos. Considerado um problema de saúde pública em todo o mundo, destaca-se a informação como uma importante ferramenta na prevenção de comorbidades decorrentes do descontrole da glicemia, como retinopatias, cegueira, amputação, nefro e neuropatias, entre outras.

Tradicionalmente, o Diabetes Melittus tipo II é tratado com hipoglicemiantes orais, medicamentos divididos em classes e gerações que possuem indicações e modo de ação específicos.

Segundo a professora, entre os medicamentos de primeira geração, encontram-se as sulfonilureias, primeiros hipoglicemiantes concebidos no tratamento do Diabetes Melittus e que atuam sobre as células beta pancreáticas, aumentando a secreção de insulina. Porém, em decorrência de alguns efeitos indesejados apresentados, foram realizadas algumas modificações que originaram os medicamentos de segunda geração, mais potentes e seguros, exemplificados pela glibenclamida.

Além das sulfonilureias, outras classes de hipoglicemiantes orais, que atuam por meio de mecanismos diferentes, são disponíveis para tratamento de Diabetes Melittus tipo I: os inibidores de glicosidase-a e as biguanidas. Assim, as biguanidas, representadas pela metformina, atuam diminuindo a produção hepática de glicose e aumentando sua utilização em tecidos periféricos, enquanto os inibidores de glicosidase-a, exemplificados pela acarbose, atuam no intestino delgado, atrasando a absorção intestinal de carboidratos e sua distribuição, o que causa diminuição da glicemia pós-prandial e, consequentemente, reduz glicemia plasmática.

Em alguns casos em que não há resposta ao tratamento com a utilização de uma única classe de medicamento, recomenda-se a terapia combinada, como a utilização de acarbose junto à metformina para o controle da glicemia. Existem, também, as tiazolidinadionas, que exercem efeitos no metabolismo lipídico, na pressão sanguínea e no tônus vascular, diminuindo o risco cardiovascular e alterando vários processos metabólicos relacionados à aterogênese.

“Nesse contexto, a presença do profissional farmacêutico junto ao paciente diabético, por meio da atenção farmacêutica, é extremamente importante, a fim de minimizar os problemas relacionados a medicamentos, como dificuldades na forma de administração e problemas de interação medicamentosa, e de orientar corretamente o paciente sobre a doença e suas consequências”, comenta Rita.

Entre os maiores problemas relacionados ao tratamento medicamentoso do diabetes estão as reações adversas causadas pelos hipoglicemiantes. Isso coloca o farmacêutico numa posição de destaque que, por meio da orientação individual e acompanhamento farmacoterapêutico, minimiza esses efeitos e colabora na adesão do paciente ao tratamento.

Vale ressaltar também a importância da equipe multidisciplinar, com médicos, nutricionistas, enfermeiros e educadores físicos no processo de cuidado ao paciente diabético, que soma esforços para otimizar os resultados. Um grande exemplo disso está no tratamento do Diabetes Mellitus tipo II que pode ser conduzido por dieta e exercícios físicos, e o controle glicêmico, complementado ou não com hipoglicemiantes orais e insulina. Assim, o controle da ingestão de carboidratos por meio da dieta e da educação permanente multiprofissional leva a melhores resultados.

O controle efetivo da glicemia no paciente diabético se dá, sobretudo, por sua adesão ao tratamento. No caso do Diabetes Melittus tipo I, cujo tratamento primário se dá pela insulinoterapia, existe ainda uma grande resistência dos pacientes ao uso correto da insulina motivada pelo medo da agulha. Neste caso, uma atuação direta do farmacêutico, por meio da atenção farmacêutica, permitiria ao paciente receber conselhos profissionais adequados que aumentariam a adesão ao tratamento ou possibilitariam a escolha de outra forma terapêutica, como a utilização de insulina administrada por via inalatória, que apresenta uma grande aceitação entre os pacientes com Diabetes Melittus tipo I.

Outro problema recorrente inerente ao tratamento com insulina pelos pacientes com Diabetes Mellitus tipo I são os episódios de hipoglicemia. Nesse caso, é importante o monitoramento domiciliar da glicemia com os glicosímetros. Em geral os pacientes têm muitas dificuldades sobre o uso desses equipamentos e na aquisição dos materiais necessários para as medições. De acordo com Rita, o farmacêutico tem um papel importante na orientação desse paciente e no alerta dos riscos da hipoglicemia. Adicionalmente, o uso inadequado da agulha pode levar à atrofia do tecido adiposo subcutâneo no local da aplicação.

Novas tecnologias surgiram para melhorar a qualidade de vida e a adesão do paciente diabético ao tratamento. Entre elas está o pâncreas artificial, concebido para portadores de Diabetes Melittus tipo I, ou seja, que não têm a capacidade de produzir a insulina. Nesse caso, o equipamento foi criado para mimetizar o funcionamento do pâncreas, liberando insulina quando a glicemia está elevada e bloqueando a bomba quando a glicemia está baixa. Essa tecnologia é mais indicada para crianças e gestantes, pessoas com grande variação nas taxas glicêmicas, e evita os episódios de hipoglicemia inerentes à farmacoterapia.

Outra novidade são os glicosímetros que dispensam agulhas e monitoram os níveis glicêmicos do paciente de maneira mais completa e eficaz do que os medidores atuais.  Os novos equipamentos conseguem mostrar como andava o nível de glicose, como está no momento e apresenta uma estimativa de como se comportará nas horas seguintes. Conseguem também melhorar a relação do paciente com a doença e predizer os fatores que interferem, de forma mais significativa, nos níveis glicêmicos.

Ainda sobre as novas tecnologias destaca-se a insulina inalada, medicamento inovador em formato de pó, que deve ser inalado antes de cada refeição para melhorar o controle glicêmico de adultos com diabetes. Esse novo tratamento traz novas possibilidades medicamentosas para o Diabetes Mellitus tipo I, que, tradicionalmente, é tratado com as injeções subcutâneas e afasta muitos pacientes dessa substância. 

Atenção farmacêutica para imunodeprimidos

A imunodepressão consiste na atenuação das reações imunitárias do organismo, que se observa no curso de certas doenças, como, por exemplo, o câncer e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

A farmacoterapia do câncer exige o uso de medicamentos potentes, como os citostáticos, cuja janela terapêutica é estreita, ou seja, a dose usual é próxima à dose tóxica. Por serem muito potentes e inespecíficos afetam várias células do corpo, inclusive a medula óssea responsável pela formação das defesas imunológicas.

“De forma geral, as principais reações adversas deste grupo de medicamentos estão relacionadas à supressão da medula óssea, náuseas, vômitos e alopecia, além de toxicidade renal, cardiotoxicidade, toxicidade pulmonar, neurotoxicidade, lesão gonadal e esterilidade”, comenta Rita.

É importante ressaltar que os efeitos adversos são um fator importante para a não adesão à terapia pelo paciente e podem influenciar na efetividade, levando a uma progressão da doença. Para minimizar os impactos causados pelo tratamento, destaca-se a importância da atenção farmacêutica ao paciente oncológico, em que as ações consistem no aconselhamento e supervisão do tratamento.

O aconselhamento ao paciente deve abranger os efeitos dos citostáticos e da terapêutica utilizada, localização dos efeitos, técnicas de administração, efeitos adversos e interação medicamentosa. Os serviços farmacêuticos devem estar presentes continuadamente durante todos os ciclos terapêuticos, e completar os cuidados médicos.

A atenção farmacêutica voltada aos pacientes imunodeprimidos previne interações medicamentosas e alimentares, visto que esses pacientes usualmente são polimedizalizados. A interação medicamentosa pode comprometer a eficácia do tratamento e a segurança do paciente, aumentando o período de internação, custos hospitalares e, principalmente, comprometendo a qualidade de vida do paciente. Outra vantagem da atenção farmacêutica é a identificação e resolução de problemas relacionados à terapia medicamentosa, como efeitos adversos e toxicidade, de modo a ampliar seus benefícios e minimizar seus riscos.

A atenção farmacêutica abrange a educação em saúde, orientação farmacêutica, dispensação, atendimento farmacêutico, acompanhamento farmacoterapêutico, registro sistemático das atividades, mensuração e avaliação dos resultados. O farmacêutico deve interagir de forma ativa com o paciente, de modo a resolver problemas que envolvam ou não o uso de medicamentos e acompanhar os seus resultados, para que, desta forma, a dispensação do medicamento ao paciente seja feita de maneira consciente e segura.

Outra doença que ocasiona diminuição progressiva da imunidade do portador é a AIDS, causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), fazendo com que o organismo fique suscetível a desenvolver infecções oportunistas pela baixa do quadro imunológico.

“O farmacêutico desempenha um papel importante na evolução do tratamento do paciente em tratamento com antirretrovirais. Estudos apontam sobre a importância do acompanhamento farmacoterapêutico, como ferramenta da atenção farmacêutica, promovendo uma redução significativa dos problemas relacionados a medicamentos (PRMs) e um aumento na adesão dos pacientes aos antirretrovirais. Isso se deve principalmente às ações educativas e ao maior contato do farmacêutico com os pacientes, considerados fatores determinantes para o resultado”, conclui Rita.

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